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Música por IA supera humanos em impacto emocional, segundo novo estudo científico
A pergunta que vem rondando estúdios, plataformas e salas de montagens finalmente ganhou números para chamar de seus: um estudo científico publicado no periódico PLOS ONE mostrou que trilhas sonoras criadas por inteligência artificial podem provocar reações emocionais mais intensas do que músicas compostas por seres humanos.
Sim, você leu certo. A música feita por máquinas está começando a mexer com nossos batimentos de um jeito que nem sempre conseguimos admitir.
A ciência ouviu — e mediu cada piscada
O estudo reuniu 88 participantes expostos a uma bateria de vídeos curtos (em média 23 segundos), cada um com três versões de trilha sonora:
- HCM – música composta por humanos
- AI-KP – música criada por IA a partir de um prompt mais complexo e detalhado
- AI-DP – música feita por IA com instruções emocionais simples (“faça algo triste”, “faça algo tenso”)
Enquanto assistiam, os voluntários eram monitorados com precisão de laboratório:
dilatação pupilar, taxa de piscadas, resposta galvânica da pele, autoavaliações emocionais, sensação de congruência entre música e imagem — tudo registrado quadro a quadro.
A vibe era quase um festival de sensações medido por sensores biométricos.
IA gera mais excitação — e isso aparece no corpo
E os números não deixaram espaço para debate estilístico:
- Trilhas feitas por IA provocaram maior dilatação das pupilas, sinal de excitação emocional e foco atencional.
- Com prompts mais específicos (AI-KP), os participantes apresentaram mais piscadas e maior condutância da pele, um marcador clássico de ativação emocional.
- Nas autoavaliações, a música de IA foi percebida como mais excitante, enquanto a trilha humana ganhou pontos de familiaridade — o que faz sentido, já que nosso ouvido está treinado para padrões humanos.
Ou seja: a IA não soou “humana”, mas soou intensa.
O que isso significa para o audiovisual — do TikTok aos longas?
Essa descoberta mexe no coração da criação contemporânea. O audiovisual moderno vive de impacto rápido, intensidade instantânea — e nisso a IA está mostrando uma vantagem competitiva.
Para publicitários, creators, editores de TikTok e diretores independentes, isso pode virar um atalho emocional. A trilha já não precisa apenas acompanhar a imagem; ela pode turbiná-la com precisão cirúrgica, respondendo à intenção dramatúrgica em segundos.
Mas há um contraponto importante:
A familiaridade emocional da música humana — aquela sensação de “eu já vivi isso” — ainda é uma força estética real. O estudo não mata o compositor; apenas coloca mais concorrência na mesa.
Uma nova estética emerge: estranheza, tensão, potência
Se a música humana é memória, a IA é novidade.
E novidade, quando bem calibrada, fisga.
A trilha de IA carrega uma certa “estética do não-habitual”:
acordes inesperados, timbres hiper-pulidos, transições matemáticas demais para parecer casual.
Esse estranhamento pode ser uma vantagem artística, principalmente no cinema indie, no horror, na publicidade futurista e, claro, no universo mutante dos videoclipes.
IA tem alma?
A velha pergunta filosófica ganha um update:
se o corpo reage — suor, pupila, batimentos — a música precisa ter alma para nos afetar?
A ciência, pelo visto, está começando a responder:
a emoção pode existir mesmo quando a intenção não existe.
A máquina não sente nada.
Mas nós sentimos — e muito — quando ela compõe.
Fonte: Plos One
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Orson Welles remixado pela inteligência artificial: entre reparo histórico e profanação tecnológica
O nome Orson Welles já carregava em sua própria sonoridade a promessa de uma epopeia cinematográfica. Mas, assim como na música — quando um clássico é reeditado pelos algoritmos do mainstream e acaba esvaziado de alma — a mais recente tentativa de “restaurar” um dos maiores filmes perdidos de Welles está incendiando um debate que cruza estética, ética e tecnologia.
