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Phoebe Bridgers lança “Lost Boys” e anuncia a era de Lost Weekend

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Phoebe Bridgers - Lost Boys

Phoebe Bridgers voltou oficialmente ao centro do indie rock com “Lost Boys”, primeiro single de Lost Weekend, seu novo álbum solo, previsto para 14 de agosto pela Dead Oceans. A faixa marca a retomada de sua carreira individual depois do impacto de Punisher, de 2020, e de um período em que a artista esteve fortemente associada ao fenômeno boygenius, trio formado ao lado de Julien Baker e Lucy Dacus.

“Lost Boys” chega com ares de reintrodução: é uma canção expansiva, melancólica e feita para crescer no refrão, mas sem abandonar o olhar irônico e ferido que transformou Bridgers em uma das compositoras mais influentes de sua geração. O título brinca com a imagem dos “meninos perdidos” de Peter Pan — aqueles que não envelhecem, não amadurecem ou simplesmente se recusam a encarar as consequências da vida adulta. Na mão de Phoebe, porém, a fantasia vira comentário emocional: menos conto infantil, mais retrato de relações marcadas por fuga, repetição e desencanto.

O videoclipe amplia esse jogo simbólico. Dirigido por Lance Oppenheim e Pablo Rochat, o vídeo coloca Bridgers em um universo de fantasia medieval, entre elfos, cavaleiros, LARP, feira renascentista e uma atmosfera de videogame antigo ganhando vida. A estética parece absurda à primeira vista, mas combina com a lógica da música: adultos fantasiados, rituais de escapismo e personagens tentando permanecer em um mundo imaginário enquanto a realidade insiste em atravessar a cena.

A faixa também funciona como um cartão de visitas para a nova fase de Bridgers. “Lost Boys” tem colaborações de peso e traz a presença de suas companheiras de boygenius, Julien Baker e Lucy Dacus, além de nomes como Caroline Shaw, Alex G, Jack Antonoff, Nate Walcott, Blake Mills, Chris Thile e Christian Lee Hutson. A produção envolve a própria Phoebe Bridgers, Tony Berg, Ethan Gruska e Jack Antonoff, com contribuição adicional de Alex G.

O retorno acontece depois de uma sequência de movimentos calculados. Antes do anúncio do álbum, Bridgers realizou apresentações surpresa nos Estados Unidos, incluindo um show sem celulares no Madison Square Garden, em Nova York. A estratégia reforça uma tensão que acompanha a artista desde Punisher: ela é, ao mesmo tempo, uma figura de culto e uma estrela de arena, alguém que construiu sua força em canções íntimas, mas agora precisa lidar com a escala gigantesca de sua própria base de fãs.

Essa mudança de escala também aparece na turnê. A Lost Tour começa em setembro e passa pela América do Norte, Reino Unido e Europa, com shows sem celulares e participações de Alex G na etapa norte-americana e Isaac Wood, ex-Black Country, New Road, na etapa europeia. Parte da renda dos ingressos será destinada a organizações de apoio a sobreviventes de violência sexual, mantendo uma dimensão social que já apareceu em outras iniciativas ligadas à artista.

Musicalmente, “Lost Boys” não abandona os fantasmas tradicionais de Phoebe Bridgers: juventude, memória, abandono, relações quebradas, humor seco e uma tristeza que nunca se entrega totalmente ao drama. Mas há uma diferença importante: a canção parece pensada para ser cantada por multidões. O refrão tem vocação de arena, a produção cresce com mais brilho e a melancolia ganha uma moldura mais cinematográfica.

Depois de anos em que Phoebe Bridgers foi analisada quase como personagem pública — entre o sucesso de boygenius, a idolatria dos fãs e a superexposição típica da música pop contemporânea — “Lost Boys” parece afirmar uma tentativa de retomada narrativa. Ela volta sem explicar demais. Volta com fantasia, distanciamento e uma canção que fala justamente sobre a dificuldade de crescer.

Lost Weekend será o primeiro álbum solo de Phoebe Bridgers em seis anos. Se “Lost Boys” é mesmo a porta de entrada para essa nova fase, o disco promete trabalhar a colisão entre intimidade e espetáculo: a compositora de quarto agora escreve para arenas, mas ainda parece interessada naquilo que sempre fez melhor — observar as ruínas emocionais com beleza, sarcasmo e precisão.

Fonte: PitchFork

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Carly Rae Jepsen lança “On Wires” e anuncia álbum duplo Day and Night

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Carly Rae Jepsen 1

Carly Rae Jepsen está de volta — e em dose dupla. A cantora canadense lançou “On Wires”, primeiro single de seu próximo álbum, Day and Night, projeto de 24 faixas que chega às plataformas em 18 de setembro pela Interscope Records.

A música inaugura uma nova fase para Jepsen, que vem construindo uma das trajetórias mais consistentes do pop contemporâneo desde que deixou de ser lembrada apenas pelo fenômeno “Call Me Maybe”. Em “On Wires”, ela volta ao território em que se move melhor: o desejo romântico tratado como urgência, indecisão e catarse pop.

