Vídeoclipe
A era da IA nos videoclipes: o case visual de Ni borracho
No meio do suingue e da tradição canária de Ni borracho, Quevedo acaba de lançar um videoclipe que não só reverencia suas raízes, mas também move as fronteiras visuais do pop contemporâneo. A novidade? A tecnologia de inteligência artificial da plataforma criativa Freepik entra no processo criativo do vídeo — colocando a IA lado a lado com a câmera e o olhar do artista.
Rodado em 5 de fevereiro no terrero de luta de Las Crucitas, em Agüimes (Canárias), o clipe de Ni borracho estreou no dia 12 com um repertório visual tão ousado quanto a batida. Em cenas que vão de Quevedo submerso sob a água a planos multiplicados como espelhos carnavalescos, o trabalho de efeitos visuais trouxe um equilíbrio entre tradição e vanguarda.
No centro dessa alquimia técnica está a artista malagueña Clara López, conhecida como AI Artist, que pilotou os efeitos visuais e a geração de imagens com IA. A partir de materiais filmados, ela utilizou modelos avançados — como Nano Banana Pro, Flux 2.0 Pro, Seedance e Kling — para recriar e expandir o universo visual do videoclipe, criando novos ângulos, movimentos e até efeitos de substituição facial em movimento.
O resultado é um vídeo híbrido que mescla o artesanal do set com a precisão algoritmica da IA — uma estética experimental que dialoga com as tendências visuais nas plataformas digitais, sem perder a identidade cultural que é marca registrada de Quevedo.
Mais do que um truque tecnológico, Ni borracho aponta para um momento em que ferramentas inteligentes servem à narrativa artística, abrindo um novo capítulo no modo como clipes pop contemporâneos podem ser concebidos.
Fonte: VidaEconómica
Música
Preta LE: a cantora virtual brasileira nascida da história de uma mulher real
No cenário artístico contemporâneo, onde as fronteiras entre tecnologia e expressão humana se tornam cada vez mais tênues, surge um projeto singular: Preta LE, uma cantora virtual brasileira cuja voz, estética e narrativa são profundamente enraizadas na história de uma mulher real — Letícia Cristina.
Criada pelo veterano produtor audiovisual Marcelo Presotto, também conhecido como Mr.Press, com o apoio criativo de nomes como Zeca Baleiro, Preta LE é mais do que uma personagem digital: é um símbolo de resistência, vivência e expressão.
A origem real por trás da voz virtual: Letícia Cristina
Letícia tem 37 anos e veio da periferia de Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo. Sua vida é marcada por desafios que refletem as duras experiências enfrentadas por muitas mulheres negras de origem humilde no Brasil: maternidade precoce, violência doméstica, pobreza, exclusão e luta diária pela dignidade e pela expressão própria.
Embora Letícia nunca tenha sido cantora profissional, suas histórias, modo de ver o mundo e sensibilidade emocional inspiraram a criação de Preta LE. É a partir dessa vivência genuína que as letras e narrativas de Preta LE emergem — não apenas como entretenimento, mas como arte carregada de verdade e de representatividade.
Preta LE canta sobre “o que é viver e ser”, transformando experiências reais em canções que ecoam não só a voz de Letícia, mas a de tantas mulheres cujas histórias muitas vezes permanecem fora dos palcos e das rádios.
O projeto artístico e tecnológico por trás de Preta LE
O coração do projeto é a fusão entre tecnologia e poesia. Marcelo Presotto, com mais de quatro décadas de carreira no audiovisual — entre filmes, videoclipes e comerciais — enxergou na inteligência artificial uma ferramenta para ampliar, não suprimir, a voz humana.
Diferentemente de muitos experimentos em IA que geram música e voz automaticamente, todas as canções de Preta LE são compostas sem o uso de inteligência artificial na criação das letras ou melodias. A IA atua como meio de dar voz e forma à personagem digital, mas a criatividade, sensibilidade e conteúdo são humanos: fruto da colaboração entre Mr.Press e músicos convidados.
