Cinema
Um longa em duas semanas: como a IA da ByteDance provocou Cannes
Dona do TikTok usa o Seedance 2.0 para mostrar que a produção audiovisual com IA generativa já não se limita a clipes curtos: curtas selecionados no Marché du Film e um longa de 95 minutos reacendem debate sobre custos, autoria e trabalho criativo.
A inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade técnica nos bastidores do audiovisual. Em Cannes, ela apareceu como uma nova força econômica, estética e política. A ByteDance, dona do TikTok, colocou seu modelo de vídeo Seedance 2.0 no centro das discussões ao ver produções feitas com sua tecnologia circularem no entorno do festival e no Marché du Film, o mercado de negócios associado ao Festival de Cannes.
Dois curtas criados pela plataforma chinesa Chushou AI, The Golden Tomb Seeker e Series Tower, usando o Seedance 2.0, estiveram entre os 21 trabalhos selecionados de um universo de mais de mil submissões vindas de 120 países para o Marché du Film, segundo relatos do SCMP reproduzidos por veículos especializados.
Mas o projeto que realmente capturou a atenção da indústria foi Hell Grind, um longa de ação e fantasia de 95 minutos produzido pela startup norte-americana Higgsfield AI. O filme não integrou a seleção oficial de Cannes, mas foi exibido em um evento de cinema com IA realizado em paralelo ao festival. De acordo com a Higgsfield, a produção foi concluída por uma equipe de 15 pessoas em cerca de duas semanas, com orçamento inferior a US$ 500 mil — dos quais aproximadamente US$ 400 mil teriam sido gastos em computação.
A comparação com Hollywood é inevitável. Alex Mashrabov, cofundador e CEO da Higgsfield, afirmou que uma produção tradicional de escala semelhante poderia custar algo em torno de US$ 50 milhões, segundo a cobertura do SCMP citada por veículos internacionais.
De clipes de segundos a longas-metragens
Até recentemente, uma das principais limitações dos geradores de vídeo por IA era a curta duração dos resultados. Muitas ferramentas populares produzem sequências de poucos segundos, o que obriga criadores a montar milhares de fragmentos para construir narrativas mais longas. Esse processo costuma gerar inconsistências de rosto, cenário, iluminação, continuidade e movimento.
O caso de Hell Grind sugere que essa barreira começa a ceder. Segundo a TechNode, a produção chamou atenção justamente por tentar demonstrar que a IA generativa pode sustentar uma narrativa longa, com personagens recorrentes, universo visual coerente e estrutura de longa-metragem.
Isso não significa que a IA já resolveu todos os problemas do cinema. Ao contrário: o uso intensivo de prompts, iterações e controle humano continua sendo central. Relatos sobre a produção indicam que cada trecho exigiu instruções detalhadas, ajustes sucessivos e supervisão para manter consistência visual e narrativa.
O que muda é a escala da ambição. A IA deixa de ser apresentada apenas como ferramenta para teasers, anúncios, videoclipes e experimentos visuais. Agora, passa a disputar espaço no território simbólico do cinema narrativo de longa duração.
O argumento da ByteDance: menos execução, mais direção criativa
A ByteDance tenta posicionar o Seedance 2.0 como uma ferramenta para acelerar fluxos de produção e reduzir o peso das tarefas repetitivas. Tan Dai, presidente da unidade de nuvem Volcano Engine, ligada à ByteDance, afirmou que ferramentas de IA podem permitir que criadores se concentrem mais em história, personagens e direção criativa, em vez de ficarem presos à execução técnica.
Essa visão também aparece em declarações de cineastas que tratam a IA como mais uma etapa da evolução tecnológica do cinema. O diretor chinês Jia Zhangke, que lançou um curta com Seedance 2.0 em fevereiro, descreveu a tecnologia como uma ferramenta, não como substituta do diretor.
Esse é o discurso de venda: a IA como câmera, ilha de edição, estúdio virtual e equipe de pós-produção condensados em uma nova camada de software.
Mas o outro lado da discussão é mais espinhoso.
