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Nasi peitou o medo da inteligência artificial — e fez história com “Perigoso”

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nAsI

Em “nAsI – Artificial Intelligence”, o vocalista do Ira! entregou suas próprias canções à transformação algorítmica, atravessou o samba, o trap, a cumbia e o boogaloo e conquistou o maior público de seu canal com um videoclipe político sobre imigração

Nasi poderia ter escondido a inteligência artificial nos créditos. Poderia ter chamado o processo de experimentação digital, programação musical ou pós-produção avançada. Poderia, sobretudo, ter usado a tecnologia silenciosamente, evitando a reação de uma classe artística que ainda discute direitos autorais, substituição de músicos e os limites éticos das plataformas generativas.

Ele fez o contrário.

Colocou a expressão “Artificial Intelligence” no título do trabalho, estampou uma versão cibernética de si próprio na comunicação visual e declarou, antes mesmo do lançamento, que sabia que receberia críticas. “Alguns vão jogar pedras, mas não estou nem aí”, afirmou ao apresentar o projeto.

Mais do que uma provocação, a frase define o espírito de “nAsI – Artificial Intelligence”, trabalho solo de seis faixas lançado em 24 de abril de 2026 pela Ditto Music. Em vez do rock e do blues normalmente associados à sua carreira, Nasi mergulhou em ritmos latino-americanos e caribenhos, utilizando ferramentas de IA para desmontar e reconstruir músicas de seu próprio catálogo.

O resultado ultrapassou o terreno da curiosidade tecnológica. O videoclipe de “Perigoso” chegou à casa de 1 milhão de visualizações, tornando-se, com enorme distância, o maior sucesso do canal oficial do cantor no YouTube.

A última medição pública indexada antes da virada apontava 997.696 reproduções. No mesmo momento, “Polvo en los Ojos” aparecia com cerca de 132 mil, “Alma Nocturna” com 92 mil e “Ogun” com 37 mil. “Perigoso”, portanto, alcançou mais de sete vezes a audiência do segundo videoclipe mais visto do projeto — uma escala inédita para o canal solo do vocalista do Ira!.

Não é apenas um número. É a confirmação de que o público não rejeitou automaticamente a experiência. Ao contrário: foi justamente a obra mais explicitamente atravessada pela estética, pela narrativa e pela controvérsia da IA que encontrou a maior audiência.

A máquina não compôs a história de Nasi

Existe uma distinção importante. “Artificial Intelligence” não é um álbum de músicas compostas do zero por uma máquina, nem utiliza uma imitação artificial da voz de Nasi.

As seis composições já existiam. Pertencem ao repertório solo do cantor e foram escolhidas por ele para sofrer transformações de gênero, harmonia, arranjo, instrumentação e atmosfera. A voz principal continua sendo a de Nasi, gravada em estúdio. A IA entra como ferramenta de reorganização e geração instrumental, trabalhando a partir de decisões, referências e sucessivas seleções humanas.

O processo começou na colaboração com Augusto Junior, músico ligado ao projeto Fake Music. Segundo Nasi, os primeiros testes eram mais limitados, mas a evolução dos programas permitiu alterar não apenas o acompanhamento, como também estruturas harmônicas e melódicas. As versões geradas eram avaliadas, descartadas ou refinadas até que o artista encontrasse uma direção que pudesse assumir como sua.

A ficha técnica revela um trabalho híbrido. Nasi assina a produção; Augusto Junior aparece como programador de IA e responsável pelas artes de capa e singles; Jeff Berg cuidou da engenharia das gravações, mixagem e masterização. Nanda Moura divide os vocais de “Alma Nocturna”; Johnny Boy participa dos vocais de apoio em “Perigoso”; Jonas Moncaio toca violoncelo em “Feitiço na Rua 23”; e Bruno Belasco grava trompete em “Perigoso”.

É justamente aí que o álbum ganha relevância histórica. Nasi não apresentou a inteligência artificial como substituta absoluta do músico. Criou um laboratório no qual repertório humano, voz real, instrumentistas, programação e produção algorítmica ocupam a mesma gravação.

“Foi uma brincadeira que ficou séria”, resumiu o cantor. Embora tenha dito que o projeto não define obrigatoriamente o futuro de sua carreira, Nasi afirmou não ter dúvidas de que o futuro da música passará pela interação entre o humano e o artificial.

Os seis videoclipes de “Artificial Intelligence”

O projeto não termina no áudio. As seis faixas receberam presença audiovisual no canal oficial de Nasi, formando uma espécie de álbum visual no qual a transformação musical encontra diferentes linguagens de animação, colagem, cinema de gênero e imagens geradas ou trabalhadas com inteligência artificial.

“Corpo Fechado”: o rock entra na roda de samba

Lançada originalmente no álbum “Onde os Anjos Não Ousam Pisar”, de 2006, “Corpo Fechado” possuía uma base de blues e soul ligada à tradição da gravadora Stax. Para o novo projeto, Nasi direcionou a IA a produzir um samba de partido-alto inspirado em nomes como Martinho da Vila, João Nogueira, Agepê e Noriel Vilela.

O primeiro resultado, segundo o cantor, parecia um pagode genérico. Foi descartado. Somente depois que ele passou a fornecer referências mais específicas surgiu a versão definitiva. Essa sequência mostra que a máquina não trouxe uma solução autônoma e perfeita: foi necessário repertório cultural para que Nasi soubesse explicar o que buscava — e discernimento artístico para rejeitar o que não funcionava.

Lançado em 23 de janeiro, quando Nasi completou 64 anos, o single abriu oficialmente o projeto. A arte associada à faixa apresentou uma versão rejuvenescida do cantor na Lapa, aproximando memória musical, cultura popular carioca e fabricação digital. O videoclipe acumulava aproximadamente 8,8 mil visualizações na última medição indexada.

“Feitiço na Rua 23”: trap encontra o cinema de terror

“Feitiço na Rua 23” veio do álbum “Perigoso”, lançado em 2011. Na gravação original, a canção carregava elementos de rockabilly e surf music, além de uma narrativa sombria sobre uma mulher que teria sido afastada do protagonista por meio de um feitiço.

Na nova versão, guitarras e clima retrô cedem espaço ao trap. O violoncelo de Jonas Moncaio acrescenta uma camada humana e dramática à instrumentação predominantemente gerada com IA.

