Cinema
O cinema depois do prompt: Runway AIF vira vitrine, palco e campo de batalha
Há festivais que nascem para consagrar uma linguagem. Outros chegam para anunciar uma crise. O Runway AIF — antigo AI Film Festival — parece fazer as duas coisas ao mesmo tempo. É vitrine, laboratório, manifesto, show de tecnologia e, para muita gente do cinema, uma provocação. Um evento que começou como celebração de curtas feitos com inteligência artificial e agora se apresenta como algo maior: um festival interdisciplinar de criação com IA, atravessando cinema, design, moda, publicidade, games e novas mídias.
A mudança de nome não é detalhe de assessoria. É sintoma. O AI Film Festival, como era conhecido, carregava no título a promessa direta de um cinema feito com ferramentas de IA. Já o AIF, nome adotado pela Runway para a edição mais recente, alarga o território. A palavra “film” sai do centro do letreiro para que entrem outros palcos, outras linguagens, outras indústrias. É como se o festival dissesse: não estamos falando apenas de filmes; estamos falando da reorganização completa do audiovisual.
A Runway, empresa que se tornou uma das marcas mais visíveis da geração de vídeo por IA, construiu o festival como uma espécie de vitrine cultural para suas ferramentas e para uma comunidade emergente de realizadores. Em poucos anos, a iniciativa deixou de ser curiosidade de nicho para ocupar salas nobres, atrair jurados da indústria, conversar com Hollywood e provocar reações inflamadas de cinéfilos, artistas, técnicos, roteiristas e espectadores.
O que está em jogo não é apenas se a IA consegue gerar imagens bonitas. Essa etapa, em grande medida, já foi vencida. A pergunta que fica depois da sessão é mais antiga e mais difícil: imagem vira cinema quando tem alma, conflito, ritmo, olhar, silêncio e memória? Ou basta produzir um espetáculo visual que pareça cinema para ocupar o mesmo lugar simbólico?
Do primeiro experimento à sala grande
A história oficial do festival começa no entorno de 2022, quando a Runway estabelece a ideia de um evento dedicado a obras audiovisuais criadas com ferramentas de IA. A primeira edição pública, em 2023, ainda tinha a escala de descoberta: sessões em Nova York e San Francisco, centenas de submissões, dez finalistas e um ar de clube de invenção. Era um momento em que a IA generativa ainda parecia, para o público amplo, um brinquedo estranho no canto da sala.
Dois anos depois, a conversa já era outra. Em 2025, o festival chegou à terceira edição com cerca de 6 mil submissões, segundo a cobertura da Associated Press, contra aproximadamente 300 na estreia. A abertura aconteceu no Alice Tully Hall, no Lincoln Center, em Nova York, um endereço que tem o peso simbólico de templo cultural. A seleção reuniu dez curtas de diferentes países e estilos, exibindo uma linguagem que flerta com animação, ensaio audiovisual, ficção científica, fantasia, realismo sintético e videoclipagem experimental.
O vencedor principal de 2025 foi “Total Pixel Space”, de Jacob Adler, um ensaio de pouco mais de nove minutos sobre a ideia matemática de que todo o universo possível de imagens digitais estaria contido em combinações de pixels. A premiação também destacou “Jailbird”, de Andrew Salter, e “One”, de Ricardo Villavicencio e Edward Saatchi. Mais do que uma competição, a edição funcionou como uma declaração de escala: a IA audiovisual já não queria ser demo de produto; queria ser programação cultural.
A entrada da IMAX na equação elevou ainda mais o volume. A parceria para exibir curtas do festival em salas de grande formato levou a discussão para um terreno sensível: o da legitimação industrial. Quando uma obra feita com IA sai da timeline, do Discord ou do laboratório criativo e entra numa sala IMAX, ela deixa de ser apenas experimento. Passa a disputar o mesmo espaço físico, econômico e simbólico reservado ao cinema tradicional.
A edição 2026 e a virada AIF
Em 2026, a Runway formalizou a ampliação do festival. O AIF passa a se apresentar como um evento dedicado a criadores que experimentam “na fronteira entre arte e tecnologia”, com trilhas para Film, New Media, Gaming, Design, Advertising e Fashion. A premiação também cresce: o Grand Prix oferece US$ 50 mil e créditos na plataforma, dentro de uma bolsa total que ultrapassa US$ 135 mil nas diferentes categorias.