O choque com Hollywood: direitos autorais, imagem e trabalho
O avanço do Seedance 2.0 não ocorreu em terreno neutro. Meses antes de Cannes, a ferramenta já havia provocado reação de Hollywood por permitir a criação de vídeos hiper-realistas envolvendo personagens protegidos por direitos autorais e imagens de atores sem autorização.
A Motion Picture Association criticou a ByteDance por supostas violações de propriedade intelectual, enquanto o sindicato dos atores SAG-AFTRA condenou o uso não autorizado de vozes e imagens de artistas.
No Brasil, a Exame noticiou que a Disney enviou uma carta de “cessar e desistir” à ByteDance após vídeos feitos com o Seedance circularem com personagens como Mickey, Minnie e Homem-Aranha. A empresa chinesa afirmou estar ciente das preocupações e disse trabalhar no reforço de mecanismos para impedir usos não autorizados de imagens e personagens protegidos.
O jornal espanhol El País também destacou a reação da indústria norte-americana após a viralização de um vídeo gerado por IA que simulava uma luta entre Tom Cruise e Brad Pitt, associado ao debate sobre o Seedance 2.0.
A tensão é clara: para startups e plataformas, a IA promete democratizar a produção audiovisual. Para atores, roteiristas, técnicos, estúdios e titulares de direitos, ela também pode representar apropriação indevida, precarização e deslocamento de trabalho.
Cannes como vitrine e campo de batalha
Cannes sempre funcionou como vitrine de prestígio, mercado de negócios e termômetro das obsessões da indústria. Em 2026, a IA generativa apareceu como uma dessas obsessões centrais.
Segundo a Tubefilter, o Seedance 2.0 esteve associado a produções exibidas no entorno do festival e no Marché du Film, enquanto Hell Grind foi promovido como o primeiro longa-metragem totalmente gerado por IA. A recepção artística pode ter sido dividida, mas o impacto industrial foi evidente: o filme serviu menos como obra definitiva e mais como prova de conceito.
A pergunta que fica não é apenas se a IA consegue fazer filmes. Essa resposta, em algum grau, já começou a ser dada. A questão mais importante é quem controla essa produção, com quais dados, sob quais licenças, com que distribuição de renda e com quais garantias para trabalhadores criativos.
A nova economia do audiovisual
Se um longa de fantasia pode ser produzido em duas semanas por uma equipe pequena e com orçamento inferior a US$ 500 mil, a matemática do setor muda. Não necessariamente para substituir Hollywood no topo da cadeia, onde marca, elenco, distribuição e propriedade intelectual seguem decisivos. Mas certamente para pressionar produções independentes, publicidade, conteúdo para plataformas, pré-visualização, storyboards, animação e entretenimento de nicho.
Ainda há uma contradição importante: embora a IA reduza custos de equipe e produção física, ela transfere parte do orçamento para computação. No caso de Hell Grind, a maior fatia do custo teria sido justamente infraestrutura de processamento.
Isso indica que a “democratização” prometida pela IA pode depender menos da câmera e mais do acesso a poder computacional, modelos proprietários e plataformas fechadas. Em outras palavras: o gargalo sai do set de filmagem e vai para a nuvem.
O cinema depois da IA
O movimento da ByteDance em Cannes aponta para uma nova fase da disputa global por IA generativa. Depois de texto, imagem e música, o vídeo longo se torna a nova fronteira. E, nesse campo, a empresa chinesa tenta se posicionar não apenas como dona de uma rede social, mas como fornecedora de infraestrutura criativa para a próxima geração do audiovisual.
Para Hollywood, o recado é incômodo: os custos, prazos e estruturas tradicionais de produção estão sendo questionados por plataformas que operam com lógica de software, escala e automação.
Para criadores independentes, a promessa é sedutora: fazer com poucos recursos aquilo que antes exigia estúdios, equipes numerosas e milhões de dólares.
Para o público, resta uma pergunta cada vez mais difícil: quando um filme emociona, importa saber se ele foi feito por câmeras, atores e cenários reais — ou por uma pilha de prompts, modelos e servidores?