O videoclipe transforma a atmosfera da letra em uma colagem bem-humorada de horror clássico. Imagens e referências a “Drácula”, “Nosferatu” e “A Noite dos Mortos-Vivos” são reorganizadas para acompanhar a atualização sonora. A direção de arte e IA foi creditada a Ruy Araujo, da Motim Underground.

É o vídeo de audiência mais modesta do conjunto, com pouco mais de 360 reproduções na captura consultada. A disparidade, no entanto, ajuda a mostrar como os clipes tiveram trajetórias muito diferentes — e como “Perigoso” rompeu completamente a curva normal do canal.

“Perigoso”: um galo chamado Nasi enfrenta Trump

“Perigoso” é o centro simbólico do álbum.

A composição apareceu originalmente como um country-rock gravado com Renato Teixeira. Na versão de 2026, tornou-se um corrido mexicano, gênero narrativo profundamente ligado à cultura popular do México e que, em uma de suas ramificações, originou os chamados narcocorridos.

Nasi percebeu que o formato permitia aproximar a canção do debate sobre imigração e da tensão na fronteira entre México e Estados Unidos. O videoclipe foi construído como uma animação protagonizada por um galo inspirado no próprio cantor, que entra em confronto com um “galo Trump”.

A fábula denuncia a contradição de uma sociedade que depende historicamente do trabalho de imigrantes, mas passa a apoiar sua perseguição e deportação. É política transformada em desenho animado, corrido digital e sátira — sem esconder a posição de seu autor.

Musicalmente, a gravação preserva elementos humanos importantes: Johnny Boy aparece nos vocais de apoio e Bruno Belasco no trompete. Visualmente, o vídeo trabalha com uma linguagem mais imediatamente comunicativa do que os demais, com personagens reconhecíveis, conflito claro e uma narrativa que pode ser compreendida mesmo fora do contexto do álbum.

Essa combinação ajuda a explicar por que “Perigoso” escapou da bolha habitual do canal. O clipe não depende apenas da novidade de ter sido realizado com IA. Ele possui personagem, antagonista, fronteira geográfica, comentário político e humor visual. A tecnologia é o meio; a história continua sendo o motor.

Ao chegar a 1 milhão de visualizações, “Perigoso” não apenas estabeleceu o recorde do canal solo de Nasi. Também demonstrou que um artista veterano pode usar inteligência artificial sem abandonar sua identidade, sua voz ou sua disposição para o confronto.

“Polvo en los Ojos”: Coltrane atravessa o Caribe

“Polvo en los Ojos” retoma “Poeira nos Olhos”, gravada por Nasi e os Irmãos do Blues em 2001. A composição nasceu como uma adaptação autorizada de “Equinox”, de John Coltrane, e reaparece agora cantada em espanhol e revestida por um arranjo afrocubano próximo do universo do Buena Vista Social Club.

Nasi afirmou ter ficado especialmente impressionado com o naipe de metais produzido para a faixa. O resultado lhe pareceu tão preciso que também revelou uma limitação da tecnologia: a perfeição excessiva pode retirar da música as pequenas oscilações, sujeiras e imperfeições responsáveis pela sensação de presença humana.

Essa tensão — fascínio e desconfiança ao mesmo tempo — é um dos melhores argumentos do álbum. Nasi não se comporta como propagandista ingênuo da IA. Ele se permite admirar a capacidade da ferramenta e, simultaneamente, identificar o ponto em que a execução começa a soar artificial demais.

O videoclipe aparecia como o segundo mais assistido do projeto, com aproximadamente 132 mil visualizações, mostrando que a abertura latino-americana do disco encontrou público para além da faixa viral.

“Alma Nocturna”: tango, cumbia e encontro de vozes

“Alma Noturna” foi lançada em 2015 e nasceu de uma parceria de Nasi e Johnny Boy com Kiko Dinucci, responsável pela letra. A versão original se aproximava dos afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes.

Em “Artificial Intelligence”, a música é traduzida para o espanhol e passa a combinar a dramaticidade do tango com a pulsação dançante da cumbia colombiana. Nanda Moura divide os vocais com Nasi, garantindo que o centro emocional da faixa permaneça diretamente humano.

O videoclipe amplia a dimensão de dueto e de deslocamento cultural presente na gravação. Entre os vídeos do álbum, aparecia com aproximadamente 92 mil visualizações — audiência bastante superior à média histórica do canal antes do novo projeto.

“Ogun”: do blues-rock ao baile porto-riquenho

Gravada originalmente no álbum “Vivo na Cena”, de 2010, “Ogum” era uma composição de blues-rock pesado. Sua nova encarnação, intitulada “Ogun”, troca a massa das guitarras por um boogaloo porto-riquenho, gênero surgido do contato entre ritmos latinos, soul, jazz e rhythm and blues.

O arranjo remete aos momentos mais festivos de Tito Puente e transforma a canção em música de baile. Não se trata de apenas trocar timbres: a nova levada modifica a postura da voz de Nasi, a circulação rítmica e o significado corporal da faixa.

O videoclipe fecha o arco latino do álbum e somava cerca de 37 mil visualizações na medição consultada. É mais um exemplo de como “Artificial Intelligence” permitiu que um cantor identificado há quatro décadas com o rock paulista experimentasse territórios que dificilmente seriam reunidos em um disco convencional.

A repercussão: curiosidade, resistência e cautela

O anúncio do projeto despertou atenção antes mesmo de o álbum ficar pronto. A Folha de S.Paulo apresentou Nasi como o primeiro artista brasileiro de grande reconhecimento a preparar um álbum desse tipo e descreveu sua atitude como a de alguém disposto a “abraçar o monstro” que boa parte da classe musical teme.

A Rolling Stone Brasil adotou uma distinção importante: as músicas não foram criadas pela IA, já que pertenciam previamente ao repertório de Nasi. A tecnologia foi usada para produzir novas versões e reorganizar o material existente. Essa formulação evita tanto o exagero promocional quanto a falsa ideia de que o cantor apenas apertou um botão e aceitou o primeiro resultado.

Band, Novabrasil, Kiss FM, R7, Blog n’Roll, Sonoridade Underground e outros veículos destacaram a passagem do rock para gêneros como samba, trap, corrido, cumbia, tango e boogaloo. A cobertura foi majoritariamente curiosa e descritiva: reconheceu o caráter experimental, explicou o processo híbrido e reproduziu a defesa de Nasi de que a IA deveria funcionar como ferramenta de interação, não como destino único da música.