A edição de 2026 teve finalistas como “A Face Only A Mother Could Love”, de Robert Gaudette; “Where Knights Fall”, de Mathery; “TAIRELL ISN’T REAL”, de Dave Clark; “Little Mes”, de Lucas Levitan e Fabián Jiménez; “POSTMAN”, de YUUUKI; “Costa Verde”, de Léo Cannone & New Forest Film; e outros trabalhos que revelam uma curadoria menos interessada em provar que a IA “funciona” e mais empenhada em mostrar como ela pode ser incorporada a gêneros, atmosferas e estruturas narrativas.
“A Face Only A Mother Could Love”, vencedor do Grand Prix em 2026 segundo a cobertura do Business Insider, parece simbolizar esse estágio: uma obra emocional, quase fabular, descrita como doce e triste, que tenta usar o artifício digital para chegar a uma comoção reconhecível.
Já “Where Knights Fall” aposta no humor visual e numa espécie de conto de fadas torto, com Rapunzel e corpos acumulados ao pé da torre. “TAIRELL ISN’T REAL” leva a paranoia da imagem perfeita para o campo do influencer, perguntando o que acontece quando a própria celebridade digital começa a desconfiar que talvez não seja real.
É um recorte curioso: infância, fantasia, luto, memória, paranoia, fábula, nostalgia e grotesco. A IA, no festival, não aparece apenas como ferramenta futurista; aparece também como máquina de reencenar sentimentos muito antigos. A tecnologia muda, mas o repertório emocional continua vindo do mesmo lugar: medo da morte, desejo de reconhecimento, saudade da infância, solidão, amor materno, o corpo estranho diante do olhar dos outros.
A repercussão: fascínio, desconfiança e vaia digital
A mídia especializada e a imprensa cultural têm tratado o festival como um termômetro. A cobertura da AP apontou o crescimento impressionante da competição, a diversidade dos curtas e o fato de que nem todos os filmes são feitos inteiramente por IA — alguns adotam estratégias híbridas, combinando imagens reais, sons captados, atores, fotografia e elementos gerados artificialmente.
O No Film School destacou a edição de 2025 como o momento em que a pergunta “o que acontece quando a IMAX encontra a IA?” deixou de ser provocação teórica. A presença de jurados como Gaspar Noé, Harmony Korine e Jane Rosenthal deu ao festival um verniz de cinema autoral, indie e industrial ao mesmo tempo. É uma combinação explosiva: o underground que flerta com a máquina, Hollywood observando pela fresta e a tecnologia tentando vestir a jaqueta de couro da contracultura.
Mas a reação não foi apenas de entusiasmo. O GamesRadar registrou a forte resistência online à parceria com a IMAX. Parte do público viu a iniciativa como mais uma tentativa de normalizar conteúdo gerado por IA dentro de espaços historicamente associados ao trabalho humano, à autoria e ao artesanato cinematográfico. As críticas passaram por questões artísticas, éticas e ambientais: de um lado, a acusação de que IA não produz arte, apenas imita; de outro, preocupações com treinamento de modelos, direitos autorais, substituição de trabalhadores e consumo energético.
A Wired, ao cobrir uma sessão do festival em 2025, saiu com mais perguntas do que respostas — talvez a reação mais honesta diante desse momento. A revista reconheceu imaginação e potência em alguns trabalhos, mas também apontou uma sensação de blandura estética, de artificialidade conceitual, de obra que se aproxima da superfície do cinema sem necessariamente alcançar sua densidade. É uma crítica importante porque desloca a discussão do “a IA consegue fazer?” para “o que ela está dizendo quando faz?”.
Em 2026, o Business Insider publicou um relato ainda mais direto: visualmente, muitos filmes já não entregavam aqueles erros grotescos que marcaram os primeiros vídeos de IA — mãos deformadas, rostos derretidos, movimentos impossíveis. O problema, segundo o texto, era outro: a narrativa. A tecnologia parecia mais madura, mas parte dos filmes ainda soava emocionalmente previsível, como se a máquina tivesse aprendido a desenhar a lágrima antes de aprender o motivo do choro.
Essa é talvez a crítica central ao AIF hoje. O festival prova que a IA pode produzir imagens espantosas, atmosferas coerentes, mundos visuais e personagens convincentes por alguns minutos. Mas o cinema não vive só de imagem. Vive de tempo, montagem, subtexto, contradição, presença, risco e escuta. Uma fotografia bonita pode abrir a porta; não necessariamente sustenta a casa.
Hollywood observa — e negocia
A disputa estética caminha junto com a disputa econômica. A Runway não quer ser apenas fornecedora de ferramenta para criadores independentes; quer ser infraestrutura de produção para a indústria. A empresa já se aproximou de estúdios, plataformas, artistas e diretores interessados em explorar novas formas de pré-visualização, efeitos, edição, geração de cenas e produção de conteúdo.
