Videoclipe
Linkin Park usou IA para transformar suas memórias em anime no clipe de “Lost”
Quando o Linkin Park lançou em 2023 a faixa inédita “Lost”, recuperada das sessões do clássico álbum Meteora (2003), a banda também surpreendeu os fãs com um videoclipe que mistura nostalgia, animação japonesa e inteligência artificial.
O vídeo, dirigido pelos artistas digitais Maciej Kuciara e Emily “pplpleasr” Yang, utiliza IA para transformar imagens reais da banda em personagens de anime, criando uma estética híbrida que conecta material de arquivo do grupo com animação contemporânea.
A tecnologia por trás do clipe
Para produzir o vídeo, a equipe utilizou a ferramenta Kaiber, um software de geração de vídeo com inteligência artificial capaz de transformar imagens e cenas filmadas em animações estilizadas.
A IA foi treinada a partir de ilustrações originais criadas pelos artistas do projeto. Em seguida, o sistema aplicou esse estilo às imagens da banda, convertendo performances reais e cenas antigas do Linkin Park em versões animadas que lembram um anime.
Entre os materiais usados estão trechos de:
- apresentações do DVD Live in Texas
- o documentário The Making of Meteora
- videoclipes clássicos como “Breaking the Habit”, “Somewhere I Belong” e “New Divide”
Essas imagens foram reinterpretadas pela IA para parecerem sequências animadas dentro do universo visual do clipe.
Anime, nostalgia e Web3
A produção do vídeo foi realizada pelo estúdio Shibuya, uma plataforma criativa ligada ao ecossistema Web3.
O clipe também introduz a personagem Mirai, protagonista da série animada White Rabbit, criada pelos mesmos diretores. A personagem funciona como um fio narrativo dentro do vídeo, conectando o universo visual do anime às memórias da banda.
Segundo os produtores, a IA não foi usada para criar todo o conteúdo do clipe do zero, mas sim para integrar duas linguagens visuais diferentes:
- arte original desenhada pelos artistas
- imagens reais do Linkin Park
O objetivo era fazer com que os integrantes da banda parecessem personagens de anime dentro da narrativa.
Um tributo a Chester Bennington
Além da experimentação tecnológica, o lançamento de “Lost” também teve forte carga emocional para os fãs. A música traz vocais de Chester Bennington, gravados originalmente em 2002 durante as sessões do álbum Meteora.
A faixa acabou ficando de fora do disco na época por ser considerada parecida demais com “Numb”, mas foi redescoberta duas décadas depois para a edição comemorativa Meteora 20th Anniversary Edition.
O videoclipe funciona assim como uma espécie de cápsula do tempo digital, combinando tecnologia de IA com arquivos históricos da banda para reviver uma das fases mais marcantes do rock dos anos 2000.
Repercussão
Apesar da inovação, o uso de inteligência artificial no vídeo também gerou debates entre fãs e críticos. Alguns elogiaram a estética nostálgica e o uso criativo da tecnologia, enquanto outros questionaram o papel da IA na produção artística.
Mesmo assim, o clipe acabou recebendo reconhecimento da indústria: ele foi indicado ao MTV Video Music Awards 2023 na categoria de Melhor Vídeo de Rock.
No fim das contas, “Lost” se tornou um exemplo interessante de como a inteligência artificial está sendo usada na música não apenas para criar sons, mas também para reinterpretar imagens e histórias do passado.
Assista:
Videoclipe
K-pop encontra cinema de IA: XODIAC leva videoclipe “Alibi” para festival em Cannes
O K-pop acaba de ganhar mais um capítulo na sua mutação audiovisual. O grupo sul-coreano XODIAC foi selecionado e indicado em eventos internacionais de cinema de inteligência artificial com o projeto “Alibi: MOONLIGHT BLOOD ALLIANCE”, uma versão em videoclipe de IA para o quarto single do grupo, “Alibi”. A obra aparece entre os projetos ligados ao circuito de festivais de cinema com IA em Cannes e também foi citada em seleções e premiações nos Estados Unidos e na Ásia.