O filme em questão é The Magnificent Ambersons (1942), obra-prima parcial que surgiu no rastro do monumental Cidadão Kane. Originalmente concebido como um retrato brutal e lírico da decadência de uma família abastada no coração dos Estados Unidos, a película teve quarenta e três minutos de material cortados pela RKO Studios e substituídos por um final açucarado, num dos episódios mais infames de censura corporativa na história de Hollywood. As cenas descartadas foram posteriormente destruídas — um verdadeiro “deleção total” que virou lenda entre cinéfilos.
Agora, quase 84 anos depois, o empresário Edward Saatchi — fundador da startup de IA Fable Studio e apoiado por backing da Amazon — está tentando recuperar o que foi perdido. Utilizando inteligência artificial generativa e uma plataforma chamada Showrunner, a equipe pretende reconstruir as cenas desaparecidas usando roteiros originais, fotografias de produção e vozes digitalizadas dos próprios atores originais. É como se um engenheiro musical tentasse reeditar as fitas originais de um álbum histórico que foi censurado pela gravadora — só que usamos aprendizado de máquina em vez de fita magnética.
A ideia é tão ambiciosa quanto provocadora: atores vivos gravam cenas em estúdio, e depois seus rostos e vozes são substituídos por versões digitais de estrelas que morreram há décadas. Na contramão de muitas iniciativas de IA que “tolhem” o espírito autoral, Saatchi afirma que sua visão é “direcionar a tecnologia para o que poderia ser o auge perdido de Welles”, um gesto de reparo histórico mais do que um espetacular show de efeitos.
Só que nem todos concordam com esse tom messiânico. A família de Welles — especialmente sua filha Beatrice — deixou claro que o projeto até agora seguiu sem a bênção formal do espólio e sem os direitos exigidos pelos detentores originais da obra. E críticas já pipocam nos bastidores: será que recriar um clássico com algoritmos é reescrever a história ou profanar um artefato sagrado? Alguns tradicionais entusiastas do cinema temem que a iniciativa — apesar de respeitosa nas intenções — sinalize um precedente perigoso, abrindo portas para intervenções cada vez mais ousadas em obras que deveriam ser intocáveis.
A discussão ecoa debates análogos na música — como a remixagem póstuma de gravações, ou relançamentos com overdubs feitos por produtores que nunca conheceram o artista original — e nos obriga a confrontar uma pergunta difícil: a tecnologia pode realmente “consertar” um passado mutilado ou está apenas criando uma versão alternativa, um “deepfake cultural” que compete com o original?
No fim das contas, o processo em si pode se tornar tão provocativo quanto a obra que tenta resgatar: uma mistura de fascínio, controvérsia e reverência artística que desafia tanto amantes do cinema clássico quanto críticos de tecnologia.
Fonte: The New Yorker
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Deezer licencia tecnologia de detecção de IA para a Sacem e mira expansão global contra fraude musical
A batalha silenciosa entre inteligência artificial e direitos autorais musicais entrou em um novo capítulo nesta quinta-feira: a plataforma francesa de streaming **Deezer anunciou a concessão de licenças da sua ferramenta de detecção de músicas geradas por IA à Sacem, a sociedade francesa de direitos autorais, com planos de expandir o uso da tecnologia para outros players da indústria.
Lançada em 2025 como um mecanismo interno de combate à fraude em streaming, a tecnologia desenvolvida por Deezer analisa registros de áudio em busca de padrões tipicamente produzidos por algoritmos generativos — como os usados por sistemas como Suno e Udio — e identifica com precisão conteúdos totalmente criados por inteligência artificial.
Segundo dados da própria empresa, a ferramenta já detectou e sinalizou mais de 13,4 milhões de faixas geradas por IA ao longo de 2025, o que levou à exclusão de até 85% desses fluxos fraudulentos do pool de royalties distribuído a artistas e compositores humanos.
