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Tecnologia & IA

Novo Gemini Omni leva edição conversacional para vídeos com IA

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Google Omni

O Google apresentou, durante o Google I/O 2026, o Gemini Omni, uma nova família de modelos de inteligência artificial voltada à criação multimodal. A promessa é ambiciosa: permitir que usuários criem conteúdos a partir de diferentes tipos de entrada — texto, imagem, vídeo e áudio — começando pela geração e edição de vídeos. A empresa define o Omni como um passo na direção de uma IA capaz de “criar qualquer coisa a partir de qualquer entrada”.

O primeiro modelo da família é o Gemini Omni Flash, que chega com foco em vídeos curtos. Segundo o Google, ele será capaz de gerar vídeos de até 10 segundos, criar áudio sintético nativo, transformar até cinco fotos em vídeo, editar cenas em múltiplas etapas e trabalhar com avatares personalizados. A novidade exige assinatura de um plano Google AI, com disponibilidade variando por região e faixa de produto.

Na prática, o Omni aproxima a criação de vídeo da lógica de uma conversa. Em vez de depender de softwares complexos de edição, o usuário poderá pedir alterações em linguagem natural: trocar cenário, modificar estilo visual, ajustar personagens, transformar uma foto em clipe ou refinar uma sequência já gerada. O próprio Google descreve a ferramenta como uma espécie de “Nano Banana para vídeos”, em referência ao seu modelo de geração e edição de imagens.

A mudança também marca uma reorganização importante dentro do ecossistema de mídia generativa do Google. O Gemini Omni deve substituir o Veo no app Gemini, combinando a inteligência central do Gemini com recursos avançados de geração de mídia. Enquanto o Veo era mais associado à geração de vídeo a partir de prompts, o Omni amplia o conceito ao permitir que vídeos, imagens e outros elementos sirvam como referência para novas criações.

Para criadores, publicitários e produtores de conteúdo, o ponto mais relevante talvez não seja apenas a geração de vídeos, mas a edição conversacional. O Google afirma que o Omni Flash melhora a consistência de personagens, preservando identidade e voz ao longo de diferentes cenas. Esse tipo de recurso pode ser decisivo para campanhas, narrativas seriadas, vídeos educacionais e conteúdos de marca, áreas em que a coerência visual costuma ser uma das maiores limitações dos modelos generativos.

Outro destaque é a criação de avatares de IA. A ferramenta permite que usuários criem versões digitais de si mesmos para aparecer em vídeos gerados artificialmente. Segundo a Wired, o processo envolve capturar rosto e voz pelo celular, com movimentos de cabeça e leitura de uma sequência de números. A proposta inicial do Google é permitir que usuários gerem vídeos de si próprios, não de terceiros.

Essa funcionalidade, porém, reacende o debate sobre deepfakes, autenticidade e transparência. O Google afirma que vídeos criados com Omni terão marca d’água digital SynthID, tecnologia usada para identificar conteúdos gerados por IA. A Associated Press também registrou que a empresa pretende expandir ferramentas de verificação de credenciais de conteúdo no Gemini e, futuramente, no Chrome.

O lançamento acontece em um momento de corrida acelerada pela liderança em vídeo generativo. OpenAI, Runway, Luma AI, ByteDance e outros competidores disputam espaço em um mercado que interessa tanto a criadores independentes quanto a estúdios, marcas e plataformas sociais. O diferencial do Google é tentar integrar a geração de mídia diretamente ao Gemini, ao YouTube Shorts e ao Google Flow, criando um fluxo que vai da ideia ao vídeo final dentro do próprio ecossistema da empresa.

No Google Flow, o Omni Flash será usado em conjunto com recursos de agente criativo. A empresa afirma que o Flow Agent poderá ajudar em brainstorming, criação, edição em lote, organização de arquivos e desenvolvimento de ferramentas personalizadas por linguagem natural. O Google também anunciou que o Omni será integrado ao Flow Music, permitindo criar vídeos musicais a partir de orientação conversacional.

Apesar do entusiasmo, ainda há limites claros. A versão inicial trabalha com vídeos curtos, de até 10 segundos, e alguns recursos dependem de assinatura, plataforma, país e idade mínima. O próprio Google informa que funcionalidades podem variar por nível de plano e região.

Ainda assim, o Gemini Omni sinaliza uma virada estratégica. O vídeo com IA deixa de ser apenas uma ferramenta de geração a partir de texto e passa a se aproximar de um ambiente de produção completo, no qual o usuário conversa, edita, refina, reaproveita referências e mantém personagens consistentes. Para o mercado criativo, isso pode reduzir barreiras técnicas. Para a sociedade, amplia a urgência de discutir autoria, consentimento, identificação de conteúdo sintético e confiança nas imagens que circulam online.

