Vídeoclipe
Afrocidade ganha prêmio de videoclipe com IA no m-v-f- awards 2025
O avanço da inteligência artificial no audiovisual musical ganhou um marco simbólico na 13ª edição do m-v-f- awards 2025. O grande vencedor da recém-criada categoria “Feito com Inteligência Artificial” foi o videoclipe “ORÌKÍ”, da Afrocidade — uma obra que não apenas utiliza tecnologia, mas a ressignifica a partir da ancestralidade afro-brasileira.
A premiação, realizada em São Paulo no dia 25 de março de 2026, consolida o festival como um dos principais termômetros da inovação no videoclipe, e a nova categoria dedicada à IA já nasce apontando para o futuro da linguagem audiovisual.
Assista ao videoclipe “ORÌKÍ”
IA com alma: tecnologia como extensão da ancestralidade
Dirigido por Luma Nascimento e Zamba, “ORÌKÍ” é um daqueles casos raros em que a tecnologia não engole a narrativa — ela se torna linguagem. O clipe parte de um visualizer criado com IA e evolui para uma obra audiovisual completa, construída ao longo de meses de experimentação.
O resultado é um fluxo imagético que mistura símbolos afro-baianos, espiritualidade e estética contemporânea, criando uma experiência sensorial que vai além do videoclipe tradicional. Aqui, a inteligência artificial não aparece como gimmick, mas como ferramenta de reconstrução simbólica.
A própria estrutura do vídeo sugere um “transe digital”: imagens que se dissolvem, rostos que emergem e desaparecem, corpos que parecem atravessar dimensões — tudo dialogando com rituais, memória e identidade.
Afrofuturismo? Não — afro-presente
Embora seja tentador encaixar “ORÌKÍ” no rótulo do afrofuturismo, o projeto vai em outra direção. A proposta da Afrocidade é afirmar que essa estética já está viva no cotidiano — nas festas, nos terreiros, nas ruas da Bahia.
Com trechos em português e iorubá, o clipe reforça a força de uma cultura que historicamente foi marginalizada, mas que agora se projeta globalmente através de novas tecnologias.
Esse deslocamento é crucial: não se trata de imaginar o futuro, mas de mostrar que o futuro já está acontecendo — só que fora do eixo tradicional da indústria.
Quem é a Afrocidade?
Diretamente de Camaçari (BA), a Afrocidade é um dos nomes mais interessantes da música brasileira contemporânea quando o assunto é fusão de som e identidade.
O grupo mistura:
- pagodão baiano
- afrobeat
- reggae
- música eletrônica
- e ritmos diaspóricos
Tudo isso atravessado por uma forte consciência política e estética.
Mais do que uma banda, a Afrocidade funciona como um coletivo artístico que dialoga com moda, audiovisual e cultura urbana — o que explica a potência visual de “ORÌKÍ”.
Do underground global ao prêmio brasileiro
Antes mesmo de vencer o m-v-f- awards 2025, “ORÌKÍ” já circulava internacionalmente. O projeto chegou ao top 4 na categoria de videoclipe do Project Odyssey 2, ligado à comunidade global de IA open source — um feito relevante para uma produção em português e com referências afro-brasileiras.
Essa trajetória reforça um ponto importante: a inovação em IA não está restrita ao eixo EUA–Europa. Ela também emerge de territórios culturais historicamente invisibilizados.
O que essa vitória significa
A escolha de “ORÌKÍ” como melhor videoclipe feito com IA não é apenas um prêmio técnico — é um posicionamento estético e político.
Entre tantas possibilidades de uso da inteligência artificial (muitas vezes focadas em hiper-realismo ou simulação), o clipe da Afrocidade aponta outro caminho:
- IA como ferramenta de identidade
- IA como linguagem cultural
- IA como amplificação de narrativas locais
Em vez de copiar o mundo, a tecnologia aqui serve para reinventá-lo.
O recado do MVF: o futuro já começou
Ao premiar “ORÌKÍ”, o m-v-f- awards 2025 sinaliza que o videoclipe do futuro não será apenas mais tecnológico — será mais simbólico, mais híbrido e mais conectado a contextos culturais específicos.
Se antes a pergunta era “o que a IA consegue fazer?”, agora ela muda para algo mais interessante:
quem está usando a IA — e para contar qual história?