Atenção para o detalhe importante: não se trata da seleção oficial tradicional do Festival de Cannes, aquela da Palma de Ouro. A notícia se refere ao circuito de festivais e premiações de cinema com inteligência artificial realizados em Cannes, como o World A.I. Film Festival / WAiFF e eventos similares de AI film awards. O WAiFF 2026, por exemplo, realizou programação em Cannes em abril, no Palais des Festivals, e se apresenta como um festival dedicado a filmes, séries, publicidade, roteiros e música cinematográfica criados ou impulsionados por IA.
O projeto chamou atenção por tentar ir além do formato clássico de videoclipe. Em vez de apenas entregar uma coreografia, um cenário futurista ou uma estética promocional, “Alibi: MOONLIGHT BLOOD ALLIANCE” aposta em uma narrativa de fantasia cinematográfica, com guerreiros, cavalos, dragões, ruínas, asas gigantes e cenas de ação que normalmente exigiriam uma estrutura cara de pós-produção, efeitos visuais e filmagem em larga escala.
Segundo a cobertura internacional, o vídeo usa os integrantes do XODIAC como personagens em um universo visual de fantasia medieval, em cenas que lembram trailers de cinema ou games épicos. O Allkpop descreve o projeto como um MV totalmente gerado por IA e destaca que os membros aparecem como “gêmeos digitais” dentro do vídeo, recurso que pode se tornar cada vez mais comum na indústria musical.
Um videoclipe que quer virar universo cinematográfico
O caso do XODIAC é interessante porque revela uma virada estratégica: o videoclipe deixa de ser apenas peça de divulgação musical e passa a funcionar como prova de conceito para um universo narrativo.
A CEO da JACSO Entertainment, Celia Sie, afirmou ao Kpoppost que a entrada em festivais de cinema com IA faz parte de uma estratégia calculada para levar o grupo além das fronteiras tradicionais do K-pop. A empresa também relaciona o projeto a uma parceria tecnológica com a Hong Kong Cyberport, buscando posicionar o XODIAC como uma marca global de entretenimento híbrido, entre música, tecnologia e cinema.
A ideia é clara: em vez de tratar IA como truque visual, a agência tenta transformar o grupo em propriedade intelectual expansível. A lore de “príncipes e vampiros” associada ao projeto pode desdobrar novos curtas, narrativas seriadas e, eventualmente, produções maiores para cinema e TV.
Para o mercado de música pop, isso é uma mudança e tanto. O K-pop já domina como poucos a engenharia do comeback: teaser, conceito visual, coreografia, fandom, álbum físico, photocard, performance ao vivo e social media. Agora, com IA generativa, esse pacote pode ganhar uma nova camada: world-building cinematográfico barato, rápido e escalável.
Premiações e circuito internacional
De acordo com a KapanLagi, “Alibi” entrou como Official Selection no Cannes AI Film Festival 2026 e recebeu convites ou indicações em eventos como Hollywood AI Short Film Awards, Chicago AI Film Festival e Las Vegas AI Film Awards. A mesma reportagem afirma que o projeto venceu como Best AI MV no Bali International AI Film Festival e no AI International Film Festival.
A StarNews Korea também informa que o vídeo avançou em festivais de IA na Coreia do Sul, Indonésia, Estados Unidos e Austrália, além de citar prêmios no Seoul International AI Film Festival, incluindo categorias como roteiro e entrevista.
Mesmo com o natural tom promocional das fontes ligadas ao universo K-pop, o dado central permanece relevante: um grupo musical está usando o circuito de cinema de IA como vitrine internacional para um videoclipe. Isso abre uma avenida nova para artistas, selos e produtoras independentes.
O ponto MVAI: o videoclipe virou laboratório da indústria audiovisual
O XODIAC talvez esteja mostrando um dos caminhos mais prováveis para a IA no entretenimento: não substituir o artista, mas multiplicar a capacidade de criar mundos visuais em torno dele.
Para grandes gravadoras, isso significa escala. Para artistas independentes, pode significar acesso. Cenas de dragões, batalhas, cidades destruídas, reinos fantásticos e ação épica, antes restritas a orçamentos gigantescos, começam a ficar disponíveis para equipes menores, desde que exista direção criativa, pós-produção competente e domínio das ferramentas.