No fim, o Google não está apenas lançando mais um modelo de vídeo. Está tentando transformar o Gemini em uma plataforma de criação multimodal — e, ao mesmo tempo, disputar o futuro da produção audiovisual com IA.

A Redação MVAI reúne jornalistas, pesquisadores e criadores especializados em inteligência artificial, música, cultura digital e inovação. Nossos conteúdos são produzidos com apuração, fontes confiáveis, revisão editorial e atualização constante.

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Música

Universal e Sony pressionam DistroKid por dados de músicas criadas com IA

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Universal e Sony pressionam DistroKid por dados de músicas criadas com IA

Gravadoras negociam com distribuidora acesso a informações sobre faixas geradas por inteligência artificial, incluindo músicas feitas com Suno, reproduções e royalties.

A Universal Music Group e a Sony Music Entertainment estão negociando com a DistroKid uma solução para a disputa judicial envolvendo dados de músicas criadas com inteligência artificial (IA).

Segundo o Music Business Worldwide, as empresas informaram à Justiça dos Estados Unidos que trabalham para resolver o impasse. O acordo, porém, ainda não foi anunciado.

O objetivo das gravadoras é obter informações que possam ser utilizadas no processo por direitos autorais contra a Suno, plataforma de geração musical por IA.

Quais dados Universal e Sony querem?

As gravadoras pedem que a DistroKid apresente informações sobre:

  • Quantas músicas distribuídas foram identificadas como possivelmente geradas por IA.
  • Quantas dessas faixas podem ter sido criadas com a Suno.
  • Quantas reproduções e quanto em royalties essas músicas acumularam.
  • Qual tecnologia a distribuidora utiliza para detectar conteúdos gerados por IA.

Os dados ajudariam a dimensionar a presença comercial da música sintética nas plataformas de streaming.

Por que a Suno está na Justiça?

A disputa começou em junho de 2024, quando grandes gravadoras acusaram a Suno de utilizar gravações protegidas por direitos autorais no treinamento de seus modelos de inteligência artificial sem autorização.

A Suno defende que esse treinamento pode ser protegido pela doutrina americana de fair use (uso justo).

Universal e Sony, por outro lado, argumentam que a música gerada por IA pode competir diretamente com gravações tradicionais e afetar suas receitas.

A Warner Music, que também participava do processo original, fechou um acordo com a Suno em novembro de 2025.

Qual é a situação da DistroKid?

A DistroKid não é ré no processo original contra a Suno, mas passou a ser alvo de uma solicitação judicial para apresentar dados.

Além disso, enfrenta uma ação separada movida pela Universal em setembro de 2026, envolvendo acusações de violação de direitos autorais. A distribuidora contesta as alegações.

Reportagem do The Verge também mostrou que músicas de artistas independentes foram removidas das plataformas após reclamações da Universal, incluindo faixas que seus criadores afirmam não ter sido geradas por IA.

O próximo prazo judicial é 6 de novembro de 2026, data estabelecida para a DistroKid responder ao pedido de apresentação de documentos caso a disputa não seja resolvida antes.

O que está em jogo para o futuro da música?

O caso coloca uma questão importante para a indústria musical: como identificar, licenciar e remunerar músicas produzidas com inteligência artificial?

Para artistas independentes, o desfecho pode influenciar as regras de distribuição, transparência e proteção dos direitos autorais.

A discussão não envolve apenas a tecnologia utilizada para criar uma música, mas também quem controla sua circulação e como o dinheiro gerado pelo streaming será distribuído.

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Cinema

IA contra Hollywood: Grok divulga sua versão de “A Odisseia”

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Projeto produzido com Grok Imagine tem direção de Dev Walker e surge após Elon Musk prometer um longa-metragem baseado no clássico de Homero.

A Grok Imagine, ferramenta de geração de imagens e vídeos por inteligência artificial da xAI, de Elon Musk, divulgou na sexta-feira (23) os primeiros sete minutos de sua adaptação de A Odisseia, poema épico atribuído ao grego Homero.

Apresentado como o primeiro episódio de uma série, o vídeo foi desenvolvido em colaboração com a Wonder Studios e o diretor Dev Walker, demonstrando como ferramentas generativas já estão sendo utilizadas em produções audiovisuais narrativas.