A faixa tem uma energia pop-rock, com refrão direto e aquela assinatura emocional que transformou Carly Rae Jepsen em artista de culto para fãs de música pop. O verso central da canção gira em torno da vontade de ultrapassar a fronteira da amizade, mas sem perder o tom leve, dançante e luminoso que marca boa parte de sua obra.

O clipe, dirigido por Caio Vieira, também ganhou um significado inesperado. Segundo a própria Jepsen, a ideia inicial era filmar uma perseguição romântica pelas ruas de Nova York. Mas, quando chegou a hora da gravação, ela estava grávida de seis meses — e a proposta precisou mudar.

A solução visual encontrada foi transformar o cabo do microfone em personagem. No vídeo, Carly aparece em uma espécie de cabo de guerra simbólico com o fio, imagem que passou a representar a tensão entre vida pessoal, maternidade, carreira e performance. O que poderia ser apenas um clipe de sedução pop virou uma metáfora sobre tentar abrir espaço para si mesma no meio da máquina da música.

Day and Night será dividido em duas metades de 12 músicas. O lado “Day” deve trazer influências de pop psicodélico dos anos 1970 e instrumentação mais orgânica. Já o lado “Night” promete mirar a pista, com sonoridade mais sintética, noturna e dançante.

O álbum será o primeiro grande projeto de inéditas de Carly Rae Jepsen desde The Loveliest Time, lançado em 2023 como complemento de The Loneliest Time, de 2022. A nova fase também chega depois de um período pessoal importante para a artista, que se casou com o produtor Cole M.G.N. e deu à luz seu primeiro filho em março de 2026.

A ambição de Day and Night parece dialogar com uma tendência recente do pop: discos mais conceituais, longos e divididos em atmosferas emocionais. No caso de Carly, a proposta combina bem com sua persona artística. Ela sempre foi uma compositora interessada nos instantes de suspensão — a paixão antes de virar relação, a festa antes do amanhecer, a dúvida antes da confissão.

“On Wires” funciona justamente nesse intervalo. É uma canção sobre estar pendurada no desejo, presa entre o impulso e a espera. E, ao transformar esse estado emocional em imagem física, com o cabo do microfone puxando a cantora de um lado para o outro, Carly Rae Jepsen encontra uma boa síntese para sua nova era: um pop que continua brilhante, mas agora atravessado por vida adulta, maternidade e escolhas reais.

Com 24 músicas prometidas, Day and Night chega como um dos lançamentos pop mais aguardados do segundo semestre. E “On Wires” indica que Carly Rae Jepsen segue fazendo aquilo que poucos artistas pop fazem tão bem: transformar pequenas hesitações amorosas em grandes momentos de euforia.

Fonte: PitchFork

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Navy Blue transforma “Sir Render” em fábula medieval de papelão e autoconhecimento

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Navy Blue

O rapper, produtor e artista visual Navy Blue lançou o videoclipe de “Sir Render”, faixa-título de seu novo álbum, lançado no início de junho. Dirigido por Ahab Mullick, o vídeo aposta em uma linguagem simples, teatral e profundamente simbólica: um menino encontra uma armadura feita de caixas de papelão e parte em uma pequena jornada épica por castelos também construídos com papelão, espadas improvisadas e cenários que parecem nascer mais da imaginação do que da matéria.

A imagem é delicada, mas não é ingênua. Em vez de transformar a infância em nostalgia fácil, o clipe usa o universo do faz de conta para falar de medo, identidade e sobrevivência emocional. O menino-cavaleiro atravessa a cena como se estivesse enfrentando não apenas um castelo, mas as próprias sombras. É uma metáfora direta para o coração de “Sir Render”: a tentativa de olhar para versões passadas de si mesmo, entender as cicatrizes e seguir adiante sem negar a dor.

A escolha do teatro como espaço visual também é importante. No vídeo, há uma plateia pequena, quase solitária, que inicialmente não percebe o espetáculo acontecendo atrás da cortina. Quando Navy Blue abre o pano vermelho, a jornada escondida se revela. A cena funciona como uma imagem bonita para a própria obra do artista: um rap íntimo, cheio de camadas psicológicas, que transforma vulnerabilidade em linguagem.

“Sir Render” dá nome ao álbum mais recente de Navy Blue, também conhecido como Sage Elsesser. O disco aprofunda temas que atravessam sua discografia recente: trauma, luto, espiritualidade, masculinidade sensível, memória e reconstrução. Em vez de tratar a armadura como símbolo de força bruta, Navy Blue parece interessado no momento em que o guerreiro descobre que precisa tirá-la. A batalha, aqui, não é conquistar o mundo; é aprender a existir dentro dele sem ser destruído por aquilo que se carrega.

O álbum conta com participações de Earl Sweatshirt, Armand Hammer, Mike Shabb e Ka, este último em uma contribuição póstuma. A produção reúne nomes como The Alchemist, Jason Wool, Shungu, Mike Shabb e o próprio Navy Blue. Há também a presença narrativa de James Earl Jones, primo de Elsesser, cuja voz adiciona uma dimensão quase mitológica ao projeto.