É aqui que a notícia conversa diretamente com a tese central da MVAI: o videoclipe é o primeiro território onde a IA pode reorganizar a cadeia de produção audiovisual. Ele é curto, visualmente livre, aceita experimentação estética e tem conexão direta com fandoms, plataformas sociais e monetização musical.
O próprio Allkpop aponta que profissionais da indústria veem o caso como alternativa para agências menores que enfrentam os custos altos dos videoclipes tradicionais.
Cannes, IA e a legitimação cultural
A chegada desses projetos a Cannes também tem peso simbólico. O World A.I. Film Festival 2026 se apresenta como parte de uma nova onda de criação audiovisual com inteligência artificial, incluindo curtas, longas, microsséries, publicidade e música original gerada por IA. O regulamento do WAiFF informa que as obras submetidas devem usar pelo menos três ferramentas de IA generativa, incluindo uma ferramenta de criação de imagem, e aceita produções híbridas de live-action e IA.
O jornal espanhol El País descreveu o WAiFF como “o outro festival de Cannes”, dedicado à produção audiovisual com IA generativa, reunindo cineastas, tecnólogos e empresas para discutir o impacto dessas ferramentas na criação. A cobertura também aponta as tensões do momento: redução de custos, explosão criativa, mas também dúvidas sobre direitos autorais, trabalho e ética.
Nesse contexto, o XODIAC entra como um caso pop: um grupo musical usando IA não apenas para fazer um clipe bonito, mas para disputar atenção em um ecossistema que mistura festival, tecnologia, fandom e cinema.
O futuro do K-pop pode parecer um trailer de cinema
“Alibi: MOONLIGHT BLOOD ALLIANCE” ainda não é o fim da história. É mais um sinal de que os videoclipes estão deixando de ser simples complementos da música para virar universos audiovisuais portáteis.
No passado, o clipe era a vitrine da canção. Na era da IA, ele pode virar IP, curta-metragem, piloto de série, game conceitual, peça de marketing e cartão de visita para investidores.
O XODIAC entendeu esse jogo cedo: no novo K-pop, não basta cantar, dançar e entregar conceito. Agora, talvez seja preciso criar um mundo inteiro — e a IA está tornando isso possível em uma velocidade que a indústria tradicional ainda está tentando entender.
Fonte: Kapanlagi Korea
Videoclipe
Videoclipe: do cinema mudo à inteligência artificial
Falar em videoclipe é falar sobre muito mais do que música ilustrada por imagens. O videoclipe é uma linguagem própria, um território em que cinema, performance, moda, tecnologia, publicidade, televisão e imaginação pop se fundem em poucos minutos para criar impacto, desejo, memória e identidade cultural. Em sua forma mais simples, ele parece apenas um vídeo musical. Na prática, porém, o videoclipe sempre foi um laboratório de linguagem visual, um lugar em que o futuro costuma aparecer antes de chegar ao resto da indústria.
O antepassado mais antigo de um videoclipe, aí o nome importante é “The Dickson Experimental Sound Film”, filmado em 1894/1895. Ele é apontado como o filme mais antigo conhecido com música associada à imagem, feito no contexto do Kinetophone de Edison. Não é “videoclipe” no sentido pop moderno, mas é uma espécie de ancestral histórico do formato.
No sentido moderno, feito como peça promocional para uma música pop, o título mais citado vai para “Bohemian Rhapsody”, do Queen, lançado em 1975. Ele é frequentemente tratado como o clipe que consolidou o formato de vídeo promocional pensado para televisão e divulgação de single.
A História do Videoclipe
A história do videoclipe não começa na MTV, embora a emissora tenha sido decisiva para transformá-lo em produto de massa e em motor da indústria fonográfica durante décadas. Também não começa nos anos 1980, como muita gente supõe. As raízes do videoclipe são bem mais profundas e remontam ao próprio nascimento da imagem em movimento, quando o cinema ainda era mudo, a sincronização entre som e imagem era um desafio técnico e artistas, inventores e exibidores já buscavam formas de unir música, presença cênica e narrativa visual.
Os 5 videoclipes mais icônicos da história
Dos experimentos visuais analógicos às superproduções cinematográficas, alguns clipes não apenas marcaram época — eles redefiniram o que é possível fazer com som e imagem. E, curiosamente, continuam sendo referência direta para a nova geração de criadores que hoje trabalham com inteligência artificial.