Entre os colaboradores está Zeca Baleiro, uma das figuras mais respeitadas da Música Popular Brasileira, cuja participação reforça a ligação do projeto com tradições musicais brasileiras e com um olhar poético e crítico sobre a realidade.
“Jorge”: o videoclipe que dá rosto e ritmo à narrativa
O lançamento do videoclipe “Jorge” marcou uma das primeiras grandes aparições de Preta LE como artista virtual. No vídeo, a personagem — inspirada por Letícia — reflete sobre desafios cotidianos, fé e proteção, evocando imagens e simbolismos da vida real transformados em linguagem audiovisual.
Mais do que estética, “Jorge” funciona como declaração poética: uma narrativa que mistura política, identidade e sobrevivência, mostrando como a tecnologia pode amplificar discursos que, de outra forma, poderiam permanecer marginalizados ou invisíveis.
Significado cultural e artístico de Preta LE
Preta LE não é apenas mais uma artista virtual dentre tantas; ela representa uma proposta artística e social. Ao nascer de uma história real — e não de um algoritmo que sintetiza tendências —, ela questiona noções tradicionais de autoria, voz e pertencimento.
O projeto abre espaço para reflexões essenciais: quem tem o direito de cantar?, como a tecnologia pode democratizar a expressão criativa?, e de que forma narrativas de vidas reais podem ganhar releituras estéticas potentes com a ajuda da IA?
Enquanto muitos debatem os riscos da inteligência artificial na arte, Preta LE mostra uma alternativa: usar a tecnologia não como substituto da voz humana, mas como amplificador de histórias que merecem ser ouvidas em grande escala.
Conclusão
Preta LE é um projeto artístico que flerta com o futuro sem perder de vista a humanidade que o inspira. Nascida da vida real de Letícia Cristina e moldada pela visão criativa de Mr.Press e colaboradores, ela inaugura uma nova forma de pensar a música, a identidade e a tecnologia.
Mais do que uma cantora virtual, Preta LE é um símbolo — de resistência, de representatividade e de uma arte que reconhece suas origens.
Fontes: Update or Die e RGM
Vídeoclipe
MVF Awards 2025: a Inteligência Artificial invade o videoclipe — mas continua atrás das câmeras
Em sua 13ª edição, o Music Video Festival Awards 2025 confirma tendências que já vinham se delineando no universo audiovisual: a inteligência artificial não está apenas no discurso, mas se torna protagonista criativa dentro da produção de videoclipes. A mais nova categoria do prêmio — “Feito com Inteligência Artificial” — reúne 10 finalistas que exploram a tecnologia de maneiras distintas, seja como motor estético, seja como elemento narrativo ou como parceiro de pós-produção.
Criada como uma categoria híbrida — aberta a trabalhos nacionais e internacionais —, a premiação busca mapear o que há de mais original no uso de IA em vídeo musical: não como artista sintético, mas como ferramenta que amplia vocabulários visuais e desafia limites técnicos tradicionais do audiovisual.
🎥 Os finalistas da categoria “Feito com Inteligência Artificial”
A comissão técnica especializada do MVF Awards anunciou os 10 trabalhos que concorrem ao prêmio na categoria criada em 2025. Entre o experimental e o narrativo, os clipes finalistas mostram o estado da arte na intersecção entre música e algoritmos criativos:
Salem al-Dawsari — Dupla 02, Thalin, Enow — edição: Cainã Tavares
Desperately Pop — Alessandro Amaducci — edição: Alessandro Amaducci
Live For Me — Medio Mutante — efeitos especiais: Modular Dreams
Mouth — Superafim & Duda Beat — efeitos especiais: MLKBrutal & Coco
Your Head First — Elephant Run — efeitos especiais: Pedro Bayeux
Work It Out — Odonis Odonis — edição: Constantin Tzenos
Terra — Sergi Cox — edição: Adam Colyer
What I Don’t Need — Neil Haverty — efeitos especiais: Luca Tarantini (AOK)
Tudo Que Eu Sempre Sonhei — Pullovers — efeitos especiais: Studio São Longuinho
Vim do Taboão — Preta Le — direção: Marcelo Pressotto
Essa seleção evidencia um panorama plural: de trabalhos que utilizam IA para reconfigurar estética visual a outros em que o algoritmo participa como agente de montagem e textura, dialogando com estilos que vão do glitch ao surrealismo — sempre em estreita relação com a música e a energia da faixa escolhida pelos artistas.