O acordo de desenvolvimento com a EDGLRD, estúdio de Harmony Korine, é um sinal forte dessa estratégia. Korine, desde “Kids”, “Spring Breakers” e seus experimentos mais recentes, construiu uma carreira na zona de atrito entre cinema, videoclipe, cultura de rua, games, moda e delírio visual. Sua aproximação com a Runway dá ao projeto de IA um tipo específico de chancela: não a respeitabilidade clássica do Oscar, mas o carimbo de quem sempre preferiu a margem, o excesso, o ruído e a imagem como alucinação pop.
Isso importa porque a IA audiovisual ainda busca legitimidade. Para o público técnico, bastam benchmarks, modelos e demonstrações. Para o cinema, não. Cinema exige mito, autor, bastidor, crítica, comunidade e conflito. Ao atrair nomes como Korine, Gaspar Noé, Jane Rosenthal e Ron Howard para conversas, júris ou aparições públicas, o festival tenta costurar a ponte entre a engenharia e a cinefilia.
A questão é que essa ponte passa sobre um rio turbulento. Sindicatos, roteiristas, atores, montadores, artistas de efeitos visuais, ilustradores e músicos olham para a IA com uma mistura de curiosidade e alarme. O audiovisual é uma cadeia de trabalho. Quando uma ferramenta promete acelerar, baratear e automatizar etapas, ela também ameaça reorganizar empregos, créditos, direitos e remuneração.
A Runway costuma defender a IA como ampliação de acesso: uma câmera nova, uma ilha de edição nova, uma ferramenta que permitiria a criadores sem orçamento transformar imaginação em imagem. Há verdade nisso. Para artistas independentes, especialmente fora dos grandes centros, a possibilidade de criar cenas complexas sem equipe gigantesca pode ser revolucionária. Mas a história da tecnologia mostra que democratização e precarização muitas vezes dançam agarradas. O mesmo recurso que liberta um artista pode ser usado por uma empresa para cortar uma equipe.
Um festival entre o cinema e o videoclipe
O tom visual de muitos filmes do AIF aproxima o festival de uma tradição que o jornalismo musical conhece bem: o videoclipe como laboratório de linguagem. Antes de certos efeitos entrarem no cinema narrativo, eles passaram por clipes, vinhetas, publicidade, moda, capas de disco, performances ao vivo. A IA parece seguir caminho semelhante. Ela entra primeiro onde a imagem pode ser mais fragmentária, sensorial, atmosférica, menos presa à continuidade dramática.
Por isso, alguns curtas do AIF funcionam melhor quando assumem sua vocação de peça musical, poema visual ou sonho editado. A IA brilha quando não precisa fingir naturalismo absoluto. Quando abandona a obrigação de parecer “real” e assume a plasticidade do delírio, encontra uma força própria. O problema começa quando tenta imitar o drama humano convencional sem dominar as rachaduras internas que tornam uma cena memorável.
Nesse sentido, o AIF tem algo de festival de cinema e algo de festival de música experimental. Há faixas que parecem demos brilhantes, outras que soam como singles prontos, outras que são puro virtuosismo de estúdio sem canção. A pergunta não é se o sintetizador substitui o violão. Essa discussão já envelheceu. A pergunta é quem compõe, quem toca, quem assina, quem recebe e que tipo de emoção atravessa o alto-falante.
O cinema brasileiro conhece bem essa tensão entre tecnologia, precariedade e invenção. Do Cinema Novo ao vídeo independente, do manguebeat audiovisual às produtoras periféricas, muita linguagem nasceu justamente da falta de recurso. Uma câmera barata, uma gambiarra de luz, uma ilha de edição improvisada, um celular na mão: tudo isso já foi tratado como ameaça ou como amadorismo antes de virar estética.
A IA pode entrar nessa linhagem da gambiarra sofisticada. Mas, no Brasil, a conversa precisa ser feita com atenção redobrada. Num país onde a produção audiovisual luta por financiamento, políticas públicas, diversidade regional e remuneração digna, a promessa de “fazer mais com menos” pode ser libertadora para uns e brutal para outros. A inteligência artificial, aqui, não deve ser vista como milagre importado, mas como ferramenta em disputa.
O que o AIF revela sobre o futuro
O Runway AIF revela três movimentos simultâneos.
