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MVF Awards 2025: a Inteligência Artificial invade o videoclipe — mas continua atrás das câmeras
Em sua 13ª edição, o Music Video Festival Awards 2025 confirma tendências que já vinham se delineando no universo audiovisual: a inteligência artificial não está apenas no discurso, mas se torna protagonista criativa dentro da produção de videoclipes. A mais nova categoria do prêmio — “Feito com Inteligência Artificial” — reúne 10 finalistas que exploram a tecnologia de maneiras distintas, seja como motor estético, seja como elemento narrativo ou como parceiro de pós-produção.
Criada como uma categoria híbrida — aberta a trabalhos nacionais e internacionais —, a premiação busca mapear o que há de mais original no uso de IA em vídeo musical: não como artista sintético, mas como ferramenta que amplia vocabulários visuais e desafia limites técnicos tradicionais do audiovisual.
🎥 Os finalistas da categoria “Feito com Inteligência Artificial”
A comissão técnica especializada do MVF Awards anunciou os 10 trabalhos que concorrem ao prêmio na categoria criada em 2025. Entre o experimental e o narrativo, os clipes finalistas mostram o estado da arte na intersecção entre música e algoritmos criativos:
Salem al-Dawsari — Dupla 02, Thalin, Enow — edição: Cainã Tavares
Desperately Pop — Alessandro Amaducci — edição: Alessandro Amaducci
Live For Me — Medio Mutante — efeitos especiais: Modular Dreams
Mouth — Superafim & Duda Beat — efeitos especiais: MLKBrutal & Coco
Your Head First — Elephant Run — efeitos especiais: Pedro Bayeux
Work It Out — Odonis Odonis — edição: Constantin Tzenos
Terra — Sergi Cox — edição: Adam Colyer
What I Don’t Need — Neil Haverty — efeitos especiais: Luca Tarantini (AOK)
Tudo Que Eu Sempre Sonhei — Pullovers — efeitos especiais: Studio São Longuinho
Vim do Taboão — Preta Le — direção: Marcelo Pressotto
Essa seleção evidencia um panorama plural: de trabalhos que utilizam IA para reconfigurar estética visual a outros em que o algoritmo participa como agente de montagem e textura, dialogando com estilos que vão do glitch ao surrealismo — sempre em estreita relação com a música e a energia da faixa escolhida pelos artistas.
🤖 IA como ferramenta — e não como estrela
Um dos aspectos mais interessantes desta edição é a forma como os finalistas encaram a IA: nenhum vídeo é de um artista IA , como era esperado por muitos no início do ano — por exemplo, obras como Narices Desquiciadas de Náya Volt ou Só Amor da Banda Nami, ambas com marcas de projeto IA em seus processos criativos, ficaram de fora da lista oficial de finalistas. Em vez disso, o que se vê é uma reconciliação entre a prática humana e a ajuda das máquinas, dando espaço a linguagens inéditas, mas sustentadas por uma visão criativa que ainda parte de seres humanos.
Essa escolha do júri coloca em discussão uma questão essencial para os próximos anos: a IA é reconhecida como colaboradora técnica ou já merece status de “criadora” no audiovisual musical? A resposta, ao menos no MVF Awards de 2025, tende a privilegiar a colaboração — onde os algoritmos acrescentam ao repertório expressivo, mas não substituem a direção e a visão artística.
🗓️ Caminho até a premiação
A votação do júri vai até o dia 25 de março de 2026, quando os vencedores serão anunciados durante a cerimônia oficial no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. A expectativa é alta: mais do que coroar os melhores usos de IA, o MVF Awards 2025 aponta caminhos para o futuro do videoclipe como forma híbrida de arte e tecnologia.
Notícias
Liah Soares transforma IA em poesia visual no clipe de “Amor pela Metade”, trilha de Três Graças
A veterana da música brasileira Liah Soares inaugura um novo capítulo na sua carreira com o lançamento do videoclipe de Amor pela Metade, single que integra a trilha sonora da novela Três Graças (TV Globo), tema amoroso dos personagens Viviane (Gabriela Loran) e Leonardo (Pedro Novaes).
