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AI e Arte em Xeque: o Caso “I Run”, o Hit que Virou Drama na Era Digital

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No final de outubro de 2025, a cena eletrônica global foi pega de surpresa por um fenômeno que misturou virilidade TikTok, música de pista e um debate ético que virou manchete: o single I Run, do duo britânico Haven (composto por Harrison Walker e Jacob Donaghue), explodiu nas redes sociais antes de ser abruptamente retirado das principais plataformas de streaming.

O que parecia ser mais um viral dance track — com pulsos de EDM e pitadas de UK garage — transformou-se num dos episódios mais emblemáticos da música em 2025: um duelo entre criatividade assistida por inteligência artificial e os limites legais e culturais dessa tecnologia.

📈 De “bop” viral a polêmica global

I Run foi lançado oficialmente em 29 de outubro e rapidamente ganhou tração no TikTok, somando milhões de interações em poucos dias. A curiosidade dos fãs logo foi além da batida: muitos começaram a especular sobre a identidade da voz sem créditos no registro.

Alguns internautas chegaram a apostar que a voz lembrava a da estrela britânica Jorja Smith — suposição que ela mesma desmentiu em um vídeo no TikTok, afirmando que não era ela.

Mas os rumores não pararam por aí.

🔍 O que realmente aconteceu

Segundo investigações e declarações à imprensa especializada, Haven admitiu que usou ferramentas de inteligência artificial — especificamente a plataforma Suno — para transformar a própria voz de Donaghue em samples femininos, criando a impressão de um vocalista não identificado.

Os produtores afirmaram que não pediram ao modelo para imitar qualquer artista específico, apenas solicitaram “samples vocais com alma” (“soulful vocal samples”). Mesmo assim, o resultado soou próximo demais da sonoridade de uma artista conhecida para alguns ouvintes.

⚖️ Reações da indústria e retirada de serviços

A controvérsia rapidamente escalou para o lado jurídico: a gravadora de Jorja Smith, a FAMM, juntamente com a RIAA (Recording Industry Association of America) e a IFPI (International Federation of the Phonographic Industry), emitiram notificações de remoção alegando violação de direitos autorais e uso indevido da “identidade vocal”.

Diante da pressão, plataformas como Spotify e Apple Music tiraram I Run de seus catálogos — o que gerou um dos debates mais instigantes sobre o papel do AI na produção musical moderna.

🎤 O “toque humano” que virou resposta

Enquanto a versão original gerada com IA sofria rejeição e retirada, surgiu uma alternativa humana: a cantora Kaitlin Aragon, cujo cover da música no TikTok viralizou, foi convidada a gravar os vocais oficiais para uma nova edição do single.

Para Aragon, o episódio acende uma discussão essencial: “as pessoas querem sentir uma conexão humana com o que ouvem”. Ela argumenta que artistas sempre usaram tecnologia — de sintetizadores a Auto-Tune — e que o desafio é como utilizar ferramentas como IA de forma responsável e transparente.

📊 O futuro da música com IA

Especialistas em musicologia observam que o desconforto do público em relação a músicas com partes geradas por inteligência artificial não é novo: revoluções tecnológicas no passado — desde o rádio até o Auto-Tune — também geraram resistência antes de se tornarem normais.

O que I Run mostrou é que a narrativa cultural sobre IA na música ainda está sendo escrita. À medida que grandes gravadoras firmam acordos de licenciamento com plataformas de IA e debatem compensações e direitos, o episódio serve como um possível ponto de virada no debate sobre ética, autoria e identidade artística em um mundo onde algoritmos podem cantar tão bem quanto humanos.

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Música

Com inteligência artificial, novo clipe de Gabriel o Pensador vira tributo pop-cultural

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O rapper carioca Gabriel o Pensador mergulha no universo da inteligência artificial para revisitar ícones da música em seu mais recente videoclipe, ligado ao single Festa da Música Tupiniquim. A produção multimídia, concebida pela agência especializada Seven Content, mistura referências visuais e digitais para colocar artistas de diferentes gerações — inclusive figuras que já faleceram — no mesmo espaço narrativo virtual.