🤖 IA como ferramenta — e não como estrela
Um dos aspectos mais interessantes desta edição é a forma como os finalistas encaram a IA: nenhum vídeo é de um artista IA , como era esperado por muitos no início do ano — por exemplo, obras como Narices Desquiciadas de Náya Volt ou Só Amor da Banda Nami, ambas com marcas de projeto IA em seus processos criativos, ficaram de fora da lista oficial de finalistas. Em vez disso, o que se vê é uma reconciliação entre a prática humana e a ajuda das máquinas, dando espaço a linguagens inéditas, mas sustentadas por uma visão criativa que ainda parte de seres humanos.
Essa escolha do júri coloca em discussão uma questão essencial para os próximos anos: a IA é reconhecida como colaboradora técnica ou já merece status de “criadora” no audiovisual musical? A resposta, ao menos no MVF Awards de 2025, tende a privilegiar a colaboração — onde os algoritmos acrescentam ao repertório expressivo, mas não substituem a direção e a visão artística.
🗓️ Caminho até a premiação
A votação do júri vai até o dia 25 de março de 2026, quando os vencedores serão anunciados durante a cerimônia oficial no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. A expectativa é alta: mais do que coroar os melhores usos de IA, o MVF Awards 2025 aponta caminhos para o futuro do videoclipe como forma híbrida de arte e tecnologia.
Notícias
Liah Soares transforma IA em poesia visual no clipe de “Amor pela Metade”, trilha de Três Graças
A veterana da música brasileira Liah Soares inaugura um novo capítulo na sua carreira com o lançamento do videoclipe de Amor pela Metade, single que integra a trilha sonora da novela Três Graças (TV Globo), tema amoroso dos personagens Viviane (Gabriela Loran) e Leonardo (Pedro Novaes).
Dirigido por Rafael Almeida e produzido pela RA7 Content, o clipe se destaca por um elemento que vem dominando conversas na cultura pop e no universo audiovisual: a inteligência artificial como ferramenta criativa. A produção abraça a IA não como substituta, mas como parceira na construção de um universo imagético onírico que dialoga com as camadas emocionais da canção e os dilemas dos personagens da trama.
A canção — lançada como single em plataformas digitais — explora a fragilidade e ambiguidade de um amor incompleto, e se beneficia do uso da IA para traduzir visualmente esse clima de sonho e metáfora. Segundo relatos sobre o processo, Liah passou por uma captura detalhada de expressões e movimentos, permitindo que a versão digital da artista mantivesse uma fidelidade sensível à performance real.
Para a paraense com mais de duas décadas de estrada, cujo repertório já foi gravado por gigantes da música popular brasileira e cuja voz já integrou diversas trilhas de novela, essa experiência com tecnologia representa mais um ponto de inflexão em uma carreira marcada pela mistura de tradição e invenção.
O videoclipe — visualmente ousado e tecnologicamente concebido — convida o público a repensar não apenas a forma como se constrói um vídeo musical, mas a própria relação entre sentimento e imagem na era digital. A música, já amplamente exibida nas cenas da novela, ganha agora sua extensão visual, reforçando a presença de Liah no centro das conversas sobre inovação artística no Brasil.
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