Connect with us

Cultura Pop

IA ressuscita Molière e cria peça inédita no estilo do século XVII

Avatar photo

Publicado

em

Molière

E se Molière não tivesse morrido em 1673? E se uma nova peça dele surgisse hoje?

Foi exatamente essa provocação que deu origem a um dos projetos mais ousados da interseção entre arte e inteligência artificial: a criação de uma peça inédita no estilo do dramaturgo francês — escrita com ajuda de IA.

O resultado é “L’Astrologue ou les Faux Présages” (“O Astrólogo ou os Falsos Presságios”), uma comédia que mistura tecnologia de ponta com rigor acadêmico e tradição teatral.


Um Molière “gerado por máquina” (mas guiado por humanos)

O projeto, batizado de “Molière Ex Machina”, foi desenvolvido ao longo de quase três anos por pesquisadores da Sorbonne University, artistas do coletivo Obvious e especialistas em literatura clássica.

A inteligência artificial foi treinada com textos originais de Molière e obras contemporâneas, aprendendo seu estilo, ritmo e temas recorrentes — como a sátira à credulidade humana, aqui aplicada ao universo da astrologia.

Mas não pense que foi só apertar um botão.

O processo foi um verdadeiro “pingue-pongue criativo”:

  • humanos escreviam prompts
  • a IA gerava versões
  • especialistas revisavam
  • e tudo era refeito — dezenas de vezes por cena

Cada trecho chegou a ter cerca de 20 versões diferentes.


A história: amor, fraude e… astrologia

A trama segue Géronte, um burguês ingênuo manipulado por um falso astrólogo que tenta arranjar o casamento de sua filha com um velho endividado.

Só que, claro — bem no espírito de Molière — há:

  • amante rebelde
  • servo esperto
  • e uma sequência de situações farsescas desmontando a fraude

Uma crítica direta à crença cega — tema clássico do autor, atualizado via IA.


IA também criou figurino, cenário… e até errou feio

A inteligência artificial não parou no roteiro.

Ela também participou de:

  • criação de figurinos
  • concepção de cenários
  • referências visuais do século XVII

Com direito a bugs criativos: em um momento, a IA sugeriu roupas cobertas de sapos — confundindo um termo técnico da moda da época com o animal literal.

Apesar disso, o resultado final dependeu fortemente de artesãos humanos, que produziram tudo manualmente para manter fidelidade histórica.


Limites da IA: música ainda precisa de humanos

Se texto e imagem avançaram, a música ainda mostrou limites.

A equipe precisou recorrer a musicólogos para compor trilhas compatíveis com o período, já que a IA teve dificuldade com a escassez de dados históricos nessa área.


Estreia em Versailles (com turnê global no radar)

A peça estreia em maio de 2026 na Ópera Real de Versailles — um palco carregado de simbolismo, já que Molière teve apoio da corte de Luís XIV.

Depois, a produção deve circular pela França e potencialmente pelo circuito internacional.


IA não substitui artistas — amplifica

Talvez o ponto mais interessante do projeto não seja o resultado final, mas o processo.

A conclusão dos criadores é clara:
a IA não substitui o artista — ela funciona como ferramenta de experimentação, remix e expansão criativa.

No fundo, como o próprio Molière já fazia:
reaproveitar, recombinar e reinventar histórias existentes.

Só que agora… com um copiloto algorítmico.

Fonte: Le Monde

Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Trending