Música
Suno, Udio e a batalha pelo direito de criar música com IA
A música com inteligência artificial passou muito rápido da fase “olha que bizarro esse Drake falso” para a fase “chama o jurídico, chama o investidor e chama o departamento de licenciamento”. O que até pouco tempo parecia um brinquedo de meme, uma curiosidade para viralizar no TikTok ou um delírio tecnófilo de artista futurista, virou um dos centros nervosos da indústria musical.
Hoje, plataformas como Suno e Udio conseguem gerar faixas completas em poucos minutos, com voz, letra, arranjo, mixagem e estética de gênero. Ao mesmo tempo, gravadoras como Universal, Sony e Warner processam, negociam, fazem acordos e tentam transformar o caos em contrato. Segundo a Pitchfork, a música por IA já não é um fenômeno marginal: ela entrou nas paradas, nos acordos de licenciamento, nas disputas de copyright e nos planos estratégicos das majors.
A treta central é simples de entender e difícil de resolver: essas plataformas são ferramentas criativas legítimas ou máquinas treinadas em cima de catálogos protegidos sem autorização? Em junho de 2024, a RIAA anunciou processos contra Suno e Udio, acusando as empresas de uso massivo de gravações protegidas por direitos autorais para treinar sistemas de geração musical.
Desde então, a guerra saiu do campo puramente judicial e entrou no campo do “vamos negociar antes que alguém perca tudo”. Universal e Udio chegaram a um acordo em 2025 para desenvolver uma plataforma licenciada de criação musical com IA. Warner também fechou acordos com Udio e Suno, resolvendo litígios e preparando modelos licenciados para 2026.
Ou seja: a velha indústria não está apenas tentando matar a IA musical. Está tentando domesticá-la, colocar coleira, cobrar pedágio e transformar cada prompt em nova linha de receita.
Suno: a estrela pop da IA musical
A Suno é hoje a empresa mais visível desse novo ecossistema. Lançada publicamente em dezembro de 2023, a plataforma popularizou a promessa direta: criar qualquer música que você imaginar. O usuário digita um prompt, escolhe estilos, ajusta parâmetros e recebe uma faixa com vocal, letra, instrumentação e estrutura pop pronta para circular.
A Pitchfork destaca que a Suno afirma gerar cerca de 7 milhões de músicas por dia, um número que ajuda a explicar tanto o fascínio quanto o pânico da indústria. Porque, se a música vira uma torneira infinita, a pergunta deixa de ser apenas “quem cria?” e passa a ser “quem filtra, quem monetiza e quem paga a conta dos direitos?”.
A empresa foi processada por gravadoras, mas o cenário começou a mudar quando a Warner Music Group fechou um acordo com a plataforma. Pelo anúncio da própria Warner, a parceria prevê novos modelos licenciados em 2026, substituição dos modelos atuais e restrições para downloads, especialmente em músicas criadas na camada gratuita.
A Reuters também informou que o acordo resolveu o processo da Warner contra a Suno e abriu caminho para modelos licenciados, enquanto Universal e Sony continuavam em litígio contra a empresa. Aqui está o ponto quente: a Suno virou grande demais para ser ignorada, mas ainda polêmica demais para ser plenamente absorvida pela indústria tradicional.
Udio: da explosão viral ao jardim murado
A Udio surgiu em abril de 2024 com credenciais de peso: ex-pesquisadores do Google DeepMind e apoio de investidores como a Andreessen Horowitz. Assim como a Suno, vende a ideia de música completa gerada por prompt. Mas sua trajetória recente mostra um movimento diferente: sair da internet aberta e caminhar para um modelo mais controlado, licenciado e fechado.
A plataforma ficou conhecida também por ter sido usada na criação de “BBL Drizzy”, faixa viral associada ao universo das diss tracks e da cultura remix. Mas a fama veio junto com processo. Udio e Suno foram alvo das ações das majors em 2024.
Em 2025, a Universal anunciou acordo com a Udio para criar uma nova plataforma licenciada de música com IA. A AP noticiou que, após o acordo, a Udio deixou de oferecer downloads de músicas geradas por IA, provocando reação negativa de usuários. A Warner também anunciou acordo semelhante com a Udio, estabelecendo uma estrutura para um serviço licenciado de criação musical com lançamento previsto para 2026.
Na prática, a Udio virou símbolo de uma tendência: a IA musical pode até nascer como ferramenta aberta, mas as majors preferem que ela viva dentro de um cercadinho bem iluminado, com controle de uso, licenciamento e dinheiro voltando para os donos dos catálogos.