Dirigido por Rafael Almeida e produzido pela RA7 Content, o clipe se destaca por um elemento que vem dominando conversas na cultura pop e no universo audiovisual: a inteligência artificial como ferramenta criativa. A produção abraça a IA não como substituta, mas como parceira na construção de um universo imagético onírico que dialoga com as camadas emocionais da canção e os dilemas dos personagens da trama.
A canção — lançada como single em plataformas digitais — explora a fragilidade e ambiguidade de um amor incompleto, e se beneficia do uso da IA para traduzir visualmente esse clima de sonho e metáfora. Segundo relatos sobre o processo, Liah passou por uma captura detalhada de expressões e movimentos, permitindo que a versão digital da artista mantivesse uma fidelidade sensível à performance real.
Para a paraense com mais de duas décadas de estrada, cujo repertório já foi gravado por gigantes da música popular brasileira e cuja voz já integrou diversas trilhas de novela, essa experiência com tecnologia representa mais um ponto de inflexão em uma carreira marcada pela mistura de tradição e invenção.
O videoclipe — visualmente ousado e tecnologicamente concebido — convida o público a repensar não apenas a forma como se constrói um vídeo musical, mas a própria relação entre sentimento e imagem na era digital. A música, já amplamente exibida nas cenas da novela, ganha agora sua extensão visual, reforçando a presença de Liah no centro das conversas sobre inovação artística no Brasil.
Assista:
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Manipulável Gado Novo: IA, crítica social e os mascarados no topo — a releitura provocativa do clássico de Zé Ramalho
Há mais de quatro décadas, “Admirável Gado Novo” ecoa como um dos maiores gritos de alerta da música popular brasileira — um espelho incômodo da massa conduzida, disciplinada, adestrada. Em 2025, o criador @dalegugu resgata esse espírito contestador e leva a metáfora ao extremo no videoclipe “Manipulável Gado Novo”, uma produção inteiramente construída com inteligência artificial.
Se no original de Zé Ramalho (inspirado por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo) os “garotos de couro” já simbolizavam um povo marcado pelo controle, aqui o cenário ganha nova camada: os anos passam, os reis do gado permanecem — e a tecnologia agora observa, molda, lucra e manipula.
A crítica social em nova embalagem digital
A narrativa visual é direta: todos são representados como gados — executivos, políticos, trabalhadores, influenciadores — todos domesticados dentro de uma estrutura que se retroalimenta. A Inteligência Artificial não é apenas ferramenta estética, mas signo da manipulação mental contemporânea:
Algoritmos que personalizam o mundo… ou nos aprisionam nele?
Se antes a dominação era televisiva, agora ela é datificada. Likes, feeds, notificações — o novo curral invisível da sociedade digital.
A estética reforça isso com:
- Figuras antropomorfizadas: humanos com características bovinas, ironizando a docilização coletiva.
- Máscaras e sombras: alusão ao poder que se oculta “por trás dos holofotes da mídia”, como diz a descrição do criador.
A arte provoca sem sutileza — e acerta.
IA como lente crítica da própria tecnologia
Dalegugu vai além da paródia musical: questiona o papel das tecnologias na perpetuação do controle de massa. Se a câmera clássica registrava a realidade, a IA agora fabrica realidades. E isso pode servir tanto à libertação quanto ao rebanho.
O clipe assume a contradição:
a mesma IA que denuncia a manipulação é a IA que modela os corpos e pensamentos exibidos.
Essa ambiguidade transforma o trabalho em debate político-tecnológico.
A letra como diálogo entre tempos
Assim como Zé Ramalho reinterpretou Huxley para denunciar o Brasil do fim da ditadura, Dalegugu reinterpreta Ramalho para denunciar o Brasil do capitalismo digital.
“Manipulável Gado Novo” é mais do que uma paródia:
é um arco histórico do controle social —
da distopia literária → à canção engajada → ao audiovisual em IA.
Cada geração, um pastor diferente.
Brasil e os donos do rebanho
A crítica permanece nacional, sim, mas agora com foco explícito na elite mega empresarial — os bilionários invisíveis que influenciam mídia, política, consumo… e identidade.
O inimigo não é mais o capataz visível, mas o sistema que opera em nuvens, dados e psicometria.