Em julho, Musk havia prometido produzir até o final de 2026 um longa-metragem baseado na obra, que classificou como uma adaptação historicamente fiel. Por enquanto, o projeto apresentado tem pouco mais de sete minutos, sem calendário divulgado para novos episódios.

IA versus cinema tradicional

O lançamento também acontece em meio às críticas de Musk à adaptação cinematográfica de A Odisseia, dirigida por Christopher Nolan, que estreou em julho e conquistou grande sucesso de bilheteria.

Enquanto Nolan apostou em uma produção de grande escala, com filmagens em diferentes países e uso extensivo de efeitos práticos, a versão do Grok explora a geração de imagens por inteligência artificial.

A recepção inicial foi dividida. O TechCrunch elogiou o realismo visual de algumas cenas, mas criticou a falta de emoção, a rigidez dos diálogos e a fragilidade da narrativa.

Apesar das limitações, o experimento reforça uma transformação no audiovisual: a possibilidade de criar sequências cinematográficas complexas com ferramentas generativas, mantendo profissionais humanos envolvidos na direção e na criação.

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Tecnologia & IA

Anthology quer colocar infraestrutura de major nas mãos dos independentes

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Anthology

A inteligência artificial está entrando em uma nova área da indústria musical: os bastidores.

A britânica Absolute Label Services abriu ao mercado independente o Anthology, plataforma que a empresa define como um “Music Operating System”, ou sistema operacional para negócios de música. A ideia é reunir distribuição, direitos, dados, marketing e finanças em um único ambiente, usando IA para automatizar parte do trabalho operacional.

IA para administrar — não para criar música

O ponto mais interessante do projeto é justamente onde a inteligência artificial está sendo aplicada.

Em vez de gerar músicas ou substituir artistas, o Anthology utiliza IA para monitorar dados, identificar anomalias, encontrar possíveis problemas de royalties e detectar oportunidades comerciais.

Segundo Simon Wills, co-diretor da Absolute e responsável pelo projeto, a empresa decidiu concentrar a tecnologia nas tarefas em que a IA pode auxiliar profissionais, e não substituir a razão pela qual a indústria musical existe: a própria música.

No centro do sistema está o Ant, um modelo de IA especializado na indústria musical. Apresentado originalmente em 2025, ele funciona como uma espécie de copiloto empresarial integrado à plataforma. A Absolute afirma que o sistema foi desenvolvido a partir de sua experiência acumulada no setor e que os clientes mantêm controle sobre seus próprios dados.

Tudo em um único sistema

O Anthology reúne ferramentas que normalmente ficam espalhadas por diferentes serviços:

distribuição digital e física, administração de catálogos, direitos conexos, marketing, relatórios financeiros, estoque, fornecedores, faturamento e análise de desempenho.

A fragmentação é um problema real para selos independentes. Matt Bristow, da Cherry Red Records, contou que a empresa já precisou repetir dados de um único lançamento em até 15 plataformas diferentes. Com dezenas de lançamentos por mês, a centralização pode eliminar muitas horas de trabalho administrativo.

Além da Cherry Red, a Blue Raincoat Music, ligada à Reservoir Media, está entre os primeiros clientes anunciados. O sistema também é utilizado por empresas atendidas pela Absolute, como Wise Music Group e The Fuel Music and Management.

Infraestrutura pode ser a próxima democratização da música

A tese da Absolute é simples.

A distribuição digital reduziu uma enorme vantagem estrutural das grandes gravadoras: hoje um artista ou selo independente consegue disponibilizar sua música globalmente sem possuir uma rede física internacional.

Mas distribuir deixou de ser o único problema.

Administrar royalties, dados, direitos, marketing, estoque, plataformas digitais e milhares de informações continua exigindo uma infraestrutura que normalmente favorece organizações maiores.

O Anthology tenta atacar justamente essa diferença.

Se funcionar como prometido, a IA pode assumir parte do trabalho repetitivo dos bastidores enquanto profissionais dedicam mais tempo às decisões estratégicas, aos artistas e à criação.

É uma discussão importante para além do debate sobre “IA fazendo música”.

A próxima transformação da inteligência artificial na indústria talvez não aconteça apenas dentro do estúdio.

Pode acontecer nas planilhas, nos royalties, nos contratos, nos catálogos e em toda a infraestrutura invisível que mantém a música circulando.

Fontes principais: Music Business Worldwide, Absolute Label Services e Record of the Day. A Absolute descreve oficialmente o Anthology como uma plataforma que integra distribuição, direitos, analytics e ferramentas promocionais, enquanto a cobertura da MBW detalha o papel do modelo Ant e a estratégia de levar a infraestrutura a empresas independentes.

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