E, nesse jogo, a Afrocidade acabou de dar uma aula.
Vídeoclipe
Quando a arte “fica fácil demais”: atriz de IA lança música e vídeo ironizando o medo de Hollywood
Hollywood ganhou um novo personagem — literalmente. A atriz sintética Tilly Norwood, criada com inteligência artificial, acaba de lançar o single e videoclipe “Take the Lead”, uma faixa pop que responde diretamente às críticas e ao pânico cultural que sua própria existência provocou na indústria.
No clipe, a performer digital canta que “AI’s not the enemy, it’s the key” (“a IA não é o inimigo, é a chave”), defendendo a tecnologia como parceira criativa — não como substituta da arte humana.
A personagem foi criada pela produtora e tecnóloga Eline Van der Velden, através do estúdio Particle6 e sua divisão de IA, a Xicoia. Desde sua apresentação pública em 2025, Norwood virou um dos símbolos mais polêmicos da nova fase do entretenimento digital.
A controvérsia não demorou a chegar: sindicatos de atores e parte da indústria acusaram o projeto de ameaçar empregos e diluir a autenticidade da atuação humana.
Mas o videoclipe parece responder a tudo isso com sarcasmo — quase como se dissesse: relaxem, isso já aconteceu antes.
O déjà-vu histórico da tecnologia “que estraga a arte”
A reação ao surgimento de artistas sintéticos lembra episódios clássicos da história da cultura.
Quando alguns pintores começaram a trocar a têmpera de ovo pela tinta a óleo, no Renascimento, houve quem dissesse que aquilo era “trapaça”. A nova técnica permitia camadas mais profundas, correções e efeitos de luz — e, para os puristas da época, isso significava que a pintura estava ficando “fácil demais”.
Séculos depois, retratistas tradicionais acusaram a fotografia de destruir a arte.
Depois foi a vez da fotografia digital.
Depois o Photoshop.
Depois o Auto-Tune.
E hoje, claro, é a inteligência artificial.
Se a lógica histórica se mantiver — e normalmente se mantém — a tecnologia criticada hoje vira simplesmente mais uma ferramenta criativa amanhã.
A nova geração de “artistas sintéticos”
Tilly Norwood é parte de um fenômeno maior: o surgimento de personagens, cantores e performers gerados por IA que vivem simultaneamente no cinema, na música e nas redes sociais.
Criada em 2025, a personagem nasceu como experimento narrativo e rapidamente se transformou em um símbolo das tensões entre tecnologia e arte.
Alguns veem nela o prenúncio de uma nova era de produção audiovisual mais barata e experimental. Outros enxergam uma ameaça à indústria tradicional.
Enquanto o debate acontece, Norwood segue fazendo exatamente o que artistas fazem desde sempre: lançando música, provocando reações e cutucando o público.
Entre o medo e a curiosidade
No fundo, o vídeo de “Take the Lead” funciona quase como uma peça de meta-arte.
Uma cantora que não existe canta sobre pessoas que estão irritadas porque ela não existe.
Se isso soa estranho, vale lembrar:
No início do cinema, havia quem jurasse que filmes nunca seriam arte.
No início da música eletrônica, havia quem dissesse que sintetizadores destruiriam a música.
E no início da produção digital, havia quem afirmasse que computadores acabariam com os estúdios.
A história mostrou outra coisa: novas ferramentas não substituem a arte — apenas mudam quem consegue fazê-la.
E talvez seja exatamente isso que está deixando tanta gente nervosa.
Fonte: The Holywood Reporter
Vídeoclipe
Linkin Park usou IA para transformar suas memórias em anime no clipe de “Lost”
Quando o Linkin Park lançou em 2023 a faixa inédita “Lost”, recuperada das sessões do clássico álbum Meteora (2003), a banda também surpreendeu os fãs com um videoclipe que mistura nostalgia, animação japonesa e inteligência artificial.
O vídeo, dirigido pelos artistas digitais Maciej Kuciara e Emily “pplpleasr” Yang, utiliza IA para transformar imagens reais da banda em personagens de anime, criando uma estética híbrida que conecta material de arquivo do grupo com animação contemporânea.
A tecnologia por trás do clipe
Para produzir o vídeo, a equipe utilizou a ferramenta Kaiber, um software de geração de vídeo com inteligência artificial capaz de transformar imagens e cenas filmadas em animações estilizadas.