A repercussão internacional, porém, ainda não possui a mesma dimensão da cobertura brasileira. O peso histórico do projeto está, por enquanto, menos em uma consagração crítica global e mais na posição ocupada por Nasi: a de um artista popular, com uma carreira consolidada desde a explosão do rock brasileiro, assumindo publicamente uma tecnologia que muitos de seus contemporâneos preferem combater ou ignorar.

Nasi e Timbaland: pioneiros, mas com uma ressalva histórica

Colocar Nasi ao lado de Timbaland é uma comparação pertinente — desde que se explique o recorte.

Em 2025, Timbaland lançou a empresa Stage Zero e apresentou TaTa, uma artista virtual construída com ferramentas de inteligência artificial. O produtor, que também se tornou consultor da plataforma Suno, passou a defender uma nova categoria chamada por ele de “A-Pop”. Sua proposta não é apenas usar IA nos arranjos, mas desenvolver personagens, propriedade intelectual e sistemas inteiros de produção musical artificial.

Nasi segue pelo caminho oposto e complementar. Em vez de fabricar uma artista virtual, parte de uma autoria inequivocamente humana: sua voz, suas composições, sua biografia, sua interpretação e seu posicionamento político. A IA é convocada para fazer o repertório atravessar fronteiras estilísticas que talvez fossem inviáveis em uma produção convencional.

Nesse sentido específico — artistas veteranos, consagrados pela indústria tradicional e dispostos a colocar a IA generativa no centro público de um novo projeto — Nasi e Timbaland realmente formam uma dupla rara.

Mas não seria historicamente correto afirmar que foram os únicos pioneiros mundiais. Em 2018, Taryn Southern lançou “I AM AI”, álbum pop composto com auxílio de sistemas como Amper Music, IBM Watson Beat, NSynth e AIVA. Em 2019, Holly Herndon lançou “PROTO”, trabalhando com Spawn, uma inteligência artificial treinada em sessões com vozes humanas.

A formulação mais forte e defensável é outra: Nasi está entre os primeiros grandes nomes da música popular brasileira e entre os raros veteranos do rock mundial a assumir frontalmente a inteligência artificial generativa como eixo de um álbum e de sua identidade audiovisual. No cenário internacional da música mainstream contemporânea, Timbaland é seu paralelo mais evidente.

Nasi não pediu desculpas por experimentar

O aspecto mais radical de “Artificial Intelligence” talvez não esteja nos instrumentos artificiais, nas animações ou nas traduções para o espanhol.

Está na ausência de pedido de desculpas.

Nasi não apresentou o álbum como uma demonstração tecnológica neutra. Também não fingiu que a ferramenta não levantava problemas. Reconheceu que a perfeição pode desumanizar uma gravação, defendeu a participação de músicos e afirmou que o caminho ideal seria a colaboração entre IA, instrumentistas e arranjadores.

Ao mesmo tempo, recusou o medo como política criativa.

O vocalista do Ira! entregou à máquina canções que já haviam sobrevivido ao blues, ao rock, aos palcos e ao tempo. Depois, escolheu o que permanecia, gravou novamente sua voz e transformou os resultados em uma obra assinada. Não permitiu que a inteligência artificial falasse por ele; obrigou a tecnologia a entrar em seu universo.

“Perigoso” chegar a 1 milhão de visualizações é a consequência mais visível dessa coragem. Um clipe produzido fora da estrutura das grandes gravadoras, publicado em um canal de pouco mais de mil inscritos e protagonizado por uma animação política atravessou a barreira que nenhum outro vídeo solo de Nasi havia alcançado.

Pode-se gostar ou não do resultado. Pode-se questionar a qualidade de determinadas gerações, a procedência dos bancos de treinamento e o impacto econômico dessas ferramentas. São debates necessários.

O que já não pode ser negado é que Nasi esteve lá.

Enquanto boa parte da música brasileira discutia se deveria abrir a porta, ele entrou, observou o monstro de perto, colocou-o para tocar samba, trap, corrido mexicano, cumbia e boogaloo — e saiu do outro lado com o maior videoclipe de seu canal.

Nasi peitou o medo. E, com “Artificial Intelligence”, escreveu um dos primeiros capítulos realmente populares da música generativa brasileira.

Co-criador do Mochileiros.com, do Coletivo Mariachi e da MVAI. Pedreiro da web desde 1997, midiativista e lúmpen escrevinhador. Responsável pela inserção do verbete "Mochileiro" e "Midiativismo" na Wikipedia em Português.

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Música

Rolling Stones usam IA em videoclipe, mas traçam limite para a música

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Mick Jagger

Vocalista dos Rolling Stones afirma que músicos podem utilizar inteligência artificial, desde que apresentem ideias próprias e não tentem reproduzir artistas sem autorização.

Mick Jagger não declarou guerra à inteligência artificial. Apesar de algumas manchetes sugerirem uma rejeição completa à música criada com IA, a posição do vocalista dos Rolling Stones é mais específica: a tecnologia pode ser utilizada, mas não deveria servir apenas para copiar outros artistas.

“Se alguém quiser fazer música com IA, vá em frente. Mas ela precisa ser original”, afirmou Jagger durante uma entrevista de capa concedida à Billboard. Segundo ele, o criador ainda precisa colocar suas próprias ideias, escolhas e pensamentos no trabalho.

O músico se mostrou especialmente contrário à criação de canções que reproduzam artificialmente sua voz, sua interpretação ou o estilo dos Rolling Stones. Jagger classificou como errado o lançamento de músicas capazes de soar exatamente como a banda sem sua participação ou consentimento.

“Há pessoas que usam IA para criar uma música do zero no estilo dos Rolling Stones. Se você fosse realmente uma pessoa criativa, não faria isso”, declarou.

Os Rolling Stones também utilizaram IA

A posição pode parecer contraditória porque os próprios Rolling Stones recorreram à tecnologia no videoclipe de “In the Stars”, faixa do álbum Foreign Tongues. O vídeo empregou deepfake para colocar versões rejuvenescidas dos rostos de Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood sobre músicos reais.

Jagger explicou que as pessoas, os instrumentos e o ambiente filmado eram reais. A alteração digital aconteceu principalmente nos rostos. Keith Richards também sugeriu que efeitos desse tipo podem encontrar um lugar adequado nos videoclipes, embora tenha dito preferir ouvir algo original a uma criação baseada em cópias.

