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Música

Innokids: a banda de IA chinesa que está remixando narrativas globais com música pop

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No pulso frenético das redes sociais, uma canção tem se espalhado como vírus — mas desta vez não é só mais um hit pop. Com a letra convidativa “Together, peace is in our hands… Go East, life is peaceful here”, a faixa Go East da banda virtual chinesa Innokids tem dominado streams e debates em plataformas que vão do TikTok a YouTube.

O fenômeno, nascido da fusão entre música pop, inteligência artificial e storytelling geocultural, vai muito além de um simples sucesso online. A banda — um quarteto de humanos virtuais gerados por IA — quer nada menos do que desafiar a hegemonia narrativa ocidental e ressignificar a forma como o mundo enxerga a China através da música.

Um hit que é declaração de intenções

Go East é mais do que um título instigante. É uma reinterpretação da clássica Go West, imortalizada pelos Village People e posteriormente pelos Pet Shop Boys. Mas onde a versão ocidental foi tomada como hino à “vitória” dos valores liberais pós-Guerra Fria, a versão de Innokids reescreve a mensagem como um chamado à coletividade, estabilidade social e aos valores comunitários que — segundo os criadores — definem a China contemporânea.

“A nossa inspiração vem do presente — tanto de questões políticas atuais quanto de temas que ressoam com o cotidiano das pessoas”, diz Ma Chao, fundador criativo por trás do projeto, em entrevista exclusiva.

Narrativa, identidade e alcance global

A recepção global tem sido diversa: internautas chineses celebram a música como um novo símbolo cultural, estudantes no exterior veem na banda um motivo de orgulho nacional, descendentes chineses redescobrem suas raízes, e ouvintes internacionais elogiam a perspectiva diferente que a produção oferece de imagens sobre a China — um contraponto às representações estereotipadas muitas vezes veiculadas pela mídia ocidental.

As cenas do clipe — com mercados noturnos vibrantes, espetáculos da natureza e momentos de solidariedade social — têm sido celebradas por fãs de diferentes latitudes como um retrato “humano”, “seguro” e “desenvolvido” da sociedade chinesa.

Human-centric AI: arte além da automação

O diferencial da Innokids está em sua abordagem de IA centrada no humano. Para Ma, a tecnologia é um instrumento — não o artista. A criação musical começa com ideias, temas e letras concebidos por humanos, e depois passa pelos processos de IA para gerar melodias, que são lapidadas, mixadas e vocalmente refinadas por produtores reais.

Essa síntese de criatividade humana e apoio tecnológico permite uma produção rápida e de baixo custo, rompendo com os modelos tradicionais que exigiriam semanas de trabalho e grandes equipes.

Clássicos remixados com propósito

Além de Go East, a banda também tem explorado temas globais delicados — de comentários sobre a política japonesa ao conflito israelo-palestino — sempre usando a música como veículo para posicionamentos e diálogo intercultural. Em alguns casos, como na reinterpretação de Heal the World (música de Michael Jackson), os vocais originais são mantidos enquanto imagens e elementos visuais destacam a participação chinesa em ações humanitárias.

Escute:

Fonte: GlobalTimes

A Redação MVAI reúne jornalistas, pesquisadores e criadores especializados em inteligência artificial, música, cultura digital e inovação. Nossos conteúdos são produzidos com apuração, fontes confiáveis, revisão editorial e atualização constante.

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Música

Universal e Sony pressionam DistroKid por dados de músicas criadas com IA

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Universal e Sony pressionam DistroKid por dados de músicas criadas com IA

Gravadoras negociam com distribuidora acesso a informações sobre faixas geradas por inteligência artificial, incluindo músicas feitas com Suno, reproduções e royalties.

A Universal Music Group e a Sony Music Entertainment estão negociando com a DistroKid uma solução para a disputa judicial envolvendo dados de músicas criadas com inteligência artificial (IA).

Segundo o Music Business Worldwide, as empresas informaram à Justiça dos Estados Unidos que trabalham para resolver o impasse. O acordo, porém, ainda não foi anunciado.

O objetivo das gravadoras é obter informações que possam ser utilizadas no processo por direitos autorais contra a Suno, plataforma de geração musical por IA.

Quais dados Universal e Sony querem?