Boomy: democratização, ruído e o fantasma da fraude
A Boomy é anterior à explosão Suno/Udio. Lançada em 2021, ela se posicionou como uma ferramenta para pessoas sem experiência musical criarem faixas rapidamente, com controles de gênero, andamento, instrumentos, mixagem e voz.
O problema é que a Boomy acabou associada a uma das histórias mais espinhosas da nova música automatizada: o caso Michael Smith. O Departamento de Justiça dos EUA acusou Smith de usar músicas geradas com IA e bots para fraudar plataformas de streaming e obter milhões de dólares em royalties.
Em março de 2026, o Guardian noticiou que Smith se declarou culpado de conspiração para cometer fraude eletrônica, em um esquema que teria usado músicas geradas por IA e audições automatizadas para desviar mais de US$ 10 milhões em royalties.
Esse caso é importante porque mostra o lado mais podre do “conteúdo infinito”: se qualquer um pode gerar milhares de faixas, criar artistas falsos e simular audiência, o streaming vira um cassino de robôs. E, nesse cassino, quem perde primeiro é o artista humano que já recebia pouco.
ElevenLabs: quando a voz vira território de guerra
A ElevenLabs ficou mais conhecida por ferramentas de voz sintética, clonagem vocal e dublagem com IA. No universo musical, isso toca num nervo exposto: a voz é identidade, marca, presença, corpo, assinatura emocional. Clonar uma voz não é a mesma coisa que gerar uma batida genérica.
Segundo a Pitchfork, a ElevenLabs ainda não fechou grandes acordos com gravadoras, mas já se aproximou do campo musical por meio de projetos envolvendo vozes sintéticas e figuras reconhecíveis. A empresa também enfrentou processo movido por dubladores e autores, que alegaram uso indevido de vozes a partir de audiolivros protegidos.
No fundo, a ElevenLabs representa uma camada específica da revolução: não é apenas “fazer música com IA”, mas manipular presença vocal. E isso é dinamite jurídica, artística e emocional.
Klay Vision: a startup misteriosa que agradou as majors
A Klay Vision é um caso curioso. Ainda sem um produto amplamente consolidado no mercado, a empresa ganhou atenção por buscar um caminho mais diplomático: licenciamento antes da guerra total.
A Pitchfork descreve a Klay como uma startup com pouco produto público, mas muito discurso de mercado, incluindo ambições de criar uma plataforma de streaming e uma rede social musical. O ponto mais relevante é que a empresa aparece associada a acordos com as três grandes gravadoras e suas editoras, um diferencial enorme num setor em que outras startups começaram sendo processadas.
É o modelo “não peça desculpas depois, peça licença antes”. Pode ser menos punk, menos viral e menos sexy para o usuário final, mas é exatamente o tipo de estratégia que costuma deixar advogado de major dormindo melhor.
Splice: IA para produtor, não para turista de prompt
A Splice já era relevante antes da febre generativa. Sua biblioteca de samples royalty-free virou parte do fluxo de trabalho de produtores de pop, eletrônica, hip-hop e música comercial. A diferença é que a IA, no caso da Splice, entra menos como “aperte um botão e receba uma música” e mais como ferramenta para encontrar, recombinar e transformar sons.
A própria Splice afirma que começou sua trajetória de IA voltada a criadores em 2019 com o Similar Sounds, ferramenta que usa machine learning para encontrar sons parecidos no catálogo. Em 2026, a empresa anunciou novas ferramentas de IA voltadas à compensação de criadores de samples quando seus sons são usados como fonte ou variação.
Esse é um caminho importante porque muda o enquadramento: em vez de substituir o produtor por um prompt, a IA vira uma extensão do estúdio. Menos “robô compositor” e mais “assistente de produção turbinado”.
Loudly e Soundraw: música funcional, royalty-free e mercado de fundo
Nem toda música com IA quer disputar o Grammy, imitar Drake ou ressuscitar Freddie Mercury em versão deepfake. Plataformas como Loudly e Soundraw miram um mercado gigantesco e menos glamouroso: trilhas, música de fundo, vídeos corporativos, redes sociais, games, publicidade barata, conteúdo de creator e sonorização sob demanda.
A Pitchfork aponta que a Loudly oferece geração por prompt, remix, compatibilidade com DAWs e distribuição, enquanto a Soundraw se posiciona como solução para música de fundo royalty-free, com material criado internamente.