A resposta talvez não esteja apenas na tecnologia, mas nas regras que a sociedade decidir criar para ela.
Cinema
Cully Hill Boys: o filme de IA que escancara a importância da direção humana
Cully Hill Boys usa roteiro profissional, rostos licenciados e uma pilha de modelos generativos para mostrar até onde o cinema com IA chegou. Mas também deixa uma coisa clara: tecnologia sozinha ainda não sabe contar uma boa história.
A inteligência artificial já consegue gerar cenas espetaculares. O problema sempre foi juntar essas cenas e fazer aquilo parecer um filme.
Cully Hill Boys, novo projeto da plataforma Higgsfield AI, tenta atravessar justamente essa fronteira. E o resultado é interessante por uma contradição: quanto mais o filme se aproxima do cinema tradicional, mais evidente fica a quantidade de trabalho humano por trás dele.
A história acompanha três rappers do leste de Londres que roubam por acidente o dinheiro de um criminoso. O roteiro foi escrito por Timothy Wayne Planagan e circulou anteriormente pela Black List, plataforma conhecida por revelar roteiros ainda não produzidos. O projeto também apareceu entre os finalistas de roteiro de longa-metragem do London Independent Story Prize.
A Higgsfield adquiriu os direitos para uma adaptação com IA, enquanto Planagan manteve os direitos para uma eventual produção convencional. É uma solução contratual particularmente interessante para uma indústria que ainda tenta entender como negociar obras entre esses dois mundos.
Atores que nunca foram ao set
Mikyle “N3on” Rafiq, Matt Kiatipis e o lutador Israel Adesanya aparecem como protagonistas — mas nenhum deles precisou filmar as cenas.
Segundo o The Verge, os três licenciaram suas imagens para que versões digitais fossem utilizadas na produção.
Esse detalhe importa.
Num momento em que Hollywood discute justamente consentimento, imagem e reprodução digital de artistas, Cully Hill Boys aposta no licenciamento explícito em vez de simplesmente fabricar rostos sem autorização.
Uma fábrica de modelos — comandada por humanos
O filme também mostra que “feito com IA” está longe de significar apertar um botão.
Claude foi usado na elaboração de prompts; tecnologias da ByteDance participaram da geração de vídeo; outras ferramentas entraram em imagens e edição. A própria Higgsfield já descreve fluxos de produção em que roteiro, referências de personagens, cenários, enquadramentos e prompts são preparados antes da geração propriamente dita.
O Seedance 2.5, promovido pela empresa, promete clipes de até 30 segundos, áudio sincronizado, referências multimodais e resolução de até 4K — avanços importantes diante dos poucos segundos que durante anos limitaram o vídeo generativo.
Mas há uma pedra no caminho.
Prompts divulgados pela produção fazem referências diretas às linguagens de Guy Ritchie e Edgar Wright. Isso recoloca no centro uma das grandes questões da IA generativa: até onde vai inspiração estética e onde começa a apropriação de trabalho usado para ensinar os modelos?
A discussão não é abstrata. Em fevereiro, a SAG-AFTRA criticou publicamente vídeos produzidos com Seedance envolvendo reproduções de artistas, enquanto a Disney também reagiu ao uso de suas propriedades intelectuais.
Talvez essa seja a verdadeira notícia
Cully Hill Boys ainda apresenta defeitos típicos do audiovisual generativo: textos incompreensíveis em cena, algumas interações estranhas e personagens que nem sempre parecem compartilhar o mesmo espaço emocional.
Mesmo assim, existe uma mudança importante acontecendo.
A IA começa a deixar de ser apenas uma máquina de produzir clipes impressionantes para entrar num território muito mais complicado: contar histórias longas.
E o experimento da Higgsfield acaba produzindo uma resposta curiosa para quem imagina um futuro de cinema totalmente automatizado.
Quanto melhor o filme fica, mais importantes parecem ser o roteirista, os diretores, os atores que autorizaram suas imagens e as pessoas tomando decisões atrás das máquinas.
A IA pode mudar radicalmente os meios de produção.