Jagger ainda reconheceu que a IA pode acelerar trabalhos técnicos e tarefas repetitivas dentro do estúdio. Para ele, porém, as músicas ainda precisam ser escritas, interpretadas e conduzidas por pessoas.

A declaração coloca o cantor em uma posição menos radical do que a manchete inicialmente sugere. Jagger não rejeita necessariamente a música feita com inteligência artificial. Ele rejeita a substituição da autoria por imitação.

É uma distinção que começa a ganhar espaço na indústria: não apenas decidir se a IA deve ser utilizada, mas estabelecer consentimento, licenciamento, transparência e participação humana. A própria IFPI afirma defender modelos nos quais a tecnologia seja empregada para apoiar a criatividade, sem substituir artistas ou desrespeitar seus direitos.

Para Mick Jagger, portanto, a fronteira não está entre música humana e música artificial. Está entre usar uma ferramenta para criar algo próprio e usar uma máquina para se apropriar da identidade de outra pessoa.

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Música

Banda Nami: autoria humana, desejo em 125 Hz e uma viagem pioneira pela música gerada por inteligência artificial

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Banda Nami

A Banda Nami é um projeto musical brasileiro de autoria humana criado com o apoio da inteligência artificial. Idealizada pelo compositor, produtor e diretor artístico Silnei L. Andrade, a banda combina letras autorais, personagens virtuais, música generativa e videoclipes produzidos integralmente com ferramentas de IA.

Criada em março de 2025, a Banda Nami está entre os primeiros projetos da nova geração da música generativa a lançar um EP autoral nas plataformas de streaming e desenvolver uma identidade audiovisual completa. O trabalho de estreia, Viagem à Lua, chegou às lojas digitais em 23 de abril de 2025.

Mais do que uma experiência tecnológica, a Banda Nami defende um princípio central: a inteligência artificial pode ampliar a capacidade de criação sem eliminar a autoria humana. As letras, os conceitos, as narrativas, a curadoria e a direção artística são de Silnei L. Andrade. A IA foi utilizada como ferramenta para transformar essas decisões em vozes, instrumentos, arranjos, imagens e movimentos.

Quem é a Banda Nami?

A Banda Nami é uma banda virtual brasileira criada pelo compositor e produtor Silnei L. Andrade com ferramentas de inteligência artificial. O projeto lançou em abril de 2025 o EP Viagem à Lua, com letras humanas autorais, produção musical generativa, personagens virtuais e videoclipes realizados com IA.

Como surgiu a Banda Nami

A primeira música da Banda Nami foi criada em 28 de março de 2025, utilizando a plataforma de inteligência artificial musical Suno.

Poucos dias depois, em 8 de abril de 2025, a banda publicou seu primeiro videoclipe e começou a construir sua presença oficial no YouTube.

Em 23 de abril de 2025, o EP de estreia, “Viagem à Lua”, chegou às lojas digitais e plataformas de streaming.

A sequência de lançamentos coloca a Nami entre os primeiros projetos da nova geração da música com IA a surgir já com uma estrutura semelhante à de uma banda contemporânea:

A Nami não foi concebida como uma coleção de faixas aleatórias geradas por comandos isolados. Desde o início, nasceu como um projeto artístico completo.

Por que a Banda Nami é uma das pioneiras da música com IA

Experimentos envolvendo música e inteligência artificial existiam muito antes de 2025. Pesquisadores, programadores e artistas já utilizavam algoritmos, redes neurais, sistemas generativos e personagens virtuais em diferentes tipos de produção musical.

Por isso, não seria historicamente correto afirmar que a Nami foi a primeira experiência musical do planeta envolvendo IA.

Seu pioneirismo está em uma combinação mais específica.

A Nami pertence à primeira geração de bandas criadas com plataformas modernas de IA generativa de texto para música, capazes de transformar instruções, letras e direções estilísticas humanas em canções completas.

Quando Viagem à Lua foi lançado, em abril de 2025, a explosão internacional das bandas artificiais nas plataformas de streaming ainda não havia alcançado sua maior repercussão.

Não existe um arquivo internacional que registre cronologicamente todos os projetos criados com ferramentas como Suno e Udio. Portanto, a formulação editorial mais precisa e defensável é:

A Banda Nami foi uma das primeiras bandas de IA do mundo a lançar um EP autoral nas plataformas de streaming e a desenvolver uma identidade audiovisual completa, incluindo um videoclipe produzido 100% com inteligência artificial.

Mais importante do que disputar uma placa de primeiro lugar é compreender o que tornou o projeto diferente.

A Nami utilizou a inteligência artificial para construir uma obra com conceito, narrativa, autoria e identidade.

A IA como ferramenta de autoria humana

O debate sobre música generativa frequentemente apresenta uma falsa oposição: ou a música seria humana, ou teria sido criada por inteligência artificial.

A experiência da Nami demonstra que essa relação pode ser mais complexa.

Todas as letras do EP Viagem à Lua foram compostas por Silnei L.. O produtor também definiu os assuntos, as estruturas, as referências estilísticas, o universo narrativo e a direção visual da banda.

A plataforma generativa foi empregada para interpretar essas decisões e transformá-las em vozes, instrumentos e arranjos.

Esse processo não significa que a ferramenta seja a autora da obra.

Um sintetizador não se torna compositor por produzir um timbre. Uma câmera não se torna diretora ao registrar uma cena. Um programa de edição não é o autor de um filme apenas porque foi utilizado na montagem.

Da mesma forma, a IA generativa pode participar da materialização de uma obra sem eliminar a autoria de quem escreveu, dirigiu, selecionou, reorganizou e aprovou o resultado final.

Na Nami, a tecnologia não substitui a intenção.

Ela amplia a capacidade de realizá-la.

“Viagem à Lua”: desejo, tecnologia e romantismo digital

O EP Viagem à Lua possui um universo próprio.

Suas músicas atravessam temas como amor, desejo, encontros digitais, memória, cidades, tecnologia, espaço e tempo.

A sonoridade mistura referências de synthpop, indie eletrônico, post-punk, MPB, nu electro e French Touch. As faixas não foram pensadas para copiar integralmente um artista ou gênero específico, mas para construir uma personalidade reconhecível para a banda.

O repertório transforma a vida contemporânea em uma espécie de ficção científica emocional.

Aplicativos de relacionamento convivem com estrelas. Ruas brasileiras se encontram com nebulosas. O amor atravessa telas, algoritmos, distâncias e universos.

Essa unidade diferencia Viagem à Lua de uma simples sequência de músicas geradas automaticamente.