As gravadoras pedem que a DistroKid apresente informações sobre:

  • Quantas músicas distribuídas foram identificadas como possivelmente geradas por IA.
  • Quantas dessas faixas podem ter sido criadas com a Suno.
  • Quantas reproduções e quanto em royalties essas músicas acumularam.
  • Qual tecnologia a distribuidora utiliza para detectar conteúdos gerados por IA.

Os dados ajudariam a dimensionar a presença comercial da música sintética nas plataformas de streaming.

Por que a Suno está na Justiça?

A disputa começou em junho de 2024, quando grandes gravadoras acusaram a Suno de utilizar gravações protegidas por direitos autorais no treinamento de seus modelos de inteligência artificial sem autorização.

A Suno defende que esse treinamento pode ser protegido pela doutrina americana de fair use (uso justo).

Universal e Sony, por outro lado, argumentam que a música gerada por IA pode competir diretamente com gravações tradicionais e afetar suas receitas.

A Warner Music, que também participava do processo original, fechou um acordo com a Suno em novembro de 2025.

Qual é a situação da DistroKid?

A DistroKid não é ré no processo original contra a Suno, mas passou a ser alvo de uma solicitação judicial para apresentar dados.

Além disso, enfrenta uma ação separada movida pela Universal em setembro de 2026, envolvendo acusações de violação de direitos autorais. A distribuidora contesta as alegações.

Reportagem do The Verge também mostrou que músicas de artistas independentes foram removidas das plataformas após reclamações da Universal, incluindo faixas que seus criadores afirmam não ter sido geradas por IA.

O próximo prazo judicial é 6 de novembro de 2026, data estabelecida para a DistroKid responder ao pedido de apresentação de documentos caso a disputa não seja resolvida antes.

O que está em jogo para o futuro da música?

O caso coloca uma questão importante para a indústria musical: como identificar, licenciar e remunerar músicas produzidas com inteligência artificial?

Para artistas independentes, o desfecho pode influenciar as regras de distribuição, transparência e proteção dos direitos autorais.

A discussão não envolve apenas a tecnologia utilizada para criar uma música, mas também quem controla sua circulação e como o dinheiro gerado pelo streaming será distribuído.

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Música

Grimes, A$AP Rocky e Spotify colocam limites para a inteligência artificial na música

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Grimes, A$AP Rocky e Spotify colocam limites para a inteligência artificial na música

Enquanto artistas defendem a IA como ferramenta criativa, plataformas de streaming intensificam o combate à produção automatizada em massa. O debate agora é sobre autoria, transparência e qualidade.

A inteligência artificial está transformando a indústria musical, mas até alguns de seus maiores entusiastas estão estabelecendo limites para seu uso. É o que mostra uma análise publicada pelo jornal britânico The Guardian nesta quarta-feira (21).

Artistas como Grimes, A$AP Rocky e Kelly Clarkson defendem o potencial criativo da tecnologia, mas fazem ressalvas à produção musical inteiramente automatizada.

Grimes defende o trabalho humano

Uma das pioneiras na experimentação musical com IA, Grimes afirma que seu novo projeto, Psy Opera, é inspirado pela inteligência artificial, mas não foi inteiramente gerado por ela.

A cantora destacou que uma equipe de aproximadamente 70 profissionais trabalhou durante meses na produção do material audiovisual de divulgação do álbum, defendendo o reconhecimento desses artistas.

Já o rapper A$AP Rocky reconhece aplicações úteis da IA, como a separação de vocais e instrumentos, mas prefere continuar criando músicas diretamente com produtores e músicos.

Kelly Clarkson também apoia a tecnologia, embora defenda que artistas gerados por IA tenham paradas musicais separadas das destinadas aos artistas humanos.

Spotify retira 50 milhões de faixas das recomendações

O debate ganhou força após o Spotify anunciar, em 20 de outubro, que retirou mais de 50 milhões de faixas classificadas como conteúdo de baixa qualidade ou spam de seus sistemas de recomendação em 2026.

A empresa não informou quantas dessas faixas foram efetivamente produzidas com inteligência artificial. A medida também não significa que todas tenham sido excluídas da plataforma.

O Spotify afirma que pretende valorizar a criação humana, combater conteúdos repetitivos e identificar perfis de artistas virtuais, sem abandonar suas próprias ferramentas de IA.

