Música
Velvet 21: hologramas, máquinas e um coração que insiste em bater
A Velvet 21 é mais que uma banda criada com inteligência artificial: é um experimento artístico brasileiro que vive na fronteira entre ciência, ficção futura e sensibilidade humana. Sua estética — holográfica, high-tech, povoada de texturas digitais e atmosfera cyberpunk — não é enfeite: é parte do manifesto. Cada luz, cada glitch, cada rosto sintético expõe uma pergunta essencial sobre tecnologia, criação e humanidade.
Ao descobrir que os quatro integrantes são inteiramente gerados por IA, a dúvida surge naturalmente: “a máquina está compondo e dirigindo tudo sozinha?”.
A resposta é categórica: não.
A Velvet 21 nasce de direção humana intensa. A máquina responde — mas quem pergunta, seleciona, combina, reescreve e transforma é o criador. Como explica o idealizador do projeto, o físico e produtor Ueslei Reis, a banda é sua tentativa de usar a IA não para imitar pessoas, mas para revelar algo que só o olhar humano percebe.
Nada ali é “clicar e publicar”.
O processo criativo é um ecossistema manual, híbrido e artesanal:
Composição – As letras são escritas por Ueslei, muitas vezes em parceria com sua esposa, Amanda Moreira. As versões musicais passam por múltiplas reescritas em plataformas como Suno.ai, que geram dezenas de variações até o arranjo final.
Identidade visual – Os integrantes da banda nascem de uma combinação das seguintes IA’s Qwen Image, NanoBanana, Flux Kontext e ChatGPT, seguida de edições minuciosas em Canva e processos de face-swap para manter coerência estética.
Videoclipes – As cenas são geradas em ferramentas como Kling e Google Veo, mas o resultado bruto é apenas a base. Ueslei reordena takes, reconstrói quadros, sincroniza cortes e refina a narrativa visual quadro a quadro.
Expressão humana – Tecnologias de lip sync e face swap (DreamAPI, SeaArt) evitam o “vale da estranheza” e garantem performances emocionalmente críveis.
Pós-produção – No Vegas Pro, efeitos e coesão visual são aplicados com presets próprios, desenvolvidos pelo criador para unificar movimento de câmera, luz e atmosfera.
A Velvet 21 também faz da IA um espelho crítico. Em faixas como Pesadelo Multimodal e Motores Invisíveis, a banda questiona algoritmos, poder e a falsa neutralidade tecnológica. A IA não é celebrada: é tensionada.
O resultado é uma obra que afirma: o futuro da criação não é máquina ou humano — é humano com máquina. A emoção continua sendo a métrica final.
Os clipes “Livre da Queda”, “Força Programada”, “Luz de Neon” e “Motores Invisíveis” já estão no YouTube, assim como o ultimo “Pesadelo Multimodal”, disponível no canal UReis AI Songs.
Assista:
Notícias
Liah Soares transforma IA em poesia visual no clipe de “Amor pela Metade”, trilha de Três Graças
A veterana da música brasileira Liah Soares inaugura um novo capítulo na sua carreira com o lançamento do videoclipe de Amor pela Metade, single que integra a trilha sonora da novela Três Graças (TV Globo), tema amoroso dos personagens Viviane (Gabriela Loran) e Leonardo (Pedro Novaes).
Dirigido por Rafael Almeida e produzido pela RA7 Content, o clipe se destaca por um elemento que vem dominando conversas na cultura pop e no universo audiovisual: a inteligência artificial como ferramenta criativa. A produção abraça a IA não como substituta, mas como parceira na construção de um universo imagético onírico que dialoga com as camadas emocionais da canção e os dilemas dos personagens da trama.
A canção — lançada como single em plataformas digitais — explora a fragilidade e ambiguidade de um amor incompleto, e se beneficia do uso da IA para traduzir visualmente esse clima de sonho e metáfora. Segundo relatos sobre o processo, Liah passou por uma captura detalhada de expressões e movimentos, permitindo que a versão digital da artista mantivesse uma fidelidade sensível à performance real.
Para a paraense com mais de duas décadas de estrada, cujo repertório já foi gravado por gigantes da música popular brasileira e cuja voz já integrou diversas trilhas de novela, essa experiência com tecnologia representa mais um ponto de inflexão em uma carreira marcada pela mistura de tradição e invenção.
O videoclipe — visualmente ousado e tecnologicamente concebido — convida o público a repensar não apenas a forma como se constrói um vídeo musical, mas a própria relação entre sentimento e imagem na era digital. A música, já amplamente exibida nas cenas da novela, ganha agora sua extensão visual, reforçando a presença de Liah no centro das conversas sobre inovação artística no Brasil.
Assista:
Música
Ilaiyaraaja diz que “inteligência humana é artificial” e provoca reflexão sobre criatividade
Ícone da música indiana, o compositor Ilaiyaraaja voltou a desafiar nossos clichês sobre criatividade e tecnologia ao afirmar que “a própria inteligência humana é artificial” durante um encontro com a imprensa em Bengaluru. A declaração surgiu no anúncio do Music for Meals, um concerto beneficente agendado para 10 de janeiro, que celebra 50 anos de carreira do maestro e terá parte da renda revertida para a Fundação Akshaya Patra, que alimenta milhões de crianças na Índia.