O volume de uploads de conteúdo totalmente gerado por IA registrado pela plataforma é impressionante: cerca de 60 mil novos títulos por dia, o equivalente a quase 39% de todas as músicas adicionadas diariamente — um aumento exponencial em relação aos números do início de 2025.
Para Deezer, a iniciativa representa um movimento estratégico não apenas para proteger os criadores reais, mas também para fomentar uma camada de transparência e confiança em um ecossistema cada vez mais inundado por produções automatizadas e de baixo valor artístico. O CEO Alexis Lanternier afirmou que já há interesse de diversos agentes do setor e conversas em andamento com entidades coletivas de direitos autorais na Europa e nos Estados Unidos, incluindo eventos previstos durante a Grammy Week em Los Angeles.
Por outro lado, representantes de sociedades autorais fora da França — como a sueca Stim — lembram que a tecnologia de detecção por si só não resolve as questões fundamentais de direitos autorais e propriedade intelectual, defendendo abordagens mais amplas de licenciamento obrigatório e transparência no uso de bases de treinamento de IA.
Enquanto o uso de IA na criação musical segue em expansão, a iniciativa de Deezer e Sacem coloca em evidência um dos maiores desafios da indústria no século XXI: quem de fato merece ser remunerado quando se trata de música — o humano ou a máquina?
Fonte: Reuters
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De Cyndi Lauper a R.E.M.: Quase 800 Criadores Assinam Manifesto Contra IA Predatória
Campanha global reúne gigantes da música contra uso não autorizado de obras em IA: “Roubar não é inovar”
Uma nova frente de resistência artística contra a inteligência artificial está ganhando força no cenário cultural global. Batizada de “Stealing Isn’t Innovation”, a campanha convocada pelo Human Artistry Campaign — uma coalizão de entidades que inclui a Recording Industry Association of America (RIAA) e a National Music Publishers’ Association (NMPA) — reuniu quase 800 artistas em um manifesto contra o uso de obras criativas para treinar sistemas de IA sem licenciamento ou consentimento dos criadores.
Entre os signatários estão nomes que atravessam décadas de história da música — de Cyndi Lauper, Bonnie Raitt e OneRepublic até bandas como R.E.M. e artistas pop, country e hip-hop — além de astros de cinema como Scarlett Johansson e autores best-sellers.
O ponto central do protesto é simples e incisivo: grandes empresas de tecnologia estariam usando milhões de criações humanas para treinar modelos de IA sem pagar ou receber autorização, beneficiando-se comercialmente de material protegido por direitos autorais enquanto fragmentam os mecanismos de remuneração que sustentam a indústria musical. A mensagem é clara — “roubar não é inovação”.
🎙 Um grito contra o “AI slop”
Os apoiadores da campanha alertam para o risco de um futuro dominado por um que eles chamam de “AI slop” — um tsunami de conteúdo gerado por inteligência artificial de baixa qualidade que, segundo o manifesto, ameaça tanto a diversidade criativa quanto o valor cultural das obras humanas.
“O uso não licenciado de conteúdo criativo para treinar IA é uma ameaça injusta às fontes de renda e à sustentabilidade daqueles que criam esse conteúdo,” dizem os organizadores, pedindo marcos de licenciamento claros, mecanismos de fiscalização eficientes e o direito de opt-out para que artistas possam decidir se suas obras podem ou não alimentar sistemas de IA.
🎧 Repercussão na música e além
A campanha acontece em um momento de intensa discussão sobre como a tecnologia deve coexistir com o trabalho criativo. Enquanto alguns setores da indústria já negociam acordos de licenciamento com plataformas de IA, outras vozes dentro e fora da música clamam por normas mais rígidas para proteger os direitos dos criadores.
A mobilização reúne não só músicos veteranos, mas também vozes de outras artes — reforçando que a preocupação com os impactos da IA vai muito além das fronteiras do pop ou do rock.
Fonte: The Verge
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