Dentro da trilogia recente do artista, “Sir Render” funciona como uma espécie de peça anterior a “Memoirs in Armour” e “The Sword & the Soaring”. É como se Navy Blue voltasse ao começo do mito para entender de onde veio a armadura, antes de perguntar o que significa carregá-la. O novo clipe, com seu cavaleiro infantil e seus castelos frágeis, traduz essa ideia com precisão: por trás de toda fantasia heroica, existe uma criança tentando sobreviver aos próprios medos.

No contexto do rap contemporâneo, Navy Blue segue em uma chave rara: menos interessado no espetáculo da vitória do que na arqueologia íntima da queda, da cura e da permanência. “Sir Render” é pequeno em escala visual, mas grande em intenção. Um videoclipe artesanal, quase de escola ou de teatro comunitário, que encontra justamente nessa simplicidade a sua força cinematográfica.

Para um momento em que boa parte da música visual aposta no excesso, Navy Blue faz o caminho inverso. Com papelão, cortina, palco e silêncio, ele cria uma imagem poderosa sobre transformação: a coragem talvez não esteja em vencer o castelo, mas em olhar para ele de frente.

Fonte: PitchFork

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Charli XCX pisca para o caos pop em “Wink Wink”, novo capítulo de Music, Fashion, Film

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Charli XCX

Charli XCX voltou a apertar aquele botão vermelho que só ela parece saber onde fica. Em “Wink Wink”, seu novo single, a cantora britânica transforma sensualidade, deboche e autoconsciência pop em mais uma peça do quebra-cabeça de Music, Fashion, Film, álbum previsto para 24 de julho pela Atlantic.

A música chega acompanhada de um clipe dirigido por Aidan Zamiri, colaborador frequente de Charli e um dos nomes responsáveis por traduzir visualmente essa fase em que a artista parece menos interessada em “lançar singles” e mais empenhada em criar um ecossistema: música, roupa, corpo, gesto, cinema, meme, rumor e performance.

Na superfície, “Wink Wink” é uma piscadela safada. Mas, como costuma acontecer com Charli, a brincadeira carrega uma camada de estratégia. A letra flerta com a ideia de redenção pop — a cantora insiste que não é mais uma “bad girl” — enquanto o vídeo faz exatamente o oposto: encena a travessura, exagera a provocação e trata o desejo como linguagem visual.

É Charli brincando com a própria personagem pública. Depois do fenômeno Brat, ela poderia seguir pelo caminho mais seguro: repetir a fórmula, congelar o verde-limão, transformar a estética em franquia. Em vez disso, parece preferir o risco de confundir o público de novo. “Wink Wink” não abandona a pista, mas também não mora exatamente nela. A faixa aparece mais inclinada a guitarras, sintetizadores ásperos e uma pulsação pop-rock de meio-tempo, sem perder a inteligência de pista que acompanha Charli desde seus melhores momentos.

O single sucede “Rock Music” e “SS26”, outras duas faixas já lançadas de Music, Fashion, Film. A primeira gerou conversa justamente por sugerir uma guinada para o rock, algo que Charli fez questão de relativizar. A artista tem dito que não pensa gênero musical de forma binária e que o novo disco não deve ser lido como uma conversão literal ao rock, mas como mais uma mutação dentro de sua linguagem.

Essa é talvez a chave para entender a nova era: Charli XCX não está tentando “trocar de estilo”. Está tentando escapar da obrigação de ser uma coisa só.

A própria capa de Music, Fashion, Film reforça esse gesto conceitual. Fotografada em preto e branco por Aidan Zamiri, ela reúne três figuras que funcionam quase como totens culturais: John Cale, do Velvet Underground, o estilista Marc Jacobs e o cineasta Martin Scorsese. Não é só uma capa estrelada. É uma declaração de método. Charli quer que o disco seja lido como cruzamento entre som, imagem, moda, pose e mitologia pop.

Nesse sentido, “Wink Wink” funciona como um trailer. O clipe coloca a cantora em ambientes cotidianos — campo, casa, sofá, quintal, tarefas domésticas — e vai contaminando tudo com erotismo, ironia e descontrole coreografado. O banal vira cena. A pose vira narrativa. A cantora vira atriz de si mesma.

É uma continuação lógica do pós-Brat, mas não uma cópia. Se Brat foi o colapso verde-limão da cultura clubber, “Wink Wink” parece apontar para um pop mais encenado, mais físico e mais cinematográfico. Menos pista de dança, mais set de filmagem. Menos catarse coletiva, mais close-up.

E é aí que Charli continua interessante: ela entende que, em 2026, música pop não é só canção. É contexto, figurino, timing, feed, videoclipe, bastidor, comentário, estética e ruído. “Wink Wink” chega com apenas uma piscadela de aviso e já ocupa esse espaço híbrido entre lançamento musical e performance de personagem.

O resultado é um single que não tenta pedir licença. Charli XCX parece se divertir justamente no intervalo entre prometer bom comportamento e sabotar a promessa diante da câmera. Ela diz que mudou. O clipe pisca de volta e responde: mudou nada.

Fonte: PitchFork

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