Tecnologia & IA
Pirateados ou remix cultural? A polêmica da Disney contra vídeos gerados por IA
No duelo entre gigantes da cultura pop e as novas fronteiras da inteligência artificial, a tecnologia virou tema de controvérsia no ritmo pesado dos direitos autorais. A The Walt Disney Company — casa de universos como Star Wars e Marvel — notificou extrajudicialmente a chinesa ByteDance, dona do TikTok, exigindo que o polêmico gerador de vídeos por IA Seedance 2.0 seja freado por suposta violação de propriedade intelectual.
Lançado no início de fevereiro de 2026, o Seedance 2.0 rapidamente dominou conversas e feeds nas redes sociais com vídeos gerados por IA que recriam cenas cinematográficas a partir de comandos de texto — incluindo um clipe que mostra Tom Cruise e Brad Pitt em luta urbana hiper-realista. A ferramenta, segundo a Disney, foi pré-embalada com uma “biblioteca pirateada” de personagens protegidos por direitos autorais, tratada como se fosse material de domínio público.
Na carta, os advogados do estúdio acusam a ByteDance de reproduzir, distribuir e criar obras derivadas com figuras icônicas, como Darth Vader, Spider-Man e outras figuras do seu catálogo sem autorização.
O impacto reverberou rápido em Hollywood. Além da notificação da Disney, a Paramount Skydance entrou com um aviso legal semelhante, acusando o uso “bárbaro” de suas propriedades intelectuais. E a Motion Picture Association (MPA) teceu críticas duras ao Seedance 2.0, afirmando que esse tipo de tecnologia representa uma ameaça aos direitos dos criadores.
Do outro lado do ringue tecnológico, a ByteDance disse que respeita os direitos de propriedade intelectual e reforçará mecanismos de proteção para evitar o uso não autorizado de personagens e imagens — mas não detalhou quais serão essas medidas.
O caso levanta questões cada vez mais centrais no universo da criatividade digital: até que ponto a inteligência artificial pode remixar a cultura popular sem atropelar direitos autorais? E, mais ainda, como a indústria cultural — sejam grandes estúdios ou artistas independentes — vai se posicionar diante de uma tecnologia que pode gerar narrativas visuais de forma autônoma, sem passar pelo crivo tradicional de roteiristas, diretores e produtores?
Enquanto isso, o embate entre a tradição da propriedade intelectual e a inovação veloz da IA segue em pauta, com a música e o cinema na linha de frente dessa reconfiguração de sentidos.
Fonte: Reuters
Tecnologia & IA
Suno Studio 1.2 — IA no estúdio, som no controle
A plataforma de inteligência artificial que está mexendo com a forma de fazer música ganhou um novo capítulo. O Suno Studio 1.2, ferramenta integrada à plataforma Suno — fenômeno global de música generativa — acaba de receber uma atualização robusta, oferecendo ainda mais poder criativo para produtores e artistas que já usam inteligência artificial como parceiro de composição e produção.
No cerne desta atualização estão funções pensadas para refinar o fluxo de trabalho dentro do estúdio virtual. Entre as novidades, a ferramenta “Remove FX” promete gerar versões de áudio sem efeitos, limpando reverbs ou compressões aplicadas automaticamente em clipes vocais e instrumentais — ideal para quem quer exportar stems limpos para DAWs tradicionais como Ableton ou Logic Pro.
Outra adição que já está gerando burburinho nas comunidades de produtores é a chegada dos Warp Markers com quantização, recurso que permite ajustar timing e “groove” de trechos com precisão, ou até sincronizar gravações soltas ao grid de tempo do projeto. Essa é uma ponte entre a lógica clássica de produção e a criatividade fluida que a IA oferece.
Os “Alternates” também merecem destaque: agora é possível criar variações de uma mesma gravação ao longo de uma única faixa e ouvi-las lado a lado sem complicar a sessão — uma espécie de “comping” assistido por IA para explorar diferentes ideias em segundos.
Por fim, o Suno Studio abraça ritmos além do tradicional 4/4 ao incluir suporte a assinaturas de tempo inusitadas — de 6/8 a métricas mais complexas como 7/8 ou 11/4 — abrindo espaço para gêneros e experimentações rítmicas que muitas DAWs convencionais tratam como truques avançados.
Lançado sob assinatura Premier da plataforma, o Studio segue consolidando a visão da Suno de misturar a potência criativa da IA com a sensibilidade musical humana — um casamento entre tecnologia de ponta e consciência artística que vem redesenhando como música é imaginada, construída e moldada hoje.
🧠 Como contextualizar (breve background)
Para quem ainda não está familiarizado: o Suno é uma plataforma de inteligência artificial para produção musical que cria canções completas — incluindo vocais e instrumentação — a partir de descrições em texto. Lançada em 2023 e evoluindo rapidamente (inclusive com parcerias de peso e disputas legais no meio), a plataforma agora integra um ambiente tipo DAW no navegador, permitindo geração de música, edição detalhada e exportação de stems e MIDI.