Abaixo, cinco obras que ajudaram a construir o DNA do videoclipe moderno
“Thriller” — Michael Jackson (1983)
Se hoje falamos em “conteúdo audiovisual expandido”, Thriller fez isso antes de existir o termo. Dirigido como um curta-metragem, o clipe elevou o videoclipe ao status de cinema, com narrativa, direção de arte e coreografia icônicas.
Mais do que um sucesso musical, foi uma virada de chave: mostrou que um clipe podia ser evento global, produto cultural e peça de storytelling ao mesmo tempo. Na lógica atual, seria um “universo audiovisual” completo — algo que a IA agora recria em escala.
“Take On Me” — a-ha (1985)
Muito antes do termo “híbrido”, esse clipe já fundia mundos. A mistura de rotoscopia com live-action criou uma estética única — meio sonho, meio realidade — que até hoje inspira motion designers e artistas de IA.
É praticamente um protótipo analógico do que hoje vemos com geração de imagem: transições fluidas entre dimensões visuais. Um lembrete de que a experimentação estética sempre veio antes da tecnologia.
“Video Killed the Radio Star” — The Buggles (1979)
Não é só um clipe — é um manifesto. Primeiro vídeo exibido na MTV, ele simboliza a virada definitiva da música para a imagem.
A ironia? Hoje vivemos outra transição semelhante, onde a IA começa a redefinir o próprio conceito de criação audiovisual. Se o vídeo matou o rádio, o que a IA vai transformar agora?
“Vogue” — Madonna (1990)
Minimalista e sofisticado, Vogue provou que impacto não depende de orçamento explosivo, mas de conceito forte. A estética inspirada no cinema clássico e na cultura ballroom redefiniu moda, dança e linguagem visual.
Hoje, essa lógica é central na criação com IA: direção criativa e repertório cultural valem mais do que qualquer equipamento. Ideia ainda é o verdadeiro motor.
“Smells Like Teen Spirit” — Nirvana (1991)
Cru, caótico e visceral, esse clipe capturou o espírito de uma geração inteira. Sem polish, sem glamour — só energia bruta.
Ele provou que autenticidade também é estética. E essa lógica volta com força na era da IA: quanto mais conteúdo gerado, mais valor tem aquilo que parece real, humano e imperfeito.
O Videoclipe e a Inteligência Artificial
Hoje, quando vemos um videoclipe criado com inteligência artificial, talvez a tentação seja tratá-lo como ruptura absoluta. Mas a verdade é outra: a IA não destrói a história do videoclipe. Ela leva essa história adiante. O que muda são as ferramentas, os custos, a velocidade, a escala e o grau de autonomia criativa disponível para artistas e diretores. Nesse sentido, o videoclipe feito com IA não é um desvio. É continuação radical de uma vocação antiga: experimentar antes de todo mundo.
A evolução estética dos videoclipes
A evolução estética dos videoclipes é basicamente a história de como a música aprendeu a “se vestir” visualmente — e, ao longo das décadas, virou linguagem própria, quase um cinema paralelo. Bora dar essa geral:
Anos 80: teatralidade, cor e performance
Nos anos 80, com a explosão da MTV, o videoclipe virou vitrine principal da música pop.
Características:
- Estética teatral e performática
- Cores fortes e figurinos marcantes
- Narrativas simples (ou quase inexistentes)
- Forte influência do palco e da TV
Exemplos:
- Thriller – praticamente um curta de terror pop
- Take On Me – mistura pioneira de live-action com animação
- Like a Virgin – estética icônica e provocativa
👉 Aqui, o clipe ainda era “performance filmada”, mas já começava a ganhar identidade própria.
Anos 90: linguagem cinematográfica e experimental
Nos anos 90, o negócio ficou sério: diretores começaram a tratar clipe como arte audiovisual experimental.
Características:
- Influência forte do cinema e publicidade
- Narrativas mais complexas
- Uso criativo de edição, câmera e conceito
- Surgimento de diretores-autor
Exemplos:
- Smells Like Teen Spirit – estética crua e geração grunge
- All Is Full of Love – arte + tecnologia + conceito
- Paranoid Android – narrativa fragmentada e animada
👉 Aqui nasce o “diretor de videoclipe” como artista — tipo Spike Jonze e Michel Gondry.