A IA foi treinada a partir de ilustrações originais criadas pelos artistas do projeto. Em seguida, o sistema aplicou esse estilo às imagens da banda, convertendo performances reais e cenas antigas do Linkin Park em versões animadas que lembram um anime.
Entre os materiais usados estão trechos de:
- apresentações do DVD Live in Texas
- o documentário The Making of Meteora
- videoclipes clássicos como “Breaking the Habit”, “Somewhere I Belong” e “New Divide”
Essas imagens foram reinterpretadas pela IA para parecerem sequências animadas dentro do universo visual do clipe.
Anime, nostalgia e Web3
A produção do vídeo foi realizada pelo estúdio Shibuya, uma plataforma criativa ligada ao ecossistema Web3.
O clipe também introduz a personagem Mirai, protagonista da série animada White Rabbit, criada pelos mesmos diretores. A personagem funciona como um fio narrativo dentro do vídeo, conectando o universo visual do anime às memórias da banda.
Segundo os produtores, a IA não foi usada para criar todo o conteúdo do clipe do zero, mas sim para integrar duas linguagens visuais diferentes:
- arte original desenhada pelos artistas
- imagens reais do Linkin Park
O objetivo era fazer com que os integrantes da banda parecessem personagens de anime dentro da narrativa.
Um tributo a Chester Bennington
Além da experimentação tecnológica, o lançamento de “Lost” também teve forte carga emocional para os fãs. A música traz vocais de Chester Bennington, gravados originalmente em 2002 durante as sessões do álbum Meteora.
A faixa acabou ficando de fora do disco na época por ser considerada parecida demais com “Numb”, mas foi redescoberta duas décadas depois para a edição comemorativa Meteora 20th Anniversary Edition.
O videoclipe funciona assim como uma espécie de cápsula do tempo digital, combinando tecnologia de IA com arquivos históricos da banda para reviver uma das fases mais marcantes do rock dos anos 2000.
Repercussão
Apesar da inovação, o uso de inteligência artificial no vídeo também gerou debates entre fãs e críticos. Alguns elogiaram a estética nostálgica e o uso criativo da tecnologia, enquanto outros questionaram o papel da IA na produção artística.
Mesmo assim, o clipe acabou recebendo reconhecimento da indústria: ele foi indicado ao MTV Video Music Awards 2023 na categoria de Melhor Vídeo de Rock.
No fim das contas, “Lost” se tornou um exemplo interessante de como a inteligência artificial está sendo usada na música não apenas para criar sons, mas também para reinterpretar imagens e histórias do passado.
Assista:
Vídeoclipe
A era da IA nos videoclipes: o case visual de Ni borracho
No meio do suingue e da tradição canária de Ni borracho, Quevedo acaba de lançar um videoclipe que não só reverencia suas raízes, mas também move as fronteiras visuais do pop contemporâneo. A novidade? A tecnologia de inteligência artificial da plataforma criativa Freepik entra no processo criativo do vídeo — colocando a IA lado a lado com a câmera e o olhar do artista.
Rodado em 5 de fevereiro no terrero de luta de Las Crucitas, em Agüimes (Canárias), o clipe de Ni borracho estreou no dia 12 com um repertório visual tão ousado quanto a batida. Em cenas que vão de Quevedo submerso sob a água a planos multiplicados como espelhos carnavalescos, o trabalho de efeitos visuais trouxe um equilíbrio entre tradição e vanguarda.
No centro dessa alquimia técnica está a artista malagueña Clara López, conhecida como AI Artist, que pilotou os efeitos visuais e a geração de imagens com IA. A partir de materiais filmados, ela utilizou modelos avançados — como Nano Banana Pro, Flux 2.0 Pro, Seedance e Kling — para recriar e expandir o universo visual do videoclipe, criando novos ângulos, movimentos e até efeitos de substituição facial em movimento.
O resultado é um vídeo híbrido que mescla o artesanal do set com a precisão algoritmica da IA — uma estética experimental que dialoga com as tendências visuais nas plataformas digitais, sem perder a identidade cultural que é marca registrada de Quevedo.
Mais do que um truque tecnológico, Ni borracho aponta para um momento em que ferramentas inteligentes servem à narrativa artística, abrindo um novo capítulo no modo como clipes pop contemporâneos podem ser concebidos.
Fonte: VidaEconómica
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