Esse é talvez o setor mais silenciosamente ameaçador para compositores de biblioteca, produtores de trilha branca e músicos que vivem de sync pequeno. A IA pode não matar o artista pop, mas pode esmagar o mercado intermediário de música funcional — aquele jingle, aquela trilha de vídeo institucional, aquele loop de fundo que pagava o aluguel de muita gente.
Music Flamingo e a IA que não compõe: analisa
Outro ramo da corrida não é a geração, mas a análise musical. A Pitchfork cita o Music Flamingo, ligado à Nvidia, como uma plataforma voltada à compreensão de estrutura, instrumentação, letra e contexto cultural da música.
Esse tipo de IA não entra necessariamente para criar canções, mas para organizar, recomendar, classificar e extrair sentido de catálogos gigantescos. É uma camada menos visível para o público, mas altamente estratégica para gravadoras, plataformas de streaming e empresas que querem transformar gosto musical em dado acionável.
Aqui mora uma das partes mais assustadoras — e lucrativas — da história: a IA não precisa compor a próxima música para controlar o mercado. Ela pode simplesmente decidir qual música será descoberta.
A grande virada: de processo para licenciamento
O que está acontecendo agora é uma migração do conflito bruto para o contrato. Em 2024, as majors bateram forte em Suno e Udio. Em 2025 e 2026, começaram a aparecer acordos, modelos licenciados, plataformas fechadas, opt-in de artistas, controle de voz, nome, imagem e composição.
Isso não significa paz. Significa que a indústria percebeu que a IA musical não vai desaparecer. O novo jogo é decidir quem fica com o dinheiro quando a máquina canta.
Para os artistas, o cenário é ambíguo. Há oportunidades reais: novas ferramentas de composição, produção barata, experimentação estética, prototipagem rápida e distribuição criativa. Mas há também riscos brutais: diluição de mercado, clonagem de estilo, contratos abusivos, perda de controle sobre voz e imagem, além de um oceano de conteúdo sintético empurrando o valor médio da música ainda mais para baixo.
Para as gravadoras, a IA é ameaça e salvação ao mesmo tempo. Ela pode corroer o valor dos catálogos, mas também pode gerar novas receitas se for licenciada, cercada e convertida em produto corporativo.
Para startups, o recado é claro: crescer rápido demais sem acordo pode virar processo. Pedir licença cedo demais pode matar a cultura de usuário. O equilíbrio entre revolução e submissão ao velho mercado será a linha fina dessa década.
O que isso significa para a MVAI
Para a MVAI, a leitura é direta: a música com IA já entrou na fase industrial. Não estamos mais falando só de curiosidade tecnológica. Estamos falando de cadeia produtiva, catálogo, vídeo, artista virtual, licenciamento, distribuição, branding, publicidade, sync, comunidades e monetização.
A oportunidade não está apenas em gerar música. Isso qualquer ferramenta fará cada vez melhor. A oportunidade está em criar linguagem, narrativa, personagem, videoclipe, comunidade, estética, curadoria e modelo de negócio.
A nova indústria musical será menos parecida com uma gravadora tradicional e mais parecida com uma mistura de estúdio audiovisual, laboratório de IA, agência de publicidade, selo musical, canal de mídia e fábrica de propriedade intelectual.
Suno e Udio abriram a porteira. As majors tentam colocar cerca. Mas o território ainda está em disputa.
E, como sempre acontece quando uma tecnologia nova bagunça o coreto, quem entender antes que a música agora é software, mídia e personagem ao mesmo tempo vai sair na frente. Quem achar que é só “apertar um botão e fazer musiquinha” vai virar figurante no próprio futuro.
Fonte: Pitchfork
Música
Universal e Sony pressionam DistroKid por dados de músicas criadas com IA
Gravadoras negociam com distribuidora acesso a informações sobre faixas geradas por inteligência artificial, incluindo músicas feitas com Suno, reproduções e royalties.
A Universal Music Group e a Sony Music Entertainment estão negociando com a DistroKid uma solução para a disputa judicial envolvendo dados de músicas criadas com inteligência artificial (IA).
Segundo o Music Business Worldwide, as empresas informaram à Justiça dos Estados Unidos que trabalham para resolver o impasse. O acordo, porém, ainda não foi anunciado.
O objetivo das gravadoras é obter informações que possam ser utilizadas no processo por direitos autorais contra a Suno, plataforma de geração musical por IA.