Existe um autor escolhendo o que deseja comunicar.

Existe uma obra organizando essas escolhas.

O desejo como frequência criativa

Um dos elementos conceituais utilizados na criação do EP foi o número 125, associado ao desejo no chamado Mapa da Consciência, desenvolvido pelo psiquiatra e escritor espiritual David R. Hawkins.

Hawkins organizou estados emocionais e espirituais em uma escala logarítmica que vai de 1 a 1.000. Nesse sistema, o desejo ocupa o nível 125, abaixo da raiva, situada em 150, e acima do medo, localizado em 100. O próprio material oficial do autor descreve os números como níveis de calibração de uma progressão logarítmica, e não como frequências sonoras medidas em hertz.

Na leitura de Hawkins, o desejo representa a atração por algo externo: vontade, ambição, busca, prazer, apego, sedução e necessidade de possuir ou alcançar alguma coisa.

É uma energia capaz de movimentar a pessoa, embora também possa aprisioná-la na insatisfação permanente.

A Nami transformou esse conceito espiritual em uma experiência sonora.

Durante a produção das músicas na Suno, Silnei L. utilizou referências a 125 Hz, convertendo artisticamente o nível 125 do Mapa da Consciência em uma frequência presente na direção musical do projeto.

Assim, é necessário distinguir duas coisas:

125, na obra de Hawkins, é o nível simbólico associado ao desejo em sua escala espiritual.

125 Hz, na produção da Nami, é a interpretação sonora criada pelo produtor a partir desse conceito.

A relação entre os dois não é uma equivalência estabelecida pela física, pela neurociência ou pela psicologia. Trata-se de uma escolha artística e conceitual.

O número foi transformado em frequência para dar ao álbum uma assinatura ligada ao desejo.

O que representa uma frequência de 125 Hz

Na acústica, hertz é uma unidade física utilizada para indicar quantas oscilações ocorrem por segundo.

Uma frequência de 125 Hz pertence à região grave do espectro sonoro. Ela pode ser percebida como corpo, pulsação, densidade e presença, dependendo da instrumentação, da mixagem e do equipamento utilizado para reproduzir a música.

Na Nami, essa região sonora foi explorada simbolicamente como o lugar do desejo.

Não apenas o desejo romântico ou sexual, mas também o desejo de alcançar alguém, atravessar uma distância, recuperar uma memória, viver novamente uma experiência ou escapar das limitações do mundo físico.

O desejo movimenta praticamente todas as canções de Viagem à Lua.

Há o desejo de encontrar.

O desejo de ser visto.

O desejo de voltar.

O desejo de permanecer.

O desejo de atravessar o espaço e o tempo para alcançar outra pessoa.

Os 125 Hz passaram, portanto, a funcionar como uma espécie de código invisível do álbum.

Uma referência espiritual, não uma medição científica

O Mapa da Consciência de David Hawkins é amplamente utilizado em círculos de espiritualidade, desenvolvimento pessoal e terapias integrativas.

O próprio sistema é apresentado por seus responsáveis como uma classificação de campos de energia e níveis de consciência, baseada em uma escala logarítmica de 1 a 1.000.

Entretanto, seus níveis não devem ser tratados como medições científicas de emoções em hertz.

Não existe consenso científico de que sentimentos como desejo, amor, medo ou vergonha possuam frequências acústicas fixas que possam ser medidas da mesma forma que uma nota musical ou uma onda sonora.

No universo da Banda Nami, a escala de Hawkins funciona como referência filosófica, espiritual e poética.

A arte não precisa transformar uma metáfora em lei científica para extrair significado dela.

Pode utilizar símbolos, números, mitologias e sistemas espirituais para criar novas experiências.

Foi o que aconteceu com os 125 Hz de Viagem à Lua.

Um álbum movido pelo desejo

A escolha do desejo como eixo simbólico combina diretamente com as letras do EP.

Em “Deu Match”, o desejo nasce dentro da linguagem dos aplicativos e tenta atravessar a tela para se transformar em encontro.

Em “Espaço-Tempo”, o sentimento assume dimensões cósmicas. O desejo procura romper as barreiras da distância e transformar o universo em espaço íntimo.

Em “Outra Vez”, desejo e conflito aparecem juntos. A relação ameaça terminar, mas os personagens continuam atraídos para o mesmo ponto.

Em “Particularmente”, a vontade de alcançar outra pessoa atravessa ruas, cidades e paisagens afetivas.

Em “Via Láctea”, o desejo deixa de ser apenas carência e se torna movimento em direção ao outro.

Até as faixas mais sombrias carregam essa força.

O desejo é o combustível da viagem.

O primeiro videoclipe da Banda Nami

Em 8 de abril de 2025, a Banda Nami lançou o videoclipe de “Particularmente”, produzido inteiramente com ferramentas de inteligência artificial.

Personagens, cenários, movimentos e atmosferas foram construídos digitalmente sob direção humana.

O videoclipe mistura romance, cidade, sonho e ficção científica. Ele apresentou visualmente uma banda que não existe fisicamente da forma tradicional, mas possui identidade, história e linguagem próprias.

A IA gerou os elementos visuais.

A direção humana determinou quais imagens seriam utilizadas, quais seriam descartadas, em que ordem apareceriam e que sentimentos deveriam transmitir.

Por isso, dizer que o videoclipe foi produzido 100% com IA não significa dizer que nasceu sem autoria.

A ferramenta criou os materiais.

O autor construiu a obra.

Uma nova maneira de formar uma banda

Durante décadas, formar uma banda exigia reunir músicos, instrumentos, estúdio, produtores, técnicos, gravadora, equipe visual e canais de distribuição.

A inteligência artificial generativa não elimina a importância desses profissionais. Também não substitui a experiência humana de tocar, ensaiar e criar coletivamente.

Ela abre, porém, uma nova possibilidade.

Uma pessoa com repertório, ideias e capacidade de direção pode escrever letras, experimentar arranjos, criar vozes, desenvolver personagens e produzir um universo audiovisual que antes exigiria uma grande estrutura financeira.

Isso democratiza os meios de produção.

Pessoas que sempre tiveram histórias para contar, mas não possuíam acesso a estúdios, músicos ou equipes profissionais, passam a ter ferramentas para transformar essas ideias em obras.

Esse é um dos princípios centrais da Nami:

A inteligência artificial não precisa apagar a autoria humana. Ela pode permitir que mais autores finalmente consigam realizar aquilo que imaginam.