O primeiro é técnico: a geração de vídeo por IA avançou rápido. As imagens ficaram mais estáveis, os estilos mais controláveis, os personagens mais consistentes, os mundos mais verossímeis. Aquilo que há pouco tempo parecia glitch virou linguagem polida.
O segundo é cultural: a IA deixou de ser tema de painel e virou programação. Ela ocupa festival, sala, crítica, premiação, debate e bilheteria simbólica. Isso muda o modo como o público percebe a tecnologia. Uma coisa é ver uma demonstração no X. Outra é sentar numa sala de cinema e assistir a dez curtas em sequência, com aplauso, prêmio e discurso.
O terceiro é político: a batalha pela autoria está apenas começando. Quem é o autor de uma obra feita com IA? O diretor que escreveu o prompt? A equipe que montou o pipeline? Os artistas cujas obras treinaram modelos? A empresa dona da ferramenta? O editor que escolheu as imagens? O roteirista que deu estrutura à experiência? Talvez a resposta não caiba mais na velha ficha técnica, mas isso não significa que ela possa ser ignorada.
O antigo AI Film Festival virou AIF porque a própria discussão cresceu para além do cinema. Agora envolve publicidade, moda, games, plataformas, estúdios, sindicatos, festivais e espectadores. O evento da Runway é, ao mesmo tempo, vitrine da nova linguagem e peça de relações públicas de uma indústria em busca de aceitação. É arte, mercado e lobby dançando sob a mesma luz azulada.
Entre o assombro e a desconfiança
O erro seria tratar o Runway AIF como simples ameaça ou como salvação inevitável. Ele é mais interessante — e mais perigoso — do que isso. O festival mostra que há artistas usando IA com curiosidade real, inteligência visual e desejo narrativo. Também mostra que o hype tecnológico pode confundir acabamento com profundidade, velocidade com maturidade, ferramenta com linguagem.
A melhor crítica ao AIF talvez não seja “isso não é cinema”. Essa frase fecha a conversa cedo demais. A crítica mais produtiva é perguntar: quando isso vira cinema? Em que momento a imagem gerada deixa de ser demonstração e passa a ser experiência? O que há de humano numa obra feita com máquina? E o que há de maquínico em muito cinema humano, industrial, repetitivo e previsível que já consumimos há décadas?
O AIF existe nesse intervalo. Ele é a jam session de uma tecnologia que ainda afina seus instrumentos. Às vezes, sai ruído. Às vezes, sai música. Às vezes, parece trilha de elevador caríssima. Mas ninguém pode dizer que a sala está vazia.
Para o Portal MVAI, o ponto essencial é este: a inteligência artificial não chegou ao cinema como visitante discreta. Ela entrou pelo palco, puxou um cabo, acendeu o telão e pediu passagem. Agora cabe aos artistas, técnicos, críticos, público e trabalhadores decidir se essa nova banda vai tocar junto, desafinar tudo ou tentar comprar a casa de shows.
O Runway AIF é o ensaio aberto dessa disputa. E, como todo ensaio aberto, revela tanto o futuro quanto os tropeços de quem ainda está aprendendo a entrar no tempo certo.
Cinema
IA contra Hollywood: Grok divulga sua versão de “A Odisseia”
Projeto produzido com Grok Imagine tem direção de Dev Walker e surge após Elon Musk prometer um longa-metragem baseado no clássico de Homero.
A Grok Imagine, ferramenta de geração de imagens e vídeos por inteligência artificial da xAI, de Elon Musk, divulgou na sexta-feira (23) os primeiros sete minutos de sua adaptação de A Odisseia, poema épico atribuído ao grego Homero.
Apresentado como o primeiro episódio de uma série, o vídeo foi desenvolvido em colaboração com a Wonder Studios e o diretor Dev Walker, demonstrando como ferramentas generativas já estão sendo utilizadas em produções audiovisuais narrativas.
Em julho, Musk havia prometido produzir até o final de 2026 um longa-metragem baseado na obra, que classificou como uma adaptação historicamente fiel. Por enquanto, o projeto apresentado tem pouco mais de sete minutos, sem calendário divulgado para novos episódios.
IA versus cinema tradicional
O lançamento também acontece em meio às críticas de Musk à adaptação cinematográfica de A Odisseia, dirigida por Christopher Nolan, que estreou em julho e conquistou grande sucesso de bilheteria.
Enquanto Nolan apostou em uma produção de grande escala, com filmagens em diferentes países e uso extensivo de efeitos práticos, a versão do Grok explora a geração de imagens por inteligência artificial.