Quais dados Universal e Sony querem?
As gravadoras pedem que a DistroKid apresente informações sobre:
- Quantas músicas distribuídas foram identificadas como possivelmente geradas por IA.
- Quantas dessas faixas podem ter sido criadas com a Suno.
- Quantas reproduções e quanto em royalties essas músicas acumularam.
- Qual tecnologia a distribuidora utiliza para detectar conteúdos gerados por IA.
Os dados ajudariam a dimensionar a presença comercial da música sintética nas plataformas de streaming.
Por que a Suno está na Justiça?
A disputa começou em junho de 2024, quando grandes gravadoras acusaram a Suno de utilizar gravações protegidas por direitos autorais no treinamento de seus modelos de inteligência artificial sem autorização.
A Suno defende que esse treinamento pode ser protegido pela doutrina americana de fair use (uso justo).
Universal e Sony, por outro lado, argumentam que a música gerada por IA pode competir diretamente com gravações tradicionais e afetar suas receitas.
A Warner Music, que também participava do processo original, fechou um acordo com a Suno em novembro de 2025.
Qual é a situação da DistroKid?
A DistroKid não é ré no processo original contra a Suno, mas passou a ser alvo de uma solicitação judicial para apresentar dados.
Além disso, enfrenta uma ação separada movida pela Universal em setembro de 2026, envolvendo acusações de violação de direitos autorais. A distribuidora contesta as alegações.
Reportagem do The Verge também mostrou que músicas de artistas independentes foram removidas das plataformas após reclamações da Universal, incluindo faixas que seus criadores afirmam não ter sido geradas por IA.
O próximo prazo judicial é 6 de novembro de 2026, data estabelecida para a DistroKid responder ao pedido de apresentação de documentos caso a disputa não seja resolvida antes.
O que está em jogo para o futuro da música?
O caso coloca uma questão importante para a indústria musical: como identificar, licenciar e remunerar músicas produzidas com inteligência artificial?
Para artistas independentes, o desfecho pode influenciar as regras de distribuição, transparência e proteção dos direitos autorais.
A discussão não envolve apenas a tecnologia utilizada para criar uma música, mas também quem controla sua circulação e como o dinheiro gerado pelo streaming será distribuído.
Música
Grimes, A$AP Rocky e Spotify colocam limites para a inteligência artificial na música
Enquanto artistas defendem a IA como ferramenta criativa, plataformas de streaming intensificam o combate à produção automatizada em massa. O debate agora é sobre autoria, transparência e qualidade.
A inteligência artificial está transformando a indústria musical, mas até alguns de seus maiores entusiastas estão estabelecendo limites para seu uso. É o que mostra uma análise publicada pelo jornal britânico The Guardian nesta quarta-feira (21).
Artistas como Grimes, A$AP Rocky e Kelly Clarkson defendem o potencial criativo da tecnologia, mas fazem ressalvas à produção musical inteiramente automatizada.
Grimes defende o trabalho humano
Uma das pioneiras na experimentação musical com IA, Grimes afirma que seu novo projeto, Psy Opera, é inspirado pela inteligência artificial, mas não foi inteiramente gerado por ela.
A cantora destacou que uma equipe de aproximadamente 70 profissionais trabalhou durante meses na produção do material audiovisual de divulgação do álbum, defendendo o reconhecimento desses artistas.
Já o rapper A$AP Rocky reconhece aplicações úteis da IA, como a separação de vocais e instrumentos, mas prefere continuar criando músicas diretamente com produtores e músicos.
Kelly Clarkson também apoia a tecnologia, embora defenda que artistas gerados por IA tenham paradas musicais separadas das destinadas aos artistas humanos.
Spotify retira 50 milhões de faixas das recomendações
O debate ganhou força após o Spotify anunciar, em 20 de outubro, que retirou mais de 50 milhões de faixas classificadas como conteúdo de baixa qualidade ou spam de seus sistemas de recomendação em 2026.
A empresa não informou quantas dessas faixas foram efetivamente produzidas com inteligência artificial. A medida também não significa que todas tenham sido excluídas da plataforma.
O Spotify afirma que pretende valorizar a criação humana, combater conteúdos repetitivos e identificar perfis de artistas virtuais, sem abandonar suas próprias ferramentas de IA.
O futuro da música será híbrido?
A crescente presença de músicas geradas por algoritmos levanta questões sobre autoria, originalidade e o papel dos artistas na criação musical.