Contra a produção automática sem identidade

A facilidade de gerar música também criou um problema: a publicação em massa de faixas sem conceito, curadoria ou intenção artística.

A Nami propõe o caminho contrário.

O projeto não foi criado para inundar plataformas com milhares de músicas aleatórias.

As faixas foram selecionadas, conectadas e organizadas para formar um EP.

Há um conceito central.

Há recorrência temática.

Há identidade visual.

Há direção humana.

A diferença não está apenas na ferramenta utilizada, mas na existência de uma visão artística por trás dela.

Apertar um botão pode gerar um arquivo sonoro.

Construir uma obra exige intenção, escolha e responsabilidade.

Transparência desde o início

A Nami nunca tentou esconder o uso de inteligência artificial.

A tecnologia faz parte do conceito da banda, de sua estética e de sua apresentação pública.

Essa transparência é essencial em um momento no qual o mercado musical discute como identificar conteúdos integralmente gerados por IA e como diferenciar esses materiais de obras humanas que receberam assistência tecnológica.

Reconhecer o uso da ferramenta não significa apagar o autor.

Ao contrário: permite compreender melhor onde está a participação humana.

No caso da Nami, ela está nas letras, nos conceitos, nas decisões, na curadoria e na direção do projeto.

O futuro não precisa ser humano contra máquina

A história da música sempre foi atravessada por novas tecnologias.

A guitarra elétrica, os sintetizadores, os samplers, as baterias eletrônicas, os computadores e os programas de correção vocal já foram vistos como ameaças à música.

Com o tempo, tornaram-se instrumentos incorporados à criação contemporânea.

A inteligência artificial representa uma mudança ainda mais profunda, porque consegue gerar elementos que anteriormente dependiam diretamente da execução humana.

Ainda assim, a pergunta fundamental permanece:

Existe uma visão humana orientando a obra?

Na Banda Nami, existe.

A inteligência artificial não decidiu espontaneamente formar uma banda chamada Nami.

Não escolheu sozinha escrever sobre desejo, aplicativos, memória, cidades ou espaço-tempo.

Não transformou por conta própria o nível 125 de uma escala espiritual em uma experiência sonora de 125 Hz.

Essas decisões partiram de um autor.

Banda Nami e o início da música generativa brasileira

A primeira música da Banda Nami foi criada em 28 de março de 2025.

Seu primeiro videoclipe foi lançado em 8 de abril de 2025.

O EP Viagem à Lua chegou às plataformas de streaming em 23 de abril de 2025.

A cronologia posiciona a Nami entre as primeiras bandas da era da IA generativa a lançar uma obra autoral completa, distribuí-la comercialmente e apresentar uma identidade audiovisual produzida com a mesma tecnologia.

O pioneirismo do projeto não está apenas em utilizar inteligência artificial.

Está em defender uma forma de criação na qual a ferramenta permanece subordinada à visão humana.

Viagem à Lua é um álbum sobre amor, tecnologia e deslocamento.

Também é um álbum sobre desejo.

O desejo classificado simbolicamente no nível 125 por David Hawkins foi transformado pela Nami em 125 Hz: uma pulsação grave, conceitual e emocional que atravessa o trabalho.

A inteligência artificial forneceu novas possibilidades.

Mas foi o desejo humano que colocou a banda em movimento.

Ficha técnica

Projeto: Banda Nami
EP: Viagem à Lua
Primeira música criada: 28 de março de 2025
Primeiro videoclipe: 8 de abril de 2025
Lançamento do EP: 23 de abril de 2025
Letras: Silnei L.
Produção e direção artística: Silnei L.
Plataforma principal de geração musical: Suno
Produção visual: ferramentas de inteligência artificial generativa
Referência conceitual: nível 125 — desejo — do Mapa da Consciência de David R. Hawkins
Interpretação sonora do conceito: 125 Hz
Gêneros: synthpop, indie eletrônico, post-punk, MPB, nu electro e French Touch
Conceito central: autoria humana potencializada por inteligência artificial

Perguntas frequentes sobre a Banda Nami

O que é a Banda Nami?

A Banda Nami é um projeto musical brasileiro de autoria humana que utiliza inteligência artificial na criação de vozes, instrumentos, arranjos, personagens e videoclipes. As letras, os conceitos e a direção artística são do compositor e produtor Silnei L. Andrade.

Quem criou a Banda Nami?

A Banda Nami foi criada pelo compositor, produtor e diretor artístico brasileiro Silnei L. Andrade. A primeira música do projeto foi produzida em 28 de março de 2025.

A Banda Nami é totalmente criada por inteligência artificial?

A inteligência artificial é utilizada como ferramenta de produção musical e visual. Entretanto, as letras, os temas, os conceitos, a seleção dos resultados, a montagem e a direção artística são humanos.

Qual é o primeiro EP da Banda Nami?

O primeiro EP da Banda Nami se chama Viagem à Lua. O trabalho chegou às plataformas de streaming em 23 de abril de 2025 e reúne influências de synthpop, indie eletrônico, post-punk, MPB, nu electro e French Touch.

Onde ouvir a Banda Nami?

As músicas da Banda Nami podem ser encontradas nas principais plataformas de streaming. O projeto também possui canal oficial no YouTube, páginas de letras e um repertório disponível em plataformas musicais.

Por que o EP Viagem à Lua utiliza 125 Hz?

O número 125 foi inspirado no nível associado ao desejo no Mapa da Consciência de David R. Hawkins. A utilização de 125 Hz pela Banda Nami é uma interpretação artística dessa referência espiritual, e não uma equivalência científica entre emoções e frequências sonoras.

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Música

A IA pode fazer pelo videoclipe o que o home studio fez pela música

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Promptado, editado e publicado

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ia videoclipe home studio musica

Assim como o computador doméstico permitiu que músicos gravassem fora dos grandes estúdios, a inteligência artificial pode permitir que artistas independentes criem videoclipes, visualizers e universos visuais sem depender de orçamentos milionários.

Durante décadas, fazer música ficou mais barato. Fazer imagem, não.

Um artista independente podia gravar uma faixa no quarto, produzir beats no notebook, mixar em casa, distribuir no streaming e divulgar nas redes sociais. Mas, quando chegava a hora de transformar aquela música em videoclipe, a conversa mudava: câmera, equipe, locação, direção de arte, fotografia, figurino, edição, cor, pós-produção, transporte, alimentação, diária, equipamento.

