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A Próxima Internet: por que a IA pode ser maior que a web

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A Próxima Internet: por que a IA pode ser maior que a web

Do computador pessoal à inteligência artificial — a história das três grandes revoluções digitais

Nos últimos quarenta anos, três ondas tecnológicas mudaram radicalmente a forma como a humanidade cria, trabalha, se comunica e produz cultura: o computador pessoal, a internet e agora a inteligência artificial.

Cada uma delas não apenas introduziu novas ferramentas — elas criaram novas camadas da realidade digital.

O computador pessoal colocou o poder de cálculo nas mãos das pessoas.
A internet conectou esses computadores em uma rede global.
E a inteligência artificial promete algo ainda mais radical: dar cognição à própria rede.

Em outras palavras: se o computador foi a máquina, e a internet foi o sistema nervoso, a IA pode se tornar o cérebro da infraestrutura digital do planeta.


A primeira revolução: o computador pessoal

Durante décadas, computadores eram máquinas gigantescas utilizadas apenas por governos, universidades e grandes corporações.

Isso começou a mudar nos anos 1970 e 1980 com a popularização do computador pessoal (PC). Pela primeira vez, indivíduos passaram a ter acesso direto ao poder de processamento digital.

Segundo historiadores da computação, a evolução das “máquinas de informação” — de projetos como o motor analítico de Charles Babbage até os computadores eletrônicos modernos — criou a base tecnológica para essa revolução.

O PC transformou atividades cotidianas:

  • edição de texto
  • planilhas
  • design gráfico
  • produção musical digital
  • programação

De repente, qualquer pessoa podia criar informação digital.

Essa mudança cultural é comparável ao surgimento da imprensa. O computador pessoal foi o primeiro passo para a democratização da computação.

Mas ele ainda era uma ilha.


A segunda revolução: a internet

Nos anos 1990, o que antes eram máquinas isoladas passaram a se conectar.

A internet transformou computadores individuais em nós de uma rede global. Surgiu um novo ecossistema digital baseado em comunicação, compartilhamento e colaboração.

A explosão da web criou fenômenos culturais completamente novos:

  • email
  • redes sociais
  • streaming
  • e-commerce
  • cultura de memes
  • produção colaborativa de conhecimento

A escala dessa transformação pode ser medida pela quantidade de dados gerados globalmente. O planeta entrou na chamada “Era do Zettabyte”, quando o tráfego digital passou a ultrapassar um zettabyte por ano — algo equivalente a trilhões de gigabytes circulando na rede.

A internet se tornou a infraestrutura invisível da economia moderna.

Mas mesmo com bilhões de páginas e serviços, havia um limite:
a web conectava informação — mas não pensava sobre ela.


A terceira revolução: inteligência artificial

É aqui que a história muda de escala.

A inteligência artificial não é apenas uma nova tecnologia — ela é uma meta-tecnologia. Um sistema capaz de processar, interpretar e gerar conhecimento.

Relatórios recentes mostram que a adoção da IA está acontecendo mais rápido que qualquer tecnologia anterior. O chatbot ChatGPT, por exemplo, alcançou 100 milhões de usuários em menos de dois meses, algo que levou anos para plataformas como redes sociais atingirem.

Para alguns líderes da indústria, essa transformação pode ser ainda maior que a própria internet. Executivos da indústria de tecnologia já afirmam que a IA pode representar uma mudança mais profunda que a web ou os smartphones.

Não se trata apenas de automação.

A IA cria algo novo: computação cognitiva em escala global.


A ideia da “camada cognitiva”

Para entender a magnitude da mudança, imagine a internet como uma biblioteca infinita.

Hoje, bilhões de páginas, vídeos e bancos de dados existem online. Mas navegar por esse oceano de informação sempre exigiu uma coisa: inteligência humana.

A IA muda essa lógica.

Ela funciona como uma camada cognitiva universal, capaz de:

  • interpretar dados
  • escrever textos
  • compor música
  • gerar imagens
  • programar software
  • analisar pesquisas científicas

Em vez de apenas acessar informação, passamos a conversar com o conhecimento acumulado da humanidade.

Essa ideia remete a uma visão antiga da ciência da computação. Em 1960, o pesquisador J. C. R. Licklider descreveu o conceito de “simbi ose homem-computador”, prevendo um futuro onde humanos e máquinas trabalhariam juntos em processos cognitivos.

Hoje, essa simbiose está começando a acontecer.


A internet que pensa

Se essa tendência continuar, a IA pode transformar a própria arquitetura da rede.

No modelo tradicional da web:

humano → busca → página → informação

No modelo emergente da IA:

humano → pergunta → modelo → resposta sintetizada

Isso significa que a interface da internet deixa de ser o navegador e passa a ser o diálogo.

A rede se torna algo próximo de um organismo cognitivo.


O conceito de “noosfera digital”

Alguns pensadores veem esse processo como o surgimento de uma nova camada evolutiva da civilização.

Filósofos e cientistas já discutiam desde o século XX a ideia da “noosfera”, uma esfera de pensamento coletivo formada pela soma do conhecimento humano.

Durante décadas, a internet foi vista como a materialização dessa ideia.

Mas a inteligência artificial pode levar esse conceito adiante:

não apenas uma rede de informação,
mas uma rede capaz de raciocinar.


Por que a IA pode ser maior que a internet

Existem três razões principais para isso.

1. A IA não é uma indústria — é uma camada

A internet criou empresas digitais.

A IA está sendo integrada em todas as indústrias ao mesmo tempo:

  • medicina
  • ciência
  • cinema
  • música
  • educação
  • programação
  • design

Ela não é um setor.

É uma infraestrutura cognitiva.


2. A IA aprende e melhora

A web cresce adicionando páginas.

A IA cresce aprendendo com dados.

Isso cria um efeito exponencial. Quanto mais dados existem, melhor os modelos ficam — e quanto melhores os modelos, mais conteúdo é produzido.


3. A IA substitui tarefas cognitivas

A internet conectou pessoas.

A IA pode executar tarefas intelectuais:

  • escrever
  • traduzir
  • compor
  • programar
  • analisar

Isso significa que a revolução da IA não atinge apenas a comunicação.

Ela atinge o próprio trabalho intelectual humano.


A explosão cultural da inteligência artificial

Talvez o impacto mais visível esteja na cultura.

Assim como o computador pessoal democratizou a produção musical com softwares de áudio e a internet democratizou a distribuição via streaming, a IA está criando um novo momento criativo.

Hoje já existem:

  • videoclipes gerados por IA
  • trilhas sonoras sintéticas
  • vozes artificiais hiper-realistas
  • roteiros assistidos por modelos generativos

A cultura digital está entrando na era da criatividade algorítmica.

Algo que lembra a revolução dos sintetizadores na música eletrônica — só que em escala muito maior.


A pergunta que ninguém sabe responder

A história da tecnologia mostra que cada revolução cria a base para a próxima.

computador → possibilitou a internet
internet → possibilitou a inteligência artificial

Mas a pergunta que paira sobre o futuro é outra:

o que vem depois da IA?

Alguns futuristas, como o inventor e pesquisador Ray Kurzweil, defendem que a evolução tecnológica pode levar à chamada singularidade tecnológica, um ponto em que máquinas superinteligentes acelerariam o progresso de forma imprevisível.

Se isso acontecer, a IA não seria apenas a próxima internet.

Ela poderia ser a última grande plataforma tecnológica criada pela humanidade.


O cérebro da rede

Durante décadas, a humanidade construiu três camadas digitais:

computadores → a infraestrutura
internet → a conexão
inteligência artificial → a cognição

Se a tese estiver correta, estamos testemunhando o nascimento de algo inédito na história da civilização.

Não apenas uma nova tecnologia.

Mas o primeiro sistema cognitivo planetário.

A internet conectou o mundo.

A inteligência artificial pode fazê-lo pensar.

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Suno capta US$ 400 milhões e mostra que a música por IA virou negócio bilionário

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Suno

A Suno, uma das startups mais conhecidas de geração musical por inteligência artificial, anunciou uma nova rodada de investimento de mais de US$ 400 milhões. Com o aporte, a empresa passa a ser avaliada em US$ 5,4 bilhões, consolidando-se como uma das companhias mais valiosas no setor de música generativa.

A rodada Série D foi liderada pela Bond Capital e contou com a participação de IVP, Forerunner, Union Square Ventures, Alkeon e Quiet. Investidores já presentes na companhia, como Matrix, Lightspeed, Menlo Ventures e Schroders Capital, também acompanharam o novo financiamento.

A Suno permite que usuários criem músicas completas a partir de comandos de texto, incluindo letra, voz, arranjos e instrumentação. A proposta seduziu milhões de usuários, de curiosos que fazem músicas para ocasiões pessoais a produtores e compositores profissionais interessados em incorporar ferramentas de IA ao fluxo criativo.

Segundo a empresa, o novo capital será usado para ampliar a plataforma, desenvolver modelos musicais mais avançados e lançar novos serviços. A Suno também afirma que pretende começar a disponibilizar, nos próximos meses, seu primeiro modelo musical desenvolvido em parceria com a indústria fonográfica.

Esse ponto é central para entender a nova fase da companhia. A Suno cresceu rapidamente em um ambiente marcado por entusiasmo, mas também por forte resistência de gravadoras, editoras e artistas. Empresas de música generativa como Suno e Udio foram acusadas de treinar seus modelos com obras protegidas por direitos autorais sem autorização ou compensação aos titulares.

Nos últimos anos, a tensão entre inteligência artificial e indústria musical passou dos debates abstratos para os tribunais. Grandes gravadoras e artistas independentes moveram ações contra plataformas de música generativa, questionando a legalidade do uso de catálogos protegidos no treinamento de modelos. O argumento das empresas de IA costuma se apoiar em interpretações de “uso justo”, enquanto titulares de direitos defendem que o treinamento sem licença constitui exploração comercial não autorizada.

Ao mesmo tempo, parte da indústria começa a buscar acordos em vez de apenas litígios. Em 2025, a Suno anunciou uma parceria com a Warner Music Group para desenvolver experiências de criação musical baseadas em conteúdo licenciado e em participação opt-in de artistas. A ideia é permitir que nomes, vozes, imagens, composições e estilos sejam usados em novas experiências de IA apenas quando houver autorização, controle e compensação.

A movimentação não acontece isoladamente. Spotify e Universal Music Group também anunciaram acordos de licenciamento para permitir a criação de covers e remixes por IA dentro de um modelo pago e controlado. Na prática, o mercado parece testar uma transição: da IA musical vista como ameaça pirata para uma infraestrutura licenciada de criação, remixagem e engajamento de fãs.

Para os investidores, a aposta é clara. A música por IA pode abrir uma nova camada da economia do entretenimento, baseada não apenas no consumo passivo de faixas, mas na participação ativa dos usuários. Em vez de apenas apertar o play, o público passa a criar, adaptar, brincar e compartilhar músicas personalizadas.

Para artistas e gravadoras, o dilema é mais delicado. Há potencial de novas receitas, novas formas de interação com fãs e expansão criativa. Mas há também riscos evidentes: substituição de trabalho humano, diluição de identidade artística, uso indevido de vozes e estilos, além da dificuldade de rastrear autoria, remuneração e consentimento em escala.

O novo aporte da Suno mostra que, apesar das disputas legais, o capital de risco segue convencido de que a música generativa será uma das grandes frentes comerciais da inteligência artificial. A pergunta já não é se a IA vai participar da cadeia musical, mas em quais condições: com licença, transparência e remuneração — ou em uma guerra permanente entre inovação tecnológica e direitos autorais.

A próxima etapa da Suno será decisiva. Se a empresa conseguir migrar para modelos treinados com acordos industriais robustos, poderá se apresentar como uma ponte entre tecnologia e mercado musical. Se não conseguir, continuará sendo símbolo de uma contradição cada vez mais visível: uma plataforma capaz de democratizar a criação musical, mas construída sobre uma disputa ainda aberta sobre quem deve ser pago quando a máquina aprende a cantar.

Fonte: Silicon Angle

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Novo Gemini Omni leva edição conversacional para vídeos com IA

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Google Omni

O Google apresentou, durante o Google I/O 2026, o Gemini Omni, uma nova família de modelos de inteligência artificial voltada à criação multimodal. A promessa é ambiciosa: permitir que usuários criem conteúdos a partir de diferentes tipos de entrada — texto, imagem, vídeo e áudio — começando pela geração e edição de vídeos. A empresa define o Omni como um passo na direção de uma IA capaz de “criar qualquer coisa a partir de qualquer entrada”.

O primeiro modelo da família é o Gemini Omni Flash, que chega com foco em vídeos curtos. Segundo o Google, ele será capaz de gerar vídeos de até 10 segundos, criar áudio sintético nativo, transformar até cinco fotos em vídeo, editar cenas em múltiplas etapas e trabalhar com avatares personalizados. A novidade exige assinatura de um plano Google AI, com disponibilidade variando por região e faixa de produto.

Na prática, o Omni aproxima a criação de vídeo da lógica de uma conversa. Em vez de depender de softwares complexos de edição, o usuário poderá pedir alterações em linguagem natural: trocar cenário, modificar estilo visual, ajustar personagens, transformar uma foto em clipe ou refinar uma sequência já gerada. O próprio Google descreve a ferramenta como uma espécie de “Nano Banana para vídeos”, em referência ao seu modelo de geração e edição de imagens.

A mudança também marca uma reorganização importante dentro do ecossistema de mídia generativa do Google. O Gemini Omni deve substituir o Veo no app Gemini, combinando a inteligência central do Gemini com recursos avançados de geração de mídia. Enquanto o Veo era mais associado à geração de vídeo a partir de prompts, o Omni amplia o conceito ao permitir que vídeos, imagens e outros elementos sirvam como referência para novas criações.

Para criadores, publicitários e produtores de conteúdo, o ponto mais relevante talvez não seja apenas a geração de vídeos, mas a edição conversacional. O Google afirma que o Omni Flash melhora a consistência de personagens, preservando identidade e voz ao longo de diferentes cenas. Esse tipo de recurso pode ser decisivo para campanhas, narrativas seriadas, vídeos educacionais e conteúdos de marca, áreas em que a coerência visual costuma ser uma das maiores limitações dos modelos generativos.

Outro destaque é a criação de avatares de IA. A ferramenta permite que usuários criem versões digitais de si mesmos para aparecer em vídeos gerados artificialmente. Segundo a Wired, o processo envolve capturar rosto e voz pelo celular, com movimentos de cabeça e leitura de uma sequência de números. A proposta inicial do Google é permitir que usuários gerem vídeos de si próprios, não de terceiros.

Essa funcionalidade, porém, reacende o debate sobre deepfakes, autenticidade e transparência. O Google afirma que vídeos criados com Omni terão marca d’água digital SynthID, tecnologia usada para identificar conteúdos gerados por IA. A Associated Press também registrou que a empresa pretende expandir ferramentas de verificação de credenciais de conteúdo no Gemini e, futuramente, no Chrome.

O lançamento acontece em um momento de corrida acelerada pela liderança em vídeo generativo. OpenAI, Runway, Luma AI, ByteDance e outros competidores disputam espaço em um mercado que interessa tanto a criadores independentes quanto a estúdios, marcas e plataformas sociais. O diferencial do Google é tentar integrar a geração de mídia diretamente ao Gemini, ao YouTube Shorts e ao Google Flow, criando um fluxo que vai da ideia ao vídeo final dentro do próprio ecossistema da empresa.

No Google Flow, o Omni Flash será usado em conjunto com recursos de agente criativo. A empresa afirma que o Flow Agent poderá ajudar em brainstorming, criação, edição em lote, organização de arquivos e desenvolvimento de ferramentas personalizadas por linguagem natural. O Google também anunciou que o Omni será integrado ao Flow Music, permitindo criar vídeos musicais a partir de orientação conversacional.

Apesar do entusiasmo, ainda há limites claros. A versão inicial trabalha com vídeos curtos, de até 10 segundos, e alguns recursos dependem de assinatura, plataforma, país e idade mínima. O próprio Google informa que funcionalidades podem variar por nível de plano e região.

Ainda assim, o Gemini Omni sinaliza uma virada estratégica. O vídeo com IA deixa de ser apenas uma ferramenta de geração a partir de texto e passa a se aproximar de um ambiente de produção completo, no qual o usuário conversa, edita, refina, reaproveita referências e mantém personagens consistentes. Para o mercado criativo, isso pode reduzir barreiras técnicas. Para a sociedade, amplia a urgência de discutir autoria, consentimento, identificação de conteúdo sintético e confiança nas imagens que circulam online.