Para Ilaiyaraaja — produtor de uma obra que atravessa décadas e gêneros, misturando tradição indiana com sofisticadas orquestrações — a noção de inteligência natural é uma miragem: tudo o que aprendemos é moldado por aquilo que nos foi pré-alimentado por educação, cultura e referências externas. “Não existe nada que aprendamos por conta própria”, disse ele aos jornalistas no templo ISKCON de Rajajinagar, reafirmando sua visão crítica sobre o impacto e o significado de sistemas como a inteligência artificial no fazer artístico.
Essa reflexão coloca Ilaiyaraaja — cuja discografia inclui milhares de canções e scores que reverberaram não apenas no cinema Tamil, mas em toda a música popular do subcontinente — na linha de artistas que não apenas dominam a técnica, mas provocam debates sobre o que realmente significa criar. Sua posição ressoa com discussões contemporâneas de filósofos e tecnólogos que questionam se a inteligência — humana ou sintética — não é simplesmente uma colcha de retalhos de experiências e aprendizagens prévias.
O concerto Music for Meals promete celebrar não apenas o legado musical de Ilaiyaraaja, mas também levantar questões fundamentais sobre arte, ensino e tecnologia — um debate que ecoa da música clássica ao código das máquinas.
Fonte: The Times of India
Música
Ascensão das Estrelas de IA: de Tilly Norwood a Xania Monet, o Futuro já Chegou — e Está Dividindo o Jogo da Cultura Pop
Um novo capítulo na história da música e do cinema digital está sendo escrito — e não é com atores de verdade. Figuras como Tilly Norwood e Xania Monet, artistas geradas inteiramente por inteligência artificial, estão atraindo contratos milionários, audiências massivas nas plataformas e uma reação visceral de críticos, sindicatos e artistas humanos.
Criada pela estúdio britânico Particle6, Tilly Norwood é uma atriz gerada por IA que ganhou atenção global após estrelar conteúdos online e despertar interesse de agentes de talento — ao ponto de ser apontada como a “próxima grande estrela digital”.
No universo da música, Xania Monet representa o lado sonoro dessa revolução. Desenvolvida com ferramentas de geração musical baseada em IA, sua voz e repertório levaram-na a assinar um contrato multimilionário com uma gravadora e até a aparecer em paradas de sucesso, mesmo sem existir no mundo físico.
Mas esse avanço é também um campo de batalha cultural.
Estrelas de Hollywood como Emily Blunt e Whoopi Goldberg chegaram a descrever a ascensão desses avatares digitais como “assustadora”, afirmando que o uso de IA pode corroer a conexão humana essencial ao entretenimento. A poderosa organização SAG-AFTRA, que representa mais de 160 mil profissionais do setor, lançou duras críticas à ideia de tratar entidades geradas por algoritmos como performers reais.
Do lado dos criadores, os argumentos são quase filosóficos: para eles, personagens como Tilly e Xania não substituem artistas humanos — eles expandem as fronteiras narrativas e criativas, introduzindo novas ferramentas à cultura pop. A desenvolvedora de Tilly, por exemplo, enfatiza que a personagem foi pensada para existir em um “gênero de entretenimento IA” próprio, e não como substituta de talentos de carne e osso.
No entanto, o debate não se limita ao campo artístico. A presença cada vez maior dessas “estrelas sintéticas” levanta questões profundas sobre autenticidade, conexão emocional com o público, direitos de personalidade e os riscos de padronização de beleza e expressão — especialmente quando avatares se tornam marcas e produtos.
Enquanto alguns veem a ascensão dos astros de IA como um divisor de águas tecnológico, outros alertam que a indústria precisa urgentemente de normas e limites claros para preservar a singularidade da experiência humana no entretenimento. A pergunta que fica, para músicos, cineastas e fãs, é uma só: o que realmente consideramos arte — e quem merece ser chamado de artista?
-
Tecnologia & IA4 semanas atrásDisney investe US$ 1 bilhão na OpenAI
-
Cinema4 semanas atrásDo grunge à sobriedade: Antiheroine traz o retrato sem filtros de Courtney Love
-
Notícias4 semanas atrásLiah Soares transforma IA em poesia visual no clipe de “Amor pela Metade”, trilha de Três Graças
-
Notícias4 semanas atrásPersonalidades do Ano 2025: Os ‘construtores’ da inteligência artificial”
-
Cinema4 semanas atrásCinema em Código: “The Sweet Idleness” e a Revolução da Direção Artificial
-
Notícias4 semanas atrás2025: o ano em que algoritmos, estética e excesso de conteúdo redefiniram o zeitgeist global
-
Notícias4 semanas atrásAI-drop ou AI-flop? O som do amanhã em disputa
-
Notícias4 semanas atrásSpotify aposta em videoclipes para engajar fãs e competir com YouTube