Anos 2000: superprodução estilo Hollywood
Com dinheiro pesado das gravadoras, os clipes viraram verdadeiros blockbusters.
Características:
- Orçamentos milionários
- Estética polida e hiperproduzida
- Efeitos especiais avançados
- Coreografias e direção de arte gigantes
Exemplos:
- Toxic – estética futurista + narrativa de espionagem
- Bad Romance – visual icônico e exagerado
- In da Club – estética de luxo e poder
👉 Aqui o clipe vira produto premium — quase trailer de filme.
Anos 2020+: estética digital, internet e IA
Agora a coisa virou outro jogo
Características:
- Estética digital, glitch, hiper-real
- Produção descentralizada (menos equipe, mais software)
- Mistura de real + virtual
- Uso crescente de IA generativa
Exemplos / tendências:
- Clipes com estética hiperpop e colagem digital
- Avatares virtuais e artistas inexistentes
- Produções feitas com ferramentas como Runway, Kling, etc.
- Projetos como a banda Nami e o clipe Particularmente
👉 Aqui o videoclipe deixa de ser “filmado” e passa a ser gerado.
Diretores que revolucionaram o videoclipe
Se o videoclipe nasceu como ferramenta de divulgação musical, foram os diretores que o transformaram em arte. Ao longo das décadas, alguns nomes não apenas acompanharam tendências — eles criaram novas linguagens visuais, redefiniram padrões estéticos e influenciaram tanto a música quanto o cinema.
A seguir, uma seleção de diretores que mudaram o jogo.
Michel Gondry – O artesão do impossível
O francês Michel Gondry trouxe para o videoclipe uma estética artesanal, criativa e profundamente autoral. Em vez de depender apenas de tecnologia, ele explorava truques visuais feitos “na mão”, criando um charme único e reconhecível.
Seus clipes parecem sonhos construídos com objetos simples, loops visuais e ilusões práticas — uma espécie de poesia visual analógica.
Exemplos de videoclipes:
- “Around the World” – Daft Punk
- “Fell in Love with a Girl” – The White Stripes
- “Come Into My World” – Kylie Minogue
Gondry mostrou que criatividade pode ser mais poderosa que orçamento — uma lição que ressoa ainda mais forte na era da IA.
Spike Jonze – O caos criativo com alma humana
Spike Jonze levou o videoclipe para um território onde humor, emoção e estranheza convivem sem esforço. Seus trabalhos muitas vezes parecem simples à primeira vista, mas carregam conceitos profundos e execução impecável.
Ele é mestre em transformar ideias aparentemente banais em experiências memoráveis.
Exemplos de videoclipes:
- “Weapon of Choice” – Fatboy Slim
- “Sabotage” – Beastie Boys
- “Praise You” – Fatboy Slim
Jonze ajudou a provar que o videoclipe pode ser divertido, estranho e profundamente humano ao mesmo tempo.
David Fincher – O perfeccionismo cinematográfico
Antes de se tornar um dos maiores diretores de Hollywood, David Fincher foi um dos responsáveis por elevar o padrão técnico dos videoclipes.
Sua abordagem trouxe uma estética sombria, sofisticada e altamente controlada, aproximando o videoclipe da linguagem cinematográfica moderna.
Exemplos de videoclipes:
- “Vogue” – Madonna
- “Freedom! ’90” – George Michael
- “Express Yourself” – Madonna
Fincher ajudou a consolidar o videoclipe como um produto de alto valor estético — praticamente mini-filmes.
Chris Cunningham – O lado perturbador da tecnologia
Chris Cunningham levou o videoclipe para territórios inquietantes, explorando a relação entre corpo humano, máquinas e distorção.
Seus trabalhos são intensos, desconfortáveis e inesquecíveis — antecipando debates sobre tecnologia, identidade e artificialidade.
Exemplos de videoclipes:
- “Come to Daddy” – Aphex Twin
- “All Is Full of Love” – Björk
Cunningham praticamente criou uma estética “cyberpunk emocional” no videoclipe — algo que hoje conversa diretamente com a estética da IA generativa.