Mas existe uma diferença fundamental entre utilizar inteligência artificial para ampliar possibilidades artísticas e produzir milhares de faixas automaticamente, sem direção criativa ou curadoria.
Para a indústria musical, o desafio não é simplesmente escolher entre humanos e máquinas. É estabelecer como essas tecnologias podem participar do processo criativo sem reduzir a importância de quem compõe, interpreta, produz e dá identidade à música.
A inteligência artificial pode transformar a maneira de fazer música. Mas a tecnologia, por si só, não substitui uma visão artística.
Música
Editoras independentes criam 7 regras para licenciar música à inteligência artificial
A inteligência artificial está criando um novo mercado para a música — e as editoras independentes querem definir as regras antes que ele se consolide.
As organizações IMPEL e IMPF, que representam editoras musicais independentes, apresentaram em 30 de setembro um conjunto de sete princípios para o licenciamento de músicas por sistemas de IA generativa. O argumento central é simples: se músicas, letras e melodias ajudam a treinar e alimentar modelos de inteligência artificial, seus autores e titulares precisam participar do valor criado.
A composição não pode valer menos
Um dos pontos mais importantes da proposta é a divisão entre dois direitos diferentes existentes numa música: a gravação, ou master, e a composição, que envolve letra e melodia.
IMPEL e IMPF defendem que, no licenciamento para IA, a composição seja valorizada pelo menos no mesmo nível da gravação, salvo situações específicas que justifiquem outra divisão.
Para as entidades, levar automaticamente para a inteligência artificial as antigas divisões econômicas da indústria fonográfica poderia repetir desequilíbrios já discutidos durante décadas no mercado de streaming.
As 7 regras propostas
O framework estabelece que:
- músicas e composições precisam receber uma remuneração compatível com seu valor;
- a divisão entre direitos de gravação e publicação musical deve ser equilibrada;
- pagamentos por uso anterior, treinamento, outputs e usos futuros precisam ser separados;
- taxas, descontos e cálculos de receita devem ser transparentes;
- cada licença deve definir exatamente quais usos da obra estão autorizados;
- sistemas de atribuição e rastreamento precisam permitir identificar obras utilizadas pela IA;
- usos comerciais posteriores de músicas geradas por IA também devem gerar remuneração quando forem baseados em obras utilizadas no treinamento.
O problema do rastreamento
Esse último ponto depende de uma das questões técnicas mais difíceis da música generativa: descobrir qual obra participou do treinamento de um modelo e quanto ela contribuiu para determinado resultado.
IMPEL e IMPF afirmam estar testando tecnologias de atribuição capazes de identificar e rastrear obras durante treinamento, geração e output de sistemas de IA. Um dos experimentos já divulgados envolve a empresa de tecnologia Sureel AI.
Sem esse tipo de infraestrutura, calcular royalties individualmente pode se tornar extremamente difícil.
Não é uma proposta contra a IA
As organizações deixam claro que não pretendem bloquear a tecnologia. Elas afirmam apoiar inovação, experimentação responsável e acordos com empresas de IA — desde que existam regras claras de remuneração e transparência.
Essa discussão também está acontecendo em outras partes da indústria criativa. A CISAC, que reúne sociedades de autores ao redor do mundo, vem defendendo três princípios semelhantes para inteligência artificial: autorização, remuneração e transparência.
A questão começa, portanto, a mudar de forma.
Já não é apenas “a IA pode usar música?”.
A pergunta que deve dominar os próximos anos será:
quando a IA usar música para aprender, criar e gerar receita, como esse dinheiro volta para quem criou a obra original?
Essa resposta pode definir boa parte da economia da música na era da inteligência artificial.
Fontes utilizadas no copydesk: Music Business Worldwide como fonte principal, comunicado oficial de IMPF/IMPEL, Music Week, Digital Music News e documentação da CISAC. A fonte primária confirma que o framework foi anunciado em 30 de setembro de 2026 e que o princípio central é valorizar adequadamente a composição dentro dos novos modelos de licenciamento.
-
Música2 semanas atrásGrimes, A$AP Rocky e Spotify colocam limites para a inteligência artificial na música
-
Cinema1 semana atrásIA contra Hollywood: Grok divulga sua versão de “A Odisseia”
-
Música14 horas atrásUniversal e Sony pressionam DistroKid por dados de músicas criadas com IA
-
Videoclipe13 horas atrásSound & Screen AI Music Video Awards 2026: conheça os vencedores do prêmio de videoclipes com IA