Tecnologia & IA
Suno reforça equipe com veterano Sam Berger para ampliar parcerias com artistas
Suno, uma das plataformas de música generativa por inteligência artificial que mais movimenta o cenário tecnológico da indústria musical, anunciou a contratação do executivo Sam Berger como Senior Director de Artist Partnerships — uma peça-chave para intensificar a conexão entre criadores e tecnologia.
Berger, figura respeitada nos bastidores do mercado fonográfico, traz na bagagem passagens sólidas por empresas influentes como Spotify e Patreon, além de uma carreira marcada por gestão de artistas e estratégias digitais. No início dos anos 2020, ele liderou a estratégia musical do Patreon e fundou a equipe de música da plataforma de livestream Moment House, onde trabalhou com nomes como Justin Bieber, Tame Impala e Anderson .Paak — vendendo mais de 2 milhões de ingressos globalmente antes da aquisição pela própria Patreon.
A contratação de Berger acontece sob o comando de Paul Sinclair, Chief Music Officer da Suno, que também traz experiência de décadas em grandes gravadoras. Para Sinclair, Berger é “um dos parceiros de artistas e gravadoras mais respeitados da indústria”, com um histórico de colocar a visão criativa do artista em primeiro plano enquanto navega por novas fronteiras tecnológicas.
Qual é o plano?
Na prática, Berger ficará focado em desenvolver e escalar parcerias com artistas, gestores e equipes criativas, explorando como a IA pode “apoiar com sensibilidade a criação musical moderna”. A ideia não é substituir músicos com tecnologia, mas construir ferramentas que se integrem ao processo artístico e ampliem possibilidades criativas.
Essa movimentação chega em um momento crítico: a Suno passa por uma espécie de “rebate” de narrativa no mercado. Depois de enfrentar acusações de violação de direitos autorais por grandes gravadoras, a startup alcançou um acordo de licenciamento com Warner Music Group — um movimento que resolvia parte dos litígios e abriu caminho para que artistas optem por permitir o uso de suas vozes, imagens e composições na IA.
Por que isso importa?
A entrada de Sam Berger sinaliza que a Suno não quer apenas ser vista como uma ferramenta de curiosidade ou experimento tecnológico. A empresa busca um papel legítimo no ecossistema musical, aproximando tecnologia e indústria tradicional, enquanto reforça um discurso de colaboração com artistas — uma narrativa que reverbera naqueles que defendem uma IA “pro-artista” e ética.
Analistas e observadores do setor apontam que movimentos como esse redefinem o papel da IA nas carreiras musicais: da criação autônoma para ferramentas de co-criação entre humanos e máquinas, com pontos de contato direto entre músicos e plataformas digitais.
Fonte: Billboard
Tecnologia & IA
Napster renasce como plataforma de criação musical com IA — e joga playlists no museu das relíquias
O ícone que revolucionou a música global no fim dos anos 1990 está oficialmente de volta — mas não como você lembrava. A marca Napster, que em 1999 virou sinônimo de pirataria e democratização do acesso à música, ressurge em 2026 como uma plataforma totalmente orientada à inteligência artificial generativa, lançando um novo app que abandona de vez os catálogos de artistas e as tradicionais playlists em prol de experiências sonoras produzidas em tempo real por IA.
Em vez de oferecer um acervo de músicas licenciadas pelas gravadoras, a nova Napster App (para iOS e Android) se apresenta como um estúdio portátil: o usuário interage com “AI Artists” — artistas artificiais que compõem trilhas únicas conforme o gosto e as instruções de cada ouvinte. Podcasts, trilhas para meditação, áudio para bem-estar e até ferramentas de co-produção musical são gerados no momento e não repetem padrões fixos como uma playlist tradicional.
“Não é mais sobre consumir música, é sobre criá-la com IA”, afirma John Acunto, CEO da Napster, destacando a proposta de transformar fãs em participantes ativos do processo criativo.
A jogada marca um movimento ousado no mercado: Napster aposta que a próxima fronteira da música digital não é descobrir canções, mas inventá-las. Nesse modelo, não existem catálogos com nomes consagrados, nem rankings de faixas populares — cada experiência sonora é moldada por IA a partir de prompts dos usuários.
Outro elemento do novo ecossistema são os AI Companions, agentes de IA com interface de vídeo que colaboram no processo criativo e adaptam conteúdo com base no engajamento do público. A empresa também integrou o app com projetos de hardware e software anteriores, como o sistema Napster View — um display holográfico voltado à interação com IA.
Enquanto alguns fãs veteranos lamentam a perda de suas bibliotecas e playlists tradicionais — e migram para serviços concorrentes —, a nova Napster aposta que quem vem à frente da curva cultural vai abraçar o formato.
O app está disponível globalmente e pode ser acessado também pela web, abrindo um capítulo completamente diferente para uma marca que já foi símbolo de rebeldia tecnológica no cenário musical.
Fonte: TomsGuide
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