Hype Williams – A estética do hip-hop moderno
Hype Williams redefiniu o visual do hip-hop nos anos 90 e 2000. Ele trouxe cores vibrantes, lentes olho-de-peixe, cenários grandiosos e uma estética de luxo que se tornou padrão na indústria.
Seu estilo não só influenciou videoclipes, mas toda a cultura visual do rap e da música pop.
Exemplos de videoclipes:
- “California Love” – 2Pac
- “Mo Money Mo Problems” – The Notorious B.I.G.
- “Gold Digger” – Kanye West
Hype criou o imaginário visual do sucesso no hip-hop — algo que ainda dita tendências hoje.
Jonas Åkerlund – O caos pop elevado ao extremo
Jonas Åkerlund mistura agressividade visual, edição frenética e narrativa provocativa. Seus clipes são intensos, rápidos e muitas vezes chocantes.
Ele entende como poucos a energia da música pop e rock — e transforma isso em impacto visual direto.
Exemplos de videoclipes:
- “Smack My Bitch Up” – The Prodigy
- “Ray of Light” – Madonna
- “Telephone” – Lady Gaga
Åkerlund ajudou a consolidar o videoclipe como experiência sensorial extrema.
Mark Romanek – A estética da contemplação
Mark Romanek trouxe uma abordagem mais artística e contemplativa, com forte influência das artes visuais e do cinema autoral.
Seus clipes são elegantes, simbólicos e muitas vezes minimalistas — criando impacto sem excesso.
Exemplos de videoclipes:
- “Scream” – Michael Jackson e Janet Jackson
- “Hurt” – Johnny Cash
- “Closer” – Nine Inch Nails
Romanek elevou o videoclipe ao território da arte contemporânea.Mark Romanek – A estética da contemplação
Dave Meyers – O espetáculo pop contemporâneo
Dave Meyers representa a evolução moderna do videoclipe como espetáculo visual hiperproduzido, colorido e altamente dinâmico.
Ele trabalha com narrativas fragmentadas, humor e estética digital — muito alinhado com a era do streaming e redes sociais.
Exemplos de videoclipes:
- “HUMBLE.” – Kendrick Lamar
- “Firework” – Katy Perry
- “No Tears Left to Cry” – Ariana Grande
Meyers traduz o videoclipe para a linguagem do século XXI: rápido, impactante e altamente compartilhável.
Conclusão: do autor ao algoritmo
Esses diretores provaram que o videoclipe é muito mais do que um complemento da música — ele é um campo de experimentação estética.
Hoje, com a chegada da inteligência artificial, surge uma nova geração de “diretores híbridos”, onde a criatividade humana se mistura com ferramentas generativas. Mas a essência continua a mesma: visão, linguagem e capacidade de transformar som em imagem.
Se antes o videoclipe dependia de câmeras e grandes equipes, agora ele pode nascer de prompts. Ainda assim, a pergunta central permanece:
quem está por trás da ideia?
E é exatamente aí que nasce o próximo grande diretor.
Videoclipe
Afrocidade ganha prêmio de videoclipe com IA no m-v-f- awards 2025
O avanço da inteligência artificial no audiovisual musical ganhou um marco simbólico na 13ª edição do m-v-f- awards 2025. O grande vencedor da recém-criada categoria “Feito com Inteligência Artificial” foi o videoclipe “ORÌKÍ”, da Afrocidade — uma obra que não apenas utiliza tecnologia, mas a ressignifica a partir da ancestralidade afro-brasileira.
A premiação, realizada em São Paulo no dia 25 de março de 2026, consolida o festival como um dos principais termômetros da inovação no videoclipe, e a nova categoria dedicada à IA já nasce apontando para o futuro da linguagem audiovisual.
Assista ao videoclipe “ORÌKÍ”
IA com alma: tecnologia como extensão da ancestralidade
Dirigido por Luma Nascimento e Zamba, “ORÌKÍ” é um daqueles casos raros em que a tecnologia não engole a narrativa — ela se torna linguagem. O clipe parte de um visualizer criado com IA e evolui para uma obra audiovisual completa, construída ao longo de meses de experimentação.