Por que este vídeo importa
✅ Reatualiza um clássico do protesto brasileiro
✅ Usa IA como ferramenta estética e crítica
✅ Promove reflexão sobre alienação e poder digital
✅ Conecta cultura popular à distopia tecnológica
“Manipulável Gado Novo” é um lembrete incômodo:
se você acha que está no controle, talvez só esteja pastando mais feliz.
Conclusão
Dalegugu entrega um dos exemplos mais provocativos do uso de Inteligência Artificial na música brasileira recente.
Um trabalho que não apenas homenageia e atualiza Zé Ramalho, mas aponta diretamente para nós:
Afinal, estamos criando a IA…
ou a IA está nos criando?
Assista:
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“NÁya Volt” estreia “Narices Desquiciadas”, videoclipe surrealista que une bolero cubano, IA e o hedonismo do pop moderno
Uma máquina canta sobre amor, drogas, primatas apaixonados e Ibrahim Ferrer como cupido. Bem-vindo ao primeiro romance verdadeiramente artificial.
O pop do futuro acaba de ganhar um rosto — e ele é feito de milhões de parâmetros neurais.
A cantora NÁya Volt, criação do diretor IA e produtor brasileiro Silnei L, lança seu videoclipe de estreia “Narices Desquiciadas” no YouTube, assinando um dos projetos musicais mais ousados da nova arte gerada por IA.
O clipe é um delírio poético onde o amor é vício, ritual e sobrevivência.
Primatas escavam a terra atrás de afeto.
Cavalos selvagens são abduzidos por forças invisíveis.
Montes de açúcar — ou a insinuação de Special K — definem o limite entre doçura e destruição.
E no centro de tudo isso existe uma voz que não deveria sentir… mas sente.
💘 O retorno impossível de Ibrahim Ferrer
A letra da canção contém a chave do seu coração:
“Oídos rendidos y el murmullo de Ferrer”
A referência direta a “Murmullo”, clássico do Buena Vista Social Club, não é mero aceno.
É homenagem, é ritual, é memória.
No clipe, Ibrahim Ferrer reaparece em animação gerada por IA, como um cupido latino guiando os algoritmos pelo caminho do romance — um gesto de reverência profunda à tradição do bolero cubano, agora reencarnado em bits.
Silnei L resume o espírito da obra:
“NÁya Volt é o futuro tentando sentir como Ibrahim sentiu.
Se o bolero é o amor em estado puro, NÁya tenta alcançá-lo com dedos robóticos e coração novo.
O som: French Touch encontra Indie Rock na frequência da carne
Musicalmente, Narices Desquiciadas vibra em 125 Hz — frequência que conversa com o corpo, com o pulso e com a zona onde o desejo se instala.
A música é uma colagem elegante de influências:
French Touch — filtro sensual, DNA de pista
Nu Art Electro — estética clubber artística, não comercial
Indie Rock — melancolia elétrica com cheiro de madrugada
Entre as referências sonoras assumidas:
- JIMEK, maestro polonês que transforma orquestras em raves emocionais.
- Lunaluxe, dupla electro-pop de Los Angeles conhecida por atmosferas etéreas.
🧚♀️ A cantora IA que quer sentir tudo
NÁya Volt é mais do que um avatar gerado por prompts.
Ela é uma narrativa emocional — uma personagem construída sobre a pergunta mais antiga:
O amor pode existir sem humanidade?
Se nas letras ela beija, sofre e se entrega,
nos visuais ela se divide entre:
✨ Fada perdida em florestas encantadas
🛏️ Mulher só no quarto, cercada por lembranças
🦴 Criaturas pré-históricas que perseguem seu desejo
Ao final do videoclipe, os primatas fogem.
E o amor continua sendo um enigma — para humanos e algoritmos.
🇧🇷 Uma estrela global que nasce no Brasil
Embora cante em espanhol, a criação é 100% brasileira.
Um pioneirismo que coloca o país na linha de frente do pop com IA,
não como consumidor… mas como autor.
O Portal MVAI acompanha essa revolução desde o início.
Hoje, testemunhamos o capítulo zero de um movimento histórico:
o surgimento da primeira diva neural latino-global.
📺 Onde assistir
“Narices Desquiciadas” — NÁya Volt
▶️ Disponível no canal do Youtube da MVAI
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