Ao longo das cenas geradas digitalmente, surgem representações visuais de nomes como Gal Costa, Rita Lee, Erasmo Carlos — muitas vezes ao lado de Robertos Carlos — e até versões estilizadas de Michael Jackson cantando em um pequeno palco. A narrativa visual flerta com a nostalgia, ao mesmo tempo em que provoca reflexões sobre memória e legado na cultura popular.

Artistas vivos também aparecem, como Gilberto Gil, flagrado numa cena em que é interceptado por um segurança, e Alceu Valença, em gestos expansivos para a câmera. A escolha de figuras tão distintas reforça a ideia de que Festa da Música Tupiniquim é uma celebração plural dos som que atravessaram décadas no Brasil — e fora dele.

No Instagram, Gabriel descreveu o videoclipe como “uma viagem em que homenageio parte dos artistas que admiro, incluindo alguns que tornaram-se meus parceiros e amigos”. O rapper sublinhou que a peça deve ser encarada “como brincadeira, sem a intenção de parecer real”, reforçando seu uso da tecnologia como linguagem artística, não como substituto da presença humana.

A recepção do público tem sido majoritariamente entusiasmada. Nas redes sociais, o videoclipe foi celebrado como uma homenagem criativa e afetuosa à memória da música brasileira, com muitos fãs destacando o impacto emocional de ver artistas de diferentes gerações reunidos em uma mesma narrativa audiovisual. A proposta estética e o uso da inteligência artificial como ferramenta de linguagem — e não de substituição — também foram amplamente elogiados. O engajamento se reflete nos números: o vídeo já ultrapassou a marca de 4,5 milhões de visualizações, consolidando-se como um dos lançamentos mais comentados de Gabriel o Pensador nos últimos anos.

O single Festa da Música Tupiniquim já faz parte do repertório histórico de Gabriel — originalmente um hit de seu álbum Quebra-Cabeça (1997) que cita e presta tributo a uma enorme galeria de nomes da música brasileira e internacional, incluindo o “Rei do Pop” Michael Jackson.

Fonte: Diário de Cuiabá

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Will.i.am compara IA a revolução do sampling e chama desenvolvedores de artistas

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Em conversa recente com a CNBC, will.i.am, veterano produtor, compositor e líder do Black Eyed Peas, mergulhou no debate mais quente da indústria musical: o uso de inteligência artificial na criação de música. Para o artista, que tem uma carreira construída sobre o uso criativo de sampling, comparar a tecnologia generativa a uma ameaça teria pouco sentido — afinal, segundo ele, “não dá pra ser tão crítico com IA porque eu tenho uma carreira inteira baseada em sampling”.

Na visão de will.i.am, o artefato tecnológico que hoje causa tanto furor na música é apenas mais um capítulo na longa história da inovação sonora — do vinil ao sampler, do sintetizador aos computadores. Ele traça um paralelo histórico entre a resistência inicial ao sampling no hip-hop e as atuais preocupações com modelos de IA que treinam em bibliotecas gigantes de músicas humanas. “Imaginem 1970, falando de jazz… um músico poderia perguntar: ‘sampling é música?’” — e o que era dúvida virou um dos pilares da cultura hip-hop mundial.

O produtor não hesitou em defender também os criadores da tecnologia em si: programadores e engenheiros que escrevem os algoritmos, na avaliação dele, merecem reconhecimento artístico e remuneração justa. Isso porque, embora muitos modelos de IA aprendam com o acervo musical humano, há um esforço criativo e técnico próprio na construção das ferramentas.

E mais: will.i.am lançou um olhar prospectivo sobre o futuro da IA na música. Segundo ele, estamos longe de ver o ápice dessa tecnologia — e por isso o setor precisa se preparar para ferramentas que criem música de forma cada vez mais autônoma e sofisticada. Para o artista, a próxima geração de inteligência artificial não será simplesmente um reprodutor de estilos do passado, mas uma força criativa própria, capaz de ampliar as fronteiras do que consideramos música.

Essa perspectiva coloca o diálogo sobre IA no centro não só das discussões técnicas e legais, mas também da estética e identidade musical na era digital — onde as linhas entre autor, ferramenta e produção cada vez mais se fundem.