O resultado é um fluxo imagético que mistura símbolos afro-baianos, espiritualidade e estética contemporânea, criando uma experiência sensorial que vai além do videoclipe tradicional. Aqui, a inteligência artificial não aparece como gimmick, mas como ferramenta de reconstrução simbólica.
A própria estrutura do vídeo sugere um “transe digital”: imagens que se dissolvem, rostos que emergem e desaparecem, corpos que parecem atravessar dimensões — tudo dialogando com rituais, memória e identidade.
Afrofuturismo? Não — afro-presente
Embora seja tentador encaixar “ORÌKÍ” no rótulo do afrofuturismo, o projeto vai em outra direção. A proposta da Afrocidade é afirmar que essa estética já está viva no cotidiano — nas festas, nos terreiros, nas ruas da Bahia.
Com trechos em português e iorubá, o clipe reforça a força de uma cultura que historicamente foi marginalizada, mas que agora se projeta globalmente através de novas tecnologias.
Esse deslocamento é crucial: não se trata de imaginar o futuro, mas de mostrar que o futuro já está acontecendo — só que fora do eixo tradicional da indústria.
Quem é a Afrocidade?
Diretamente de Camaçari (BA), a Afrocidade é um dos nomes mais interessantes da música brasileira contemporânea quando o assunto é fusão de som e identidade.
O grupo mistura:
- pagodão baiano
- afrobeat
- reggae
- música eletrônica
- e ritmos diaspóricos
Tudo isso atravessado por uma forte consciência política e estética.
Mais do que uma banda, a Afrocidade funciona como um coletivo artístico que dialoga com moda, audiovisual e cultura urbana — o que explica a potência visual de “ORÌKÍ”.
Do underground global ao prêmio brasileiro
Antes mesmo de vencer o m-v-f- awards 2025, “ORÌKÍ” já circulava internacionalmente. O projeto chegou ao top 4 na categoria de videoclipe do Project Odyssey 2, ligado à comunidade global de IA open source — um feito relevante para uma produção em português e com referências afro-brasileiras.
Essa trajetória reforça um ponto importante: a inovação em IA não está restrita ao eixo EUA–Europa. Ela também emerge de territórios culturais historicamente invisibilizados.
O que essa vitória significa
A escolha de “ORÌKÍ” como melhor videoclipe feito com IA não é apenas um prêmio técnico — é um posicionamento estético e político.
Entre tantas possibilidades de uso da inteligência artificial (muitas vezes focadas em hiper-realismo ou simulação), o clipe da Afrocidade aponta outro caminho:
- IA como ferramenta de identidade
- IA como linguagem cultural
- IA como amplificação de narrativas locais
Em vez de copiar o mundo, a tecnologia aqui serve para reinventá-lo.
O recado do MVF: o futuro já começou
Ao premiar “ORÌKÍ”, o m-v-f- awards 2025 sinaliza que o videoclipe do futuro não será apenas mais tecnológico — será mais simbólico, mais híbrido e mais conectado a contextos culturais específicos.
Se antes a pergunta era “o que a IA consegue fazer?”, agora ela muda para algo mais interessante:
quem está usando a IA — e para contar qual história?
E, nesse jogo, a Afrocidade acabou de dar uma aula.
-
Música2 semanas atrásQuem é Eddie Dalton? A ascensão do bluesman artificial que bagunçou o iTunes
-
Tecnologia & IA2 semanas atrásGPT-5.4, Gemini 3.1 Pro e Claude Mythos redesenham o mapa da IA
-
Tecnologia & IA5 dias atrásIA em 2026: os gráficos que revelam o verdadeiro estado da revolução tecnológica
-
Tecnologia & IA5 dias atrásAnthropic aposta em IA mais precisa e poderosa com Opus 4.7
-
Cinema5 dias atrás“Bitcoin: Killing Satoshi” pode inaugurar nova era do cinema por inteligência artificial
-
Cinema1 dia atrásHiggsfield quer transformar influenciadores em estrelas de séries feitas por IA
-
Cinema23 horas atrásRunway AI Festival 2026 abre espaço para moda, design, games e publicidade
-
Videoclipe43 minutos atrásK-pop encontra cinema de IA: XODIAC leva videoclipe “Alibi” para festival em Cannes