Mas cinema ainda precisa de alguém querendo dizer alguma coisa.
Fontes: The Verge; Higgsfield AI; London Independent Story Prize; Variety/SAG-AFTRA.
Cinema
‘Guardians of the Burrow’: o filme de IA que transforma ciência em cinema
Uma tarântula gigante divide sua toca com um sapo minúsculo no chão úmido da Amazônia. A cena parece saída de um documentário clássico da BBC: luz baixa, câmera próxima, movimentos pacientes, textura de natureza filmada com equipamento caríssimo.
Só que nada disso foi filmado.
O curta Guardians of the Burrow, da criadora australiana Jodie Heenan, é um documentário de vida selvagem inteiramente gerado por inteligência artificial. A obra simula uma cena raríssima: a parceria entre uma tarântula amazônica e um pequeno sapo conhecido como dotted humming frog, uma relação observada por biólogos, mas extremamente difícil de registrar em vídeo dentro de uma toca subterrânea.
A ideia do filme não é inventar uma criatura fantástica. É fazer o contrário: usar IA para visualizar algo que existe na natureza, mas quase nunca foi captado por câmeras convencionais.
Segundo o The Guardian, Heenan apresenta o curta como uma espécie de “documentário impossível”: uma tentativa de mostrar, com aparência realista, um comportamento natural que seria muito difícil de filmar sem interferir no ambiente. O filme venceu uma premiação no OMNI International AI Film Festival, realizado em Sydney, em uma edição dedicada ao cinema feito com ferramentas generativas.
A relação entre sapos pequenos e tarântulas é uma das parcerias mais curiosas da natureza. Em algumas regiões da América do Sul, pequenos anfíbios vivem próximos às aranhas e se beneficiam da proteção da toca. Em troca, eles podem comer formigas e pequenos insetos que ameaçariam os ovos da tarântula. É uma relação descrita como mutualismo ou comensalismo, dependendo da interpretação científica.
É justamente aí que o curta toca num ponto sensível: se a cena representa um fenômeno real, mas foi criada por IA, ela ainda pode ser chamada de documentário?
A resposta depende da transparência. Guardians of the Burrow não tenta esconder sua origem artificial. O próprio material de divulgação afirma que o filme foi criado com IA e apresenta a tecnologia como uma “nova câmera” para visualizar o que seria quase inacessível a uma equipe tradicional.
O caso é importante porque mostra uma mudança de fase. A IA no audiovisual não está mais restrita a monstros, ficção científica ou vídeos de impacto nas redes sociais. Ela começa a entrar em territórios antes associados à paciência, observação e registro direto do real — como o documentário de natureza.
Isso abre possibilidades enormes. Cientistas, educadores e cineastas podem recriar ambientes microscópicos, comportamentos raros, ecossistemas ameaçados e cenas históricas da vida animal sem colocar espécies em risco. Também pode democratizar a produção: um criador independente passa a competir visualmente com estruturas que antes exigiam grandes equipes, viagens, câmeras especiais e orçamentos altos.
Mas o risco também é evidente. Se o público não souber o que foi filmado, o que foi simulado e o que foi reconstruído com base científica, a IA pode transformar o documentário em uma zona cinzenta entre conhecimento e ilusão.
Por isso, o futuro desse tipo de obra talvez não dependa apenas da tecnologia, mas de uma nova ética de exibição. O espectador precisa saber quando está diante de uma imagem captada no mundo real, quando está vendo uma reconstituição e quando a cena foi totalmente gerada por IA.
Guardians of the Burrow funciona porque assume sua natureza híbrida. Não vende a IA como prova, mas como linguagem. Não substitui a pesquisa de campo, mas propõe uma forma de imaginar visualmente aquilo que a ciência já conhece e a câmera ainda não alcançou.
No fim, o curta deixa uma pergunta maior para o cinema: a IA pode mentir com aparência de verdade — mas também pode revelar verdades que nunca conseguimos filmar.
A diferença entre uma coisa e outra será a honestidade de quem cria.
