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Sound & Screen AI Music Video Awards 2026: conheça os vencedores do prêmio de videoclipes com IA

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After Eve lidera premios de videoclipes 2026

After Eve foi o grande destaque da primeira edição do Sound & Screen, conquistando dois prêmios. A competição criada pelo produtor americano Samori Coles revela uma nova geração de artistas e diretores que estão transformando a produção de videoclipes com inteligência artificial.

A inteligência artificial acaba de conquistar mais um espaço no universo da música: uma premiação dedicada especificamente aos videoclipes produzidos com a tecnologia.

Realizado em 21 de outubro de 2026, o Sound & Screen AI Music Video Awards anunciou os vencedores de sua primeira edição durante uma transmissão ao vivo no TikTok. A iniciativa, criada pelo produtor musical americano Samori Coles, distribuiu sete prêmios e colocou em evidência artistas independentes que estão explorando novas possibilidades para a linguagem audiovisual.

O grande vencedor foi o projeto After Eve, que conquistou o prêmio principal, Best AI Music Video, com “Hollow”, e também levou Best Technical Achievement, com “Blah Blah Blah”.

Mais do que reconhecer experiências com ferramentas generativas, o Sound & Screen propõe uma mudança importante: avaliar os videoclipes com IA como obras audiovisuais, considerando narrativa, direção, cinematografia e relação entre música e imagem.

After Eve é o grande vencedor da primeira edição

Com três indicações distribuídas entre trabalhos diferentes, After Eve terminou a premiação como o único projeto a conquistar dois troféus.

“Hollow”, escolhido como melhor videoclipe com IA de 2026 na competição, apresenta uma narrativa centrada em Vesper, personagem de um universo ficcional desenvolvido pelo projeto. O vídeo foi publicado no YouTube em 7 de outubro, último dia do período de elegibilidade da premiação.

O segundo prêmio veio com “Blah Blah Blah”, lançado em setembro, reconhecido pela execução técnica. A categoria considera aspectos que continuam sendo grandes desafios da produção audiovisual generativa, como consistência de personagens, estabilidade visual e sincronização labial.

O resultado coloca After Eve em destaque nessa cena emergente, na qual a capacidade de construir uma identidade visual reconhecível começa a ter tanto peso quanto o domínio das ferramentas.

Confira todos os vencedores do Sound & Screen AI Music Video Awards 2026

CategoriaArtista ou projetoVideoclipe vencedor
Melhor videoclipe com IA (Best AI Music Video)After EveHollow
Melhor narrativa (Best Storytelling)Ravyn MaeDaddy Don’t
Melhor estilo visual (Best Visual Style)Dream RelicTime is a Limited Allowance
Melhor realização técnica (Best Technical Achievement)After EveBlah Blah Blah
Melhor animação (Best Animation)Waking Up ChristopherTake My Heart
Melhor comentário social (Best Social Commentary)RayneedayeGreenwood Stories
Escolha do público (Viewers’ Choice)FRAIZEHand on the Wheel

Os trabalhos premiados mostram a diversidade dos videoclipes com IA

Ravyn Mae — “Daddy Don’t”

Vencedor de Melhor Narrativa, o videoclipe aborda uma experiência pessoal relacionada a um relacionamento abusivo e à presença dos filhos nesse contexto. A obra demonstra como a inteligência artificial pode participar de narrativas emocionalmente complexas, sem se limitar ao espetáculo visual.

Dream Relic — “Time is a Limited Allowance”

Premiado pelo estilo visual, o projeto se destacou pela identidade estética. Segundo o The AI Musicpreneur, o videoclipe já havia ultrapassado 316 mil visualizações no YouTube em 2 de novembro, tornando-se o mais assistido entre os sete trabalhos vencedores naquela data.

Waking Up Christopher — “Take My Heart”

O prêmio de Melhor Animação foi para uma história sobre o fim de um relacionamento e a reconstrução pessoal, apresentada em um universo visual com elementos neon. O trabalho evidencia o espaço da animação generativa para criar personagens e ambientes que não dependem do realismo fotográfico.

Rayneedaye — “Greenwood Stories”

Vencedor de Melhor Comentário Social, o videoclipe presta homenagem à comunidade negra do distrito de Greenwood, em Tulsa, nos Estados Unidos. A região, historicamente conhecida como Black Wall Street, foi devastada pelo massacre racial de 1921. O trabalho tem participação musical de Yung Zilla e utiliza o hip-hop como instrumento de memória histórica.

FRAIZE — “Hand on the Wheel”

O projeto de Martin Bruss, músico, cineasta e diretor criativo radicado em Biarritz, na França, venceu a categoria Escolha do Público. Com referências cinematográficas e uma mistura de soul pop, electro-funk e música eletrônica, o projeto combina direção humana com elementos produzidos por inteligência artificial.

O reconhecimento ganhou repercussão na imprensa europeia por meio de um comunicado divulgado em 28 de outubro, que destacou a proposta de integrar música, cinema e personagens digitais em um mesmo universo artístico.

Como funciona o Sound & Screen?

A premiação nasceu do programa semanal Sound & Screen, apresentado por Samori Coles no TikTok.

Em vez de selecionar exclusivamente produções de grandes estúdