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Liah Soares transforma IA em poesia visual no clipe de “Amor pela Metade”, trilha de Três Graças
A veterana da música brasileira Liah Soares inaugura um novo capítulo na sua carreira com o lançamento do videoclipe de Amor pela Metade, single que integra a trilha sonora da novela Três Graças (TV Globo), tema amoroso dos personagens Viviane (Gabriela Loran) e Leonardo (Pedro Novaes).
Dirigido por Rafael Almeida e produzido pela RA7 Content, o clipe se destaca por um elemento que vem dominando conversas na cultura pop e no universo audiovisual: a inteligência artificial como ferramenta criativa. A produção abraça a IA não como substituta, mas como parceira na construção de um universo imagético onírico que dialoga com as camadas emocionais da canção e os dilemas dos personagens da trama.
A canção — lançada como single em plataformas digitais — explora a fragilidade e ambiguidade de um amor incompleto, e se beneficia do uso da IA para traduzir visualmente esse clima de sonho e metáfora. Segundo relatos sobre o processo, Liah passou por uma captura detalhada de expressões e movimentos, permitindo que a versão digital da artista mantivesse uma fidelidade sensível à performance real.
Para a paraense com mais de duas décadas de estrada, cujo repertório já foi gravado por gigantes da música popular brasileira e cuja voz já integrou diversas trilhas de novela, essa experiência com tecnologia representa mais um ponto de inflexão em uma carreira marcada pela mistura de tradição e invenção.
O videoclipe — visualmente ousado e tecnologicamente concebido — convida o público a repensar não apenas a forma como se constrói um vídeo musical, mas a própria relação entre sentimento e imagem na era digital. A música, já amplamente exibida nas cenas da novela, ganha agora sua extensão visual, reforçando a presença de Liah no centro das conversas sobre inovação artística no Brasil.
Assista:
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Orson Welles remixado pela inteligência artificial: entre reparo histórico e profanação tecnológica
O nome Orson Welles já carregava em sua própria sonoridade a promessa de uma epopeia cinematográfica. Mas, assim como na música — quando um clássico é reeditado pelos algoritmos do mainstream e acaba esvaziado de alma — a mais recente tentativa de “restaurar” um dos maiores filmes perdidos de Welles está incendiando um debate que cruza estética, ética e tecnologia.
O filme em questão é The Magnificent Ambersons (1942), obra-prima parcial que surgiu no rastro do monumental Cidadão Kane. Originalmente concebido como um retrato brutal e lírico da decadência de uma família abastada no coração dos Estados Unidos, a película teve quarenta e três minutos de material cortados pela RKO Studios e substituídos por um final açucarado, num dos episódios mais infames de censura corporativa na história de Hollywood. As cenas descartadas foram posteriormente destruídas — um verdadeiro “deleção total” que virou lenda entre cinéfilos.
Agora, quase 84 anos depois, o empresário Edward Saatchi — fundador da startup de IA Fable Studio e apoiado por backing da Amazon — está tentando recuperar o que foi perdido. Utilizando inteligência artificial generativa e uma plataforma chamada Showrunner, a equipe pretende reconstruir as cenas desaparecidas usando roteiros originais, fotografias de produção e vozes digitalizadas dos próprios atores originais. É como se um engenheiro musical tentasse reeditar as fitas originais de um álbum histórico que foi censurado pela gravadora — só que usamos aprendizado de máquina em vez de fita magnética.
A ideia é tão ambiciosa quanto provocadora: atores vivos gravam cenas em estúdio, e depois seus rostos e vozes são substituídos por versões digitais de estrelas que morreram há décadas. Na contramão de muitas iniciativas de IA que “tolhem” o espírito autoral, Saatchi afirma que sua visão é “direcionar a tecnologia para o que poderia ser o auge perdido de Welles”, um gesto de reparo histórico mais do que um espetacular show de efeitos.
Só que nem todos concordam com esse tom messiânico. A família de Welles — especialmente sua filha Beatrice — deixou claro que o projeto até agora seguiu sem a bênção formal do espólio e sem os direitos exigidos pelos detentores originais da obra. E críticas já pipocam nos bastidores: será que recriar um clássico com algoritmos é reescrever a história ou profanar um artefato sagrado? Alguns tradicionais entusiastas do cinema temem que a iniciativa — apesar de respeitosa nas intenções — sinalize um precedente perigoso, abrindo portas para intervenções cada vez mais ousadas em obras que deveriam ser intocáveis.
A discussão ecoa debates análogos na música — como a remixagem póstuma de gravações, ou relançamentos com overdubs feitos por produtores que nunca conheceram o artista original — e nos obriga a confrontar uma pergunta difícil: a tecnologia pode realmente “consertar” um passado mutilado ou está apenas criando uma versão alternativa, um “deepfake cultural” que compete com o original?
No fim das contas, o processo em si pode se tornar tão provocativo quanto a obra que tenta resgatar: uma mistura de fascínio, controvérsia e reverência artística que desafia tanto amantes do cinema clássico quanto críticos de tecnologia.
Fonte: The New Yorker
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Deezer licencia tecnologia de detecção de IA para a Sacem e mira expansão global contra fraude musical
A batalha silenciosa entre inteligência artificial e direitos autorais musicais entrou em um novo capítulo nesta quinta-feira: a plataforma francesa de streaming **Deezer anunciou a concessão de licenças da sua ferramenta de detecção de músicas geradas por IA à Sacem, a sociedade francesa de direitos autorais, com planos de expandir o uso da tecnologia para outros players da indústria.
Lançada em 2025 como um mecanismo interno de combate à fraude em streaming, a tecnologia desenvolvida por Deezer analisa registros de áudio em busca de padrões tipicamente produzidos por algoritmos generativos — como os usados por sistemas como Suno e Udio — e identifica com precisão conteúdos totalmente criados por inteligência artificial.
Segundo dados da própria empresa, a ferramenta já detectou e sinalizou mais de 13,4 milhões de faixas geradas por IA ao longo de 2025, o que levou à exclusão de até 85% desses fluxos fraudulentos do pool de royalties distribuído a artistas e compositores humanos.
O volume de uploads de conteúdo totalmente gerado por IA registrado pela plataforma é impressionante: cerca de 60 mil novos títulos por dia, o equivalente a quase 39% de todas as músicas adicionadas diariamente — um aumento exponencial em relação aos números do início de 2025.
Para Deezer, a iniciativa representa um movimento estratégico não apenas para proteger os criadores reais, mas também para fomentar uma camada de transparência e confiança em um ecossistema cada vez mais inundado por produções automatizadas e de baixo valor artístico. O CEO Alexis Lanternier afirmou que já há interesse de diversos agentes do setor e conversas em andamento com entidades coletivas de direitos autorais na Europa e nos Estados Unidos, incluindo eventos previstos durante a Grammy Week em Los Angeles.
Por outro lado, representantes de sociedades autorais fora da França — como a sueca Stim — lembram que a tecnologia de detecção por si só não resolve as questões fundamentais de direitos autorais e propriedade intelectual, defendendo abordagens mais amplas de licenciamento obrigatório e transparência no uso de bases de treinamento de IA.
Enquanto o uso de IA na criação musical segue em expansão, a iniciativa de Deezer e Sacem coloca em evidência um dos maiores desafios da indústria no século XXI: quem de fato merece ser remunerado quando se trata de música — o humano ou a máquina?
Fonte: Reuters
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De Cyndi Lauper a R.E.M.: Quase 800 Criadores Assinam Manifesto Contra IA Predatória
Campanha global reúne gigantes da música contra uso não autorizado de obras em IA: “Roubar não é inovar”
Uma nova frente de resistência artística contra a inteligência artificial está ganhando força no cenário cultural global. Batizada de “Stealing Isn’t Innovation”, a campanha convocada pelo Human Artistry Campaign — uma coalizão de entidades que inclui a Recording Industry Association of America (RIAA) e a National Music Publishers’ Association (NMPA) — reuniu quase 800 artistas em um manifesto contra o uso de obras criativas para treinar sistemas de IA sem licenciamento ou consentimento dos criadores.
Entre os signatários estão nomes que atravessam décadas de história da música — de Cyndi Lauper, Bonnie Raitt e OneRepublic até bandas como R.E.M. e artistas pop, country e hip-hop — além de astros de cinema como Scarlett Johansson e autores best-sellers.
O ponto central do protesto é simples e incisivo: grandes empresas de tecnologia estariam usando milhões de criações humanas para treinar modelos de IA sem pagar ou receber autorização, beneficiando-se comercialmente de material protegido por direitos autorais enquanto fragmentam os mecanismos de remuneração que sustentam a indústria musical. A mensagem é clara — “roubar não é inovação”.
🎙 Um grito contra o “AI slop”
Os apoiadores da campanha alertam para o risco de um futuro dominado por um que eles chamam de “AI slop” — um tsunami de conteúdo gerado por inteligência artificial de baixa qualidade que, segundo o manifesto, ameaça tanto a diversidade criativa quanto o valor cultural das obras humanas.
“O uso não licenciado de conteúdo criativo para treinar IA é uma ameaça injusta às fontes de renda e à sustentabilidade daqueles que criam esse conteúdo,” dizem os organizadores, pedindo marcos de licenciamento claros, mecanismos de fiscalização eficientes e o direito de opt-out para que artistas possam decidir se suas obras podem ou não alimentar sistemas de IA.
🎧 Repercussão na música e além
A campanha acontece em um momento de intensa discussão sobre como a tecnologia deve coexistir com o trabalho criativo. Enquanto alguns setores da indústria já negociam acordos de licenciamento com plataformas de IA, outras vozes dentro e fora da música clamam por normas mais rígidas para proteger os direitos dos criadores.
A mobilização reúne não só músicos veteranos, mas também vozes de outras artes — reforçando que a preocupação com os impactos da IA vai muito além das fronteiras do pop ou do rock.
Fonte: The Verge
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