Música
De Wu-Tang ao CES 2026: RZA Quebra Tabus e Abraça IA como Parceira Artística
RZA e a inteligência artificial: lenda do hip-hop defende a tecnologia enquanto indústria trava debate sobre futuro da música
No palco do CES 2026, principal vitrine global de tecnologia, a lenda do hip-hop RZA, cofundador do Wu-Tang Clan, fez um dos posicionamentos mais contundentes do ano sobre o papel da inteligência artificial na música. Para ele, longe de uma ameaça, a IA pode ser uma parceira criativa capaz de expandir possibilidades e democratizar o processo de criação — e não apenas uma ferramenta barata de produção.
Durante o painel “From Concept to Reality: Creatives Using AI to Bring Big Ideas to Life”, RZA explicou que a tecnologia o ajudou a atravessar etapas longas e custosas da produção, citando como exemplo a demo do seu álbum clássico de 2024, A Ballet Through Mud. Em vez de gastar dias e dezenas de milhares de dólares com uma orquestra, ele usou IA para esboçar partes da composição em uma fração do tempo — e com resultados que, segundo ele, mantiveram a “energia humana” que ele buscava no som.
“Criatividade é tempo. Pode levar três dias para chegar a algo bom com a tecnologia de hoje — com um assistente de IA, eu posso transformar esses três dias em três horas”, disse RZA no evento.
Esse olhar pragmático de RZA contrasta com a tensão crescente na indústria musical, onde artistas, gravadoras e sindicatos debatem os limites éticos e econômicos da tecnologia. A própria chegada de “artistas de IA” que alcançam rankings como o Billboard tem inflamado críticas sobre autenticidade e direitos, e levantado questões sobre quem realmente detém o valor criativo e financeiro das obras geradas com algoritmos.
Além das críticas artísticas, há preocupações ambientais ligadas à infraestrutura que suporta IA — centros de dados que demandam enormes quantidades de energia e recursos, com impacto desproporcional sobre comunidades vulneráveis. Esses debates ecoam num cenário global em que a tecnologia musical está se expandindo mais rápido do que as normas legais e culturais conseguem acompanhar.
RZA, entretanto, defende que a IA não substitui a expressão humana, mas amplia as vozes que antes encontravam barreiras materiais e financeiras para se manifestar. Para ele, entender e dominar essas ferramentas será cada vez mais parte do ofício de artistas e produtores no novo ciclo da música digital.
Fonte: Essence.com
Música
Com inteligência artificial, novo clipe de Gabriel o Pensador vira tributo pop-cultural
O rapper carioca Gabriel o Pensador mergulha no universo da inteligência artificial para revisitar ícones da música em seu mais recente videoclipe, ligado ao single Festa da Música Tupiniquim. A produção multimídia, concebida pela agência especializada Seven Content, mistura referências visuais e digitais para colocar artistas de diferentes gerações — inclusive figuras que já faleceram — no mesmo espaço narrativo virtual.
Ao longo das cenas geradas digitalmente, surgem representações visuais de nomes como Gal Costa, Rita Lee, Erasmo Carlos — muitas vezes ao lado de Robertos Carlos — e até versões estilizadas de Michael Jackson cantando em um pequeno palco. A narrativa visual flerta com a nostalgia, ao mesmo tempo em que provoca reflexões sobre memória e legado na cultura popular.
Artistas vivos também aparecem, como Gilberto Gil, flagrado numa cena em que é interceptado por um segurança, e Alceu Valença, em gestos expansivos para a câmera. A escolha de figuras tão distintas reforça a ideia de que Festa da Música Tupiniquim é uma celebração plural dos som que atravessaram décadas no Brasil — e fora dele.
No Instagram, Gabriel descreveu o videoclipe como “uma viagem em que homenageio parte dos artistas que admiro, incluindo alguns que tornaram-se meus parceiros e amigos”. O rapper sublinhou que a peça deve ser encarada “como brincadeira, sem a intenção de parecer real”, reforçando seu uso da tecnologia como linguagem artística, não como substituto da presença humana.
A recepção do público tem sido majoritariamente entusiasmada. Nas redes sociais, o videoclipe foi celebrado como uma homenagem criativa e afetuosa à memória da música brasileira, com muitos fãs destacando o impacto emocional de ver artistas de diferentes gerações reunidos em uma mesma narrativa audiovisual. A proposta estética e o uso da inteligência artificial como ferramenta de linguagem — e não de substituição — também foram amplamente elogiados. O engajamento se reflete nos números: o vídeo já ultrapassou a marca de 4,5 milhões de visualizações, consolidando-se como um dos lançamentos mais comentados de Gabriel o Pensador nos últimos anos.
O single Festa da Música Tupiniquim já faz parte do repertório histórico de Gabriel — originalmente um hit de seu álbum Quebra-Cabeça (1997) que cita e presta tributo a uma enorme galeria de nomes da música brasileira e internacional, incluindo o “Rei do Pop” Michael Jackson.
Fonte: Diário de Cuiabá
Música
Will.i.am compara IA a revolução do sampling e chama desenvolvedores de artistas
Em conversa recente com a CNBC, will.i.am, veterano produtor, compositor e líder do Black Eyed Peas, mergulhou no debate mais quente da indústria musical: o uso de inteligência artificial na criação de música. Para o artista, que tem uma carreira construída sobre o uso criativo de sampling, comparar a tecnologia generativa a uma ameaça teria pouco sentido — afinal, segundo ele, “não dá pra ser tão crítico com IA porque eu tenho uma carreira inteira baseada em sampling”.