No fim, o Google não está apenas lançando mais um modelo de vídeo. Está tentando transformar o Gemini em uma plataforma de criação multimodal — e, ao mesmo tempo, disputar o futuro da produção audiovisual com IA.

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Google testa ferramenta que pode transformar o Gemini em estúdio de vídeo com IA

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O Google pode estar prestes a dar mais um passo na disputa pelo futuro do vídeo gerado por inteligência artificial. Um novo modelo chamado Gemini Omni apareceu para alguns usuários dentro do Gemini, com uma descrição que promete criação de vídeos, remixagem, edição direta no chat e uso de templates. A descoberta foi relatada pela 9to5Google nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, e reforçada por publicações especializadas que acompanham testes e vazamentos de produtos de IA.

A frase exibida na interface era direta: “Create with Gemini Omni”. Segundo os relatos, o Google descreve o recurso como um novo modelo de geração de vídeo capaz de remixar vídeos, editar conteúdos por conversa e partir de modelos prontos. Ainda não está claro se o Omni será um modelo totalmente novo, uma camada de produto sobre o Veo ou uma evolução integrada da estratégia multimodal do Gemini.

As primeiras demos chamaram atenção por dois motivos. A primeira mostrava um professor escrevendo uma prova matemática em um quadro, um tipo de cena difícil para modelos de vídeo porque exige coerência visual, texto legível e continuidade de movimento. A segunda brincava com um teste clássico de IA generativa: pessoas comendo espaguete, referência ao famoso meme dos primeiros vídeos gerados artificialmente, quando mãos, bocas, talheres e comida viravam um pequeno carnaval de horrores digitais. Segundo a 9to5Google, os resultados ainda têm sinais visíveis de geração por IA, mas já mostram avanço considerável em realismo e aderência ao prompt.

O ponto mais importante para criadores, videomakers e produtores independentes não é apenas a geração de vídeo a partir de texto. O diferencial sugerido pelo vazamento está na edição conversacional: trocar objetos, remixar cenas, editar vídeos diretamente no chat e trabalhar a partir de templates. O TestingCatalog afirma que os testes iniciais indicam desempenho especialmente forte em tarefas de edição, incluindo substituição de elementos e reescrita de cenas por instruções em linguagem natural.

Esse detalhe é estratégico. A geração bruta de vídeo já virou território disputado por Google, OpenAI, ByteDance, Runway, Luma e outras empresas. Mas a próxima fronteira pode ser menos “crie um vídeo do zero” e mais “pegue este material e transforme em outra coisa”. Para a indústria criativa, isso muda o jogo: o modelo deixa de ser apenas um gerador de clipes e começa a se comportar como um assistente de pós-produção.

Também apareceu para alguns usuários uma aba de uso, indicando que a criação de vídeos com Omni pode consumir rapidamente os limites diários de planos pagos. A própria página de suporte do Google já trata geração de vídeo como recurso sujeito a limites por plano e afirma que os limites podem mudar com frequência por demanda e capacidade.

O vazamento chega poucos dias antes do Google I/O 2026, marcado oficialmente para 19 e 20 de maio. A página do evento promete keynotes, sessões e novidades com foco em IA, Gemini, Android, Chrome e Cloud. O blog de desenvolvedores do Google também afirma que a conferência trará avanços de IA e atualizações de modelos Gemini, o que torna o evento o palco mais provável para uma explicação oficial sobre o Omni, caso o produto esteja realmente pronto para anúncio.

Por enquanto, convém tratar o Gemini Omni como um vazamento forte, não como lançamento oficial. O Google ainda não apresentou publicamente o produto nem explicou como ele se encaixará na família Veo. Mas a direção é clara: a Big Tech quer que o Gemini deixe de ser apenas um chatbot multimodal e se torne um ambiente completo de criação — texto, imagem, vídeo, edição e talvez, em breve, fluxo de produção audiovisual.

Para creators, artistas visuais, diretores de clipes, agências pequenas e produtores independentes, a promessa é sedutora: um estúdio criativo dentro de uma conversa. Para o mercado, o recado é menos poético e mais brutal: a guerra do vídeo com IA ainda nem começou direito, e o Google parece disposto a colocar seu exército dentro do Gemini.

Fonte: 9to5Google

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