O futuro da música será híbrido?

A crescente presença de músicas geradas por algoritmos levanta questões sobre autoria, originalidade e o papel dos artistas na criação musical.

Mas existe uma diferença fundamental entre utilizar inteligência artificial para ampliar possibilidades artísticas e produzir milhares de faixas automaticamente, sem direção criativa ou curadoria.

Para a indústria musical, o desafio não é simplesmente escolher entre humanos e máquinas. É estabelecer como essas tecnologias podem participar do processo criativo sem reduzir a importância de quem compõe, interpreta, produz e dá identidade à música.

A inteligência artificial pode transformar a maneira de fazer música. Mas a tecnologia, por si só, não substitui uma visão artística.

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Música

Editoras independentes criam 7 regras para licenciar música à inteligência artificial

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musica IA

A inteligência artificial está criando um novo mercado para a música — e as editoras independentes querem definir as regras antes que ele se consolide.

As organizações IMPEL e IMPF, que representam editoras musicais independentes, apresentaram em 30 de setembro um conjunto de sete princípios para o licenciamento de músicas por sistemas de IA generativa. O argumento central é simples: se músicas, letras e melodias ajudam a treinar e alimentar modelos de inteligência artificial, seus autores e titulares precisam participar do valor criado.

A composição não pode valer menos

Um dos pontos mais importantes da proposta é a divisão entre dois direitos diferentes existentes numa música: a gravação, ou master, e a composição, que envolve letra e melodia.

IMPEL e IMPF defendem que, no licenciamento para IA, a composição seja valorizada pelo menos no mesmo nível da gravação, salvo situações específicas que justifiquem outra divisão.

Para as entidades, levar automaticamente para a inteligência artificial as antigas divisões econômicas da indústria fonográfica poderia repetir desequilíbrios já discutidos durante décadas no mercado de streaming.

As 7 regras propostas

O framework estabelece que:

  • músicas e composições precisam receber uma remuneração compatível com seu valor;
  • a divisão entre direitos de gravação e publicação musical deve ser equilibrada;
  • pagamentos por uso anterior, treinamento, outputs e usos futuros precisam ser separados;
  • taxas, descontos e cálculos de receita devem ser transparentes;
  • cada licença deve definir exatamente quais usos da obra estão autorizados;
  • sistemas de atribuição e rastreamento precisam permitir identificar obras utilizadas pela IA;
  • usos comerciais posteriores de músicas geradas por IA também devem gerar remuneração quando forem baseados em obras utilizadas no treinamento.

O problema do rastreamento

Esse último ponto depende de uma das questões técnicas mais difíceis da música generativa: descobrir qual obra participou do treinamento de um modelo e quanto ela contribuiu para determinado resultado.

IMPEL e IMPF afirmam estar testando tecnologias de atribuição capazes de identificar e rastrear obras durante treinamento, geração e output de sistemas de IA. Um dos experimentos já divulgados envolve a empresa de tecnologia Sureel AI.

Sem esse tipo de infraestrutura, calcular royalties individualmente pode se tornar extremamente difícil.

Não é uma proposta contra a IA

As organizações deixam claro que não pretendem bloquear a tecnologia. Elas afirmam apoiar inovação, experimentação responsável e acordos com empresas de IA — desde que existam regras claras de remuneração e transparência.

Essa discussão também está acontecendo em outras partes da indústria criativa. A CISAC, que reúne sociedades de autores ao redor do mundo, vem defendendo três princípios semelhantes para inteligência artificial: autorização, remuneração e transparência.

A questão começa, portanto, a mudar de forma.

Já não é apenas “a IA pode usar música?”.

A pergunta que deve dominar os próximos anos será:

quando a IA usar música para aprender, criar e gerar receita, como esse dinheiro volta para quem criou a obra original?

Essa resposta pode definir boa parte da economia da música na era da inteligência artificial.

Fontes utilizadas no copydesk: Music Business Worldwide como fonte principal, comunicado oficial de IMPF/IMPEL, Music Week, Digital Music News e documentação da CISAC. A fonte primária confirma que o framework foi anunciado em 30 de setembro de 2026 e que o princípio central é valorizar adequadamente a composição dentro dos novos modelos de licenciamento.

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