Na visão de will.i.am, o artefato tecnológico que hoje causa tanto furor na música é apenas mais um capítulo na longa história da inovação sonora — do vinil ao sampler, do sintetizador aos computadores. Ele traça um paralelo histórico entre a resistência inicial ao sampling no hip-hop e as atuais preocupações com modelos de IA que treinam em bibliotecas gigantes de músicas humanas. “Imaginem 1970, falando de jazz… um músico poderia perguntar: ‘sampling é música?’” — e o que era dúvida virou um dos pilares da cultura hip-hop mundial.
O produtor não hesitou em defender também os criadores da tecnologia em si: programadores e engenheiros que escrevem os algoritmos, na avaliação dele, merecem reconhecimento artístico e remuneração justa. Isso porque, embora muitos modelos de IA aprendam com o acervo musical humano, há um esforço criativo e técnico próprio na construção das ferramentas.
E mais: will.i.am lançou um olhar prospectivo sobre o futuro da IA na música. Segundo ele, estamos longe de ver o ápice dessa tecnologia — e por isso o setor precisa se preparar para ferramentas que criem música de forma cada vez mais autônoma e sofisticada. Para o artista, a próxima geração de inteligência artificial não será simplesmente um reprodutor de estilos do passado, mas uma força criativa própria, capaz de ampliar as fronteiras do que consideramos música.
Essa perspectiva coloca o diálogo sobre IA no centro não só das discussões técnicas e legais, mas também da estética e identidade musical na era digital — onde as linhas entre autor, ferramenta e produção cada vez mais se fundem.
Fonte: Vice
A foto em destaque é de RogDel / Wikimedia Commons
Música
AI e Arte em Xeque: o Caso “I Run”, o Hit que Virou Drama na Era Digital
No final de outubro de 2025, a cena eletrônica global foi pega de surpresa por um fenômeno que misturou virilidade TikTok, música de pista e um debate ético que virou manchete: o single I Run, do duo britânico Haven (composto por Harrison Walker e Jacob Donaghue), explodiu nas redes sociais antes de ser abruptamente retirado das principais plataformas de streaming.
O que parecia ser mais um viral dance track — com pulsos de EDM e pitadas de UK garage — transformou-se num dos episódios mais emblemáticos da música em 2025: um duelo entre criatividade assistida por inteligência artificial e os limites legais e culturais dessa tecnologia.
📈 De “bop” viral a polêmica global
I Run foi lançado oficialmente em 29 de outubro e rapidamente ganhou tração no TikTok, somando milhões de interações em poucos dias. A curiosidade dos fãs logo foi além da batida: muitos começaram a especular sobre a identidade da voz sem créditos no registro.
Alguns internautas chegaram a apostar que a voz lembrava a da estrela britânica Jorja Smith — suposição que ela mesma desmentiu em um vídeo no TikTok, afirmando que não era ela.
Mas os rumores não pararam por aí.
🔍 O que realmente aconteceu
Segundo investigações e declarações à imprensa especializada, Haven admitiu que usou ferramentas de inteligência artificial — especificamente a plataforma Suno — para transformar a própria voz de Donaghue em samples femininos, criando a impressão de um vocalista não identificado.
Os produtores afirmaram que não pediram ao modelo para imitar qualquer artista específico, apenas solicitaram “samples vocais com alma” (“soulful vocal samples”). Mesmo assim, o resultado soou próximo demais da sonoridade de uma artista conhecida para alguns ouvintes.
⚖️ Reações da indústria e retirada de serviços
A controvérsia rapidamente escalou para o lado jurídico: a gravadora de Jorja Smith, a FAMM, juntamente com a RIAA (Recording Industry Association of America) e a IFPI (International Federation of the Phonographic Industry), emitiram notificações de remoção alegando violação de direitos autorais e uso indevido da “identidade vocal”.
Diante da pressão, plataformas como Spotify e Apple Music tiraram I Run de seus catálogos — o que gerou um dos debates mais instigantes sobre o papel do AI na produção musical moderna.
🎤 O “toque humano” que virou resposta
Enquanto a versão original gerada com IA sofria rejeição e retirada, surgiu uma alternativa humana: a cantora Kaitlin Aragon, cujo cover da música no TikTok viralizou, foi convidada a gravar os vocais oficiais para uma nova edição do single.
Para Aragon, o episódio acende uma discussão essencial: “as pessoas querem sentir uma conexão humana com o que ouvem”. Ela argumenta que artistas sempre usaram tecnologia — de sintetizadores a Auto-Tune — e que o desafio é como utilizar ferramentas como IA de forma responsável e transparente.
📊 O futuro da música com IA
Especialistas em musicologia observam que o desconforto do público em relação a músicas com partes geradas por inteligência artificial não é novo: revoluções tecnológicas no passado — desde o rádio até o Auto-Tune — também geraram resistência antes de se tornarem normais.
O que I Run mostrou é que a narrativa cultural sobre IA na música ainda está sendo escrita. À medida que grandes gravadoras firmam acordos de licenciamento com plataformas de IA e debatem compensações e direitos, o episódio serve como um possível ponto de virada no debate sobre ética, autoria e identidade artística em um mundo onde algoritmos podem cantar tão bem quanto humanos.
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