O home studio democratizou a gravação musical. A inteligência artificial pode democratizar a linguagem visual da música.

Não porque a IA “faz tudo sozinha”. Esse é o erro. A IA importa quando entra como ferramenta de direção, prototipagem, criação de mundos, visualizers, cenários, efeitos, narrativas e experimentação estética. Em outras palavras: a IA pode virar o home studio do videoclipe.

A velha barreira: clipe sempre foi caro

O videoclipe nasceu como uma das linguagens mais livres da cultura pop, mas também como uma das mais caras.

Nos anos 1980 e 1990, quando a MTV ajudou a transformar clipes em uma linguagem global, a produção audiovisual ainda dependia de infraestrutura pesada. Grandes artistas tinham acesso a diretores, produtoras, câmeras, estúdios, coreografias, cenários e pós-produção. Artistas pequenos, em geral, não.

Mesmo depois da internet, do YouTube e das câmeras digitais, a barreira continuou existindo. Ficou mais fácil filmar, mas não necessariamente ficou fácil criar um universo visual consistente. Um bom videoclipe ainda exige direção, conceito, tempo, equipe e dinheiro.

Enquanto isso, a música passou por uma transformação radical. O computador pessoal, os softwares de gravação, os plugins, o MIDI e as DAWs permitiram que músicos gravassem, editassem e mixassem em casa. O home studio abriu caminho para cenas inteiras nascerem fora da indústria tradicional, dos quartos aos pequenos estúdios de bairro.

Agora, a pergunta é inevitável: se o computador doméstico descentralizou a produção musical, a IA pode descentralizar a produção audiovisual da música?

A resposta curta: pode. Mas só se for usada com autoria humana.

O que a IA muda na prática

A IA generativa de vídeo muda o jogo porque reduz a distância entre ideia e imagem.

Antes, um músico independente podia imaginar um clipe em Marte, uma cidade cyberpunk, um romance subaquático, uma perseguição em animação ou um show dentro de um sonho. Mas imaginar era barato. Produzir era caro.

Com ferramentas de IA, esse artista pode começar a transformar referências, letras, emoções e conceitos em imagens. Pode criar um visualizer para uma faixa. Pode testar cenas. Pode gerar frames de direção de arte. Pode experimentar personagens, paletas, texturas, mundos, movimentos de câmera e atmosferas antes de gastar dinheiro com produção tradicional.

O impacto prático aparece em várias frentes:

Um artista pode lançar mais conteúdo visual, em vez de depender de um único clipe caro por ano.

Uma banda pode criar uma identidade estética para um EP inteiro, com capas, teasers, visualizers, lyric videos e vídeos curtos conectados.

Um produtor pode transformar uma música instrumental em uma narrativa visual.

Um rapper independente pode criar um clipe com estética cinematográfica mesmo sem gravar em uma grande locação.

Uma cantora de periferia pode desenvolver um universo visual próprio sem esperar aprovação de gravadora, edital ou agência.

Guias recentes sobre IA para músicos independentes já tratam visualizers, vídeos curtos e geradores de vídeo como parte do novo kit de divulgação musical para TikTok, Instagram e YouTube.

Isso não elimina o videoclipe tradicional. Não elimina filmagem real. Não elimina diretor, fotógrafo, editor, figurinista, motion designer ou artista 3D. Mas amplia a caixa de ferramentas.

A questão deixa de ser: “tenho dinheiro para fazer um clipe?”

E passa a ser: “que linguagem visual eu consigo construir para essa música?”

A diferença entre automação e direção autoral

Aqui está o ponto central: existe uma diferença enorme entre apertar um botão e dirigir uma obra.

Automação é pedir para uma ferramenta gerar imagens genéricas com base em uma música.

Direção autoral é outra coisa.

Direção autoral envolve conceito, escolha estética, narrativa, ritmo, montagem, coerência, intenção e revisão. Envolve decidir o que a música quer dizer visualmente. Envolve saber quando usar IA, quando usar imagem real, quando usar arquivo, quando usar animação, quando usar glitch, quando usar colagem, quando deixar o vídeo respirar.

A IA não substitui a direção. Ela aumenta a capacidade de direção de quem antes não tinha recursos.

Esse é o paralelo com o home studio. O computador não transformou automaticamente qualquer pessoa em grande produtor musical. Ele deu acesso às ferramentas. Quem tinha repertório, escuta, obsessão, linguagem e disciplina conseguiu construir algo novo.

Com vídeo, a lógica é parecida.

A IA pode gerar imagens, mas não cria sozinha uma visão artística consistente. Quem cria a obra é quem seleciona, recusa, edita, combina, reinterpreta e dá sentido.

Por isso, o debate mais importante não é “IA sim ou IA não”. É: quem está dirigindo?

O risco: spam visual, cópia de estilos e apagamento de profissionais

A defesa da IA como ferramenta democrática não pode ignorar seus riscos.

O primeiro risco é o spam visual. A internet já está sendo inundada por vídeos gerados em massa, feitos para capturar atenção rápida, sem linguagem, sem contexto e sem compromisso artístico. O fenômeno tem sido descrito como “AI slop”: conteúdo artificial de baixa qualidade, produzido em escala para ocupar feeds, gerar cliques e explorar algoritmos.

O segundo risco é a cópia de estilos. A IA pode facilitar a imitação de artistas visuais, diretores, animadores, fotógrafos e movimentos estéticos sem crédito, licença ou diálogo. Esse problema aparece tanto no audiovisual quanto na música, especialmente quando modelos são treinados com obras protegidas ou quando usuários tentam reproduzir a identidade de criadores vivos. O U.S. Copyright Office reconhece que o treinamento de modelos com obras protegidas é uma das questões centrais do debate atual sobre IA e direitos autorais.

O terceiro risco é o apagamento de profissionais. Se produtoras, gravadoras e marcas tratarem a IA apenas como substituição barata de equipes, o resultado pode ser precarização. O problema não é a ferramenta. O problema é o modelo de uso.

O quarto risco é a falsa autoria. Já existem casos de projetos musicais criados com IA que geraram controvérsia por parecerem bandas ou artistas reais sem transparência suficiente. Também há preocupação crescente com vozes, rostos, identidades e estilos usados sem autorização.

Por isso, qualquer defesa séria da IA na música precisa incluir limites.

Não basta dizer que a tecnologia democratiza. É preciso perguntar: democratiza para quem? Com quais dados? Com quais créditos? Com qual transparência? Com qual proteção para artistas humanos?

A oportunidade: músicos independentes com linguagem audiovisual própria

Mesmo com todos os riscos, a oportunidade é grande demais para ser ignorada.

A história da música mostra que novas ferramentas baratas não acabam com a arte. Muitas vezes, elas criam novas cenas.

O punk não esperou virtuosismo técnico para existir. O hip hop nasceu da apropriação criativa de toca-discos, samples, colagens e tecnologias disponíveis. A música eletrônica cresceu com drum machines, sintetizadores, samplers e softwares. O funk, o trap, o bedroom pop e várias cenas independentes se fortaleceram quando a produção musical saiu dos grandes estúdios e foi para casas, quartos, pequenos setups e computadores acessíveis.

A IA pode provocar algo parecido na imagem.

Imagine artistas que antes lançavam apenas uma capa estática agora criando universos visuais completos para cada single. Imagine cenas locais criando estéticas próprias: tecnobrega sci-fi, rap amazônico futurista, hyperpop periférico, indie nordestino em animação surreal, metal experimental com visualizers cósmicos, samba eletrônico com colagens de arquivo e futuro.

A grande revolução não é apenas fazer “clipe barato”. É permitir que mais artistas pensem visualmente.

O videoclipe sempre foi mais do que publicidade de música. Ele é território de linguagem. É onde som, corpo, moda, cinema, performance, design, dança, tecnologia e cultura jovem se encontram.

Quando mais artistas podem criar imagem, mais mundos aparecem.

O princípio MVAI: IA com autoria humana

O princípio MVAI é simples: IA com autoria humana.

Isso significa defender o uso de inteligência artificial como ferramenta, não como substituto integral da criação. A IA pode gerar cenas, testar ideias, acelerar processos, baratear produção e abrir caminhos. Mas a obra precisa ter direção humana, intenção humana e responsabilidade humana.

Esse princípio se aproxima do entendimento atual do U.S. Copyright Office, que afirma que obras com material gerado por IA podem ser protegidas quando há contribuição criativa humana suficiente. A orientação também diferencia obras em que a IA funciona como instrumento de assistência daquelas em que os elementos expressivos foram concebidos e executados pela máquina.

Para o MVAI, isso significa:

A música precisa ter artista, contexto e intenção.

O videoclipe precisa ter direção, conceito e curadoria.

A IA precisa ser usada de forma transparente.

Referências devem inspirar, não virar cópia preguiçosa.

Profissionais do audiovisual devem ser incorporados ao processo sempre que possível.

A tecnologia deve ampliar acesso, não apagar pessoas.

A pergunta não é se um clipe usou IA. A pergunta é se existe autoria por trás dele.

IA não é atalho para falta de repertório

Existe uma ilusão comum: achar que a IA resolve a falta de ideia.

Não resolve.

Ela pode até gerar imagens bonitas. Mas imagens bonitas não bastam. Um videoclipe precisa de ritmo, atmosfera, coerência e relação com a música. Precisa entender a letra, o gênero, o público, o artista, a cena e o momento cultural.

Sem repertório, a IA tende ao genérico: neon cyberpunk, astronauta triste, cidade futurista, mulher flutuando, olhos brilhando, explosões cósmicas, glitch sem sentido.

Com repertório, ela pode virar linguagem.

A diferença está no olhar humano. Está na escolha de uma estética. Está na capacidade de dizer “isso serve” e “isso não serve”. Está na montagem. Está na recusa. Está na assinatura.

Foi assim também com o home studio. O acesso ao software não eliminou a necessidade de saber produzir. Apenas permitiu que mais gente aprendesse fazendo.

A IA pode fazer o mesmo pelo videoclipe: transformar tentativa, erro e experimentação em processo acessível.

O futuro: clipe como território de experimentação popular

O futuro do videoclipe talvez não seja apenas o retorno dos grandes clipes de orçamento milionário. Talvez seja também a multiplicação de pequenos mundos visuais.

Clipes feitos por artistas independentes.

Visualizers de EPs inteiros.

Videoclipes híbridos com filmagem real e IA.

Narrativas criadas a partir de letras.

Personagens virtuais com autoria declarada.

Cenas locais criando estéticas próprias.

Fãs colaborando com artistas.

Comunidades transformando músicas em universos visuais.

Festivais e plataformas já começam a reconhecer obras audiovisuais feitas com IA como parte da nova cultura visual. O AI Film Festival da Runway, por exemplo, reúne filmes criados com ferramentas emergentes de IA e se apresenta como uma celebração de artistas que experimentam novas técnicas de cinema.

Mas o futuro mais interessante não está apenas nos festivais. Está na borda. Está no artista que nunca teria dinheiro para filmar um clipe e agora pode construir uma visão. Está na banda que não tinha acesso a uma produtora e agora pode experimentar. Está no beatmaker que cria um mundo visual para cada faixa. Está no cantor independente que entende que imagem também é linguagem musical.

O videoclipe nasceu como laboratório da cultura pop. Com IA, ele pode virar laboratório popular.

O videoclipe depois da IA

A IA não será a salvação automática da música independente. Também não será o fim do audiovisual humano.

Ela será uma disputa.

De um lado, existe o risco de excesso, cópia, precarização e conteúdo descartável.

Do outro, existe a chance de uma geração inteira de artistas criar imagens sem pedir permissão.

O home studio não acabou com os grandes estúdios. Ele mudou a geografia da produção musical. Permitiu que mais gente gravasse, errasse, aprendesse, lançasse e encontrasse público.

A IA pode fazer algo parecido com o videoclipe.

Não para substituir a autoria humana.

Mas para devolver ao artista independente uma pergunta que antes parecia reservada a quem tinha orçamento:

que mundo visual a sua música merece?

Envie seu projeto para o MVAI

O MVAI quer conhecer artistas, bandas, produtores e criadores independentes que estejam explorando novas formas de unir música, imagem e inteligência artificial.

Se você tem uma música, um EP, um visualizer, um videoclipe feito com IA, um projeto em desenvolvimento ou uma ideia de universo visual para sua obra, envie para o MVAI.

A nova fase do videoclipe não precisa nascer apenas nos grandes estúdios.

Ela pode nascer no quarto, no notebook, na quebrada, no fórum, na comunidade, no prompt, na câmera do celular, na ilha de edição caseira e na cabeça de quem ainda acredita que música também é imagem.

MVAI — inteligência artificial com autoria humana.

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