A recepção inicial foi dividida. O TechCrunch elogiou o realismo visual de algumas cenas, mas criticou a falta de emoção, a rigidez dos diálogos e a fragilidade da narrativa.
Apesar das limitações, o experimento reforça uma transformação no audiovisual: a possibilidade de criar sequências cinematográficas complexas com ferramentas generativas, mantendo profissionais humanos envolvidos na direção e na criação.
Cinema
Diretor de O Rei Leão aposta na IA para revolucionar o cinema
Rob Minkoff prepara Storm Dogs, produção que combina atores reais e personagens gerados por inteligência artificial. A aposta é reduzir custos e abrir espaço para novas histórias em Hollywood.
Rob Minkoff, codiretor do clássico O Rei Leão (1994), está abraçando a inteligência artificial no cinema. Em entrevista ao jornal britânico The Times, publicada em 7 de outubro, o cineasta defendeu o potencial da tecnologia para transformar a produção de filmes, tornando-a mais barata e menos dependente de grandes equipes.
O próximo projeto é Storm Dogs, filme familiar produzido pela Particle6, empresa de Eline van der Velden, também responsável pela criação da personagem virtual Tilly Norwood.
Um filme com atores reais e personagens de IA
Storm Dogs contará a história de animais que ajudam uma criança pequena a encontrar o caminho de casa após uma enchente.
A produção pretende combinar cenas com atores reais e personagens gerados por IA, incluindo cães e uma criança. O início das filmagens está previsto para 2027.
Para Minkoff, ferramentas de inteligência artificial podem reduzir significativamente os custos de produção, especialmente em filmes que dependem de animação e efeitos visuais.
Menos empregos ou mais filmes?
A principal controvérsia está na redução das equipes. Minkoff reconhece o impacto potencial da IA sobre os empregos, mas acredita que produções mais baratas também poderão estimular investimentos em histórias originais.
A discussão já mobiliza Hollywood. A Particle6 foi alvo de críticas após apresentar Tilly Norwood, personagem digital que provocou reação do sindicato dos atores SAG-AFTRA, contrário à substituição de profissionais por intérpretes sintéticos.
Uma nova Hollywood?
A entrada de um diretor consagrado como Rob Minkoff nesse mercado sinaliza uma mudança importante: a inteligência artificial deixa de ser apenas uma experiência tecnológica e passa a integrar projetos cinematográficos comerciais.
A grande questão agora não é apenas quanto custará produzir um filme, mas quem terá acesso a essa tecnologia, quem continuará criando e como os profissionais serão remunerados.
Fonte principal: The Times (7/10/2026). Informações complementares: Particle6, entrevistas de Rob Minkoff e SAG-AFTRA.
Cinema
Para Tom Cruise, o futuro do cinema terá IA — e continuará precisando de humanos
Tom Cruise entrou no debate sobre inteligência artificial em Hollywood com uma posição menos apocalíptica do que pode parecer: para o ator, a chegada da tecnologia ao cinema é inevitável — mas isso não significa o desaparecimento da criação humana.
Durante uma conversa da série BAFTA: A Life in Pictures, em Londres, Cruise afirmou que a IA “está chegando e vai acontecer”, mas ressaltou que o público continuará procurando experiências humanas.
“Não há nada como o ser humano”, disse o ator. “As pessoas querem ver coisas reais.”
IA não significa o fim do cinema
Cruise, conhecido por defender filmagens práticas, realizar grande parte das próprias cenas de ação e promover a experiência das salas de cinema, acredita que novas tecnologias podem coexistir com formas tradicionais de produção.
Ele também afirmou não ser contrário ao streaming, mas considera a experiência coletiva da sala de cinema uma forma artística diferente.
O ator resumiu sua resposta ao avanço da inteligência artificial com um conselho aos profissionais da indústria:
“Continuem criando.”
Um debate que já divide Hollywood
A discussão acontece enquanto estúdios, atores, diretores e sindicatos tentam definir até onde a IA pode entrar na produção cinematográfica — da geração de imagens e efeitos visuais à reprodução digital de rostos e performances.
A própria trajetória recente de Cruise reforça sua posição. Em 2025, ele recebeu um Oscar honorário, e a Academia destacou oficialmente sua contribuição à comunidade cinematográfica e sua defesa da experiência nos cinemas.
Para Cruise, portanto, a questão não parece ser impedir a chegada da inteligência artificial.
É descobrir como continuar fazendo cinema quando ela estiver em toda parte.
Fonte principal: NME.
Fontes adicionais: Variety, Screen Daily, Euronews, TheWrap e Academy of Motion Picture Arts and Sciences.