Fonte: Vice

A foto em destaque é de RogDel / Wikimedia Commons

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Sienna Rose: quando a inteligência artificial deixa de ser ferramenta e vira artista

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A indústria da música entrou definitivamente em uma nova fase — e Sienna Rose é um dos primeiros casos globais em que isso fica cristalino. Diferente de artistas virtuais do passado ou projetos híbridos, Sienna Rose não é uma cantora humana que usa IA. Ela é, de fato, uma artista musical gerada por inteligência artificial, criada para existir diretamente dentro do ecossistema de streaming, algoritmos e consumo digital.

Seu sucesso não é acidental. É sintoma.

Um fenômeno fabricado para o streaming

Sienna Rose surgiu em setembro de 2025 já com um catálogo robusto e produção contínua. Em poucos meses, acumulou milhões de ouvintes mensais no Spotify, entrou em playlists editoriais e teve músicas viralizando em mercados como Estados Unidos e Europa. Tudo isso sem shows, sem entrevistas, sem presença pública real e sem histórico artístico anterior.

Essa ausência não é falha de marketing. É parte do projeto.

A lógica é simples: Sienna Rose não precisa existir fora das plataformas, porque foi concebida exatamente para funcionar dentro delas — alimentando algoritmos, métricas de retenção e padrões de escuta.

Confirmação técnica: música gerada por IA

A confirmação veio quando plataformas de streaming começaram a aplicar sistemas internos de detecção. O Deezer, por exemplo, classificou oficialmente o repertório de Sienna Rose como conteúdo gerado por inteligência artificial, a partir de padrões estatísticos e estruturais típicos de modelos generativos avançados.

Isso encerra qualquer dúvida:
não se trata de uma artista misteriosa, reclusa ou anônima — trata-se de música sintética, criada por sistemas de IA treinados para reproduzir estéticas do soul, R&B e pop emocional contemporâneo.

Estética calculada: o som do “soul algorítmico”

Musicalmente, Sienna Rose opera em um território altamente eficiente:

  • Voz suave, emocionalmente neutra, mas convincente
  • Letras genéricas sobre intimidade, afeto e vulnerabilidade
  • Arranjos minimalistas, pensados para playlists de “late night”, “chill”, “sad vibes” e “romantic mood”

Nada ali é disruptivo — e isso é proposital.
A IA não busca ruptura estética, mas aderência máxima aos padrões que já funcionam.

É música desenhada para não incomodar, não exigir contexto e não pedir atenção ativa. Funciona como trilha sonora permanente do consumo passivo.

O que muda quando a artista não é humana

O caso Sienna Rose marca um ponto de virada importante:
pela primeira vez, uma artista 100% gerada por IA compete diretamente com músicos humanos nas mesmas vitrines, usando as mesmas métricas e disputando o mesmo espaço simbólico.

Isso levanta questões centrais para o futuro da música:

  • Transparência: o ouvinte sabe o que está escutando?
  • Remuneração: quem lucra quando não há artista humano?
  • Curadoria: playlists devem misturar obras humanas e sintéticas sem distinção?
  • Cultura: o que acontece quando a experiência musical se torna puramente funcional?

Plataformas como o Bandcamp já se posicionaram contra esse tipo de conteúdo. Outras, como Spotify e Apple Music, ainda adotam uma postura ambígua — beneficiadas pelo volume, pela previsibilidade e pelo baixo custo desse material.

Sienna Rose não é fraude — é estratégia

É importante deixar claro: Sienna Rose não é um golpe, nem uma enganação isolada. Ela é um produto estratégico, criado dentro das regras atuais do mercado digital. O problema não está na tecnologia em si, mas na assimetria entre música como expressão humana e música como ativo algorítmico.

Ela não representa o fim da música feita por pessoas — mas sinaliza um futuro onde a disputa não será apenas estética, e sim estrutural.

Mais que uma artista, um aviso

Sienna Rose não é só um nome viral.
Ela é um alerta sonoro.

Mostra como a inteligência artificial já é capaz de ocupar espaços culturais inteiros sem pedir licença, sem rosto, sem história — apenas eficiência, repetição e escala.

A pergunta que fica não é se a música de IA vai crescer.
Ela já está crescendo.

A pergunta real é: como a música humana vai reagir quando o algoritmo também aprender a cantar?

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