Cinema
Filme sobre OpenAI, Sam Altman e crise de 2023 ganha nova distribuidora
Filme de Luca Guadagnino sobre Sam Altman e a crise da OpenAI foi descartado pela Amazon MGM após acordo bilionário com a OpenAI, mas ganhou novo fôlego com a Neon, distribuidora de Parasita e Anora.
A Neon comprou os direitos de distribuição mundial de Artificial, filme dirigido por Luca Guadagnino sobre Sam Altman e a crise interna que quase implodiu a OpenAI em 2023. O longa, que havia sido abandonado pela Amazon MGM Studios mesmo estando praticamente finalizado, agora deve ser lançado ainda este ano com ambição declarada de entrar na corrida pelo Oscar.
O filme acompanha os dias que antecederam a demissão e a rápida recondução de Altman ao cargo de CEO da OpenAI, um dos episódios mais simbólicos da disputa contemporânea entre governança, segurança, capital e poder na indústria de inteligência artificial. Andrew Garfield interpreta Sam Altman. O elenco também inclui Monica Barbaro, Yura Borisov, Mark Rylance e Ike Barinholtz no papel de Elon Musk.
A saída da Amazon MGM chamou atenção porque aconteceu poucos meses depois de a Amazon anunciar uma parceria estratégica multianual com a OpenAI, acompanhada de um investimento de US$ 50 bilhões. Segundo a própria Amazon, o acordo prevê um aporte inicial de US$ 15 bilhões, seguido por mais US$ 35 bilhões condicionados ao cumprimento de determinadas metas.
Oficialmente, a Amazon afirmou que Artificial seria “melhor servido” caso fosse lançado por outro estúdio. A justificativa, porém, abriu espaço para especulações na imprensa internacional sobre possíveis conflitos entre os interesses corporativos da gigante de tecnologia e a representação cinematográfica de uma das figuras mais influentes — e controversas — da atual corrida pela inteligência artificial.
A crise real retratada pelo filme começou em novembro de 2023, quando o conselho da OpenAI removeu Sam Altman do comando da empresa. Dias depois, após pressão interna, reação de investidores e intensa instabilidade pública, Altman retornou como CEO. Em comunicado publicado na época, a OpenAI confirmou seu retorno e anunciou uma nova composição inicial de conselho, com Bret Taylor, Larry Summers e Adam D’Angelo.
Essa história interessa a Hollywood porque concentra, em poucos dias, quase todos os elementos dramáticos da era da IA: fundadores carismáticos, conselhos divididos, medo de riscos existenciais, bilhões de dólares em jogo, pressão de funcionários, influência de big techs e uma disputa permanente entre missão pública e ambição privada.
A escolha da Neon muda o destino do projeto. A distribuidora independente construiu uma reputação rara nos últimos anos, associada a filmes de forte prestígio crítico e performance em premiações. Entre seus títulos estão vencedores do Oscar como Parasita e Anora, além de uma sequência expressiva de vencedores da Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Na prática, a aquisição transforma Artificial de um projeto incômodo para uma big tech em um possível filme de prestígio para a temporada de premiações. A Neon já sinalizou que pretende lançar o longa ainda este ano e colocá-lo na disputa do Oscar, movimento que reposiciona a obra como comentário cultural sobre o poder da IA, e não apenas como cinebiografia de executivo do Vale do Silício.
Para a indústria audiovisual, o caso também expõe uma contradição cada vez mais difícil de ignorar: os mesmos conglomerados que financiam, distribuem e exibem cinema estão se tornando parceiros comerciais diretos das empresas que controlam a infraestrutura e os modelos de inteligência artificial. Quando uma obra ficcional toca em personagens reais desse ecossistema, a independência editorial passa a ser tão importante quanto o orçamento de produção.
Artificial ainda não tem data exata de estreia divulgada, mas sua nova casa indica uma estratégia clara: sair da zona de desconforto corporativo e entrar no circuito de cinema autoral, festivais e Oscar. O filme sobre a crise da OpenAI agora virou, ele próprio, um caso sobre os limites entre tecnologia, dinheiro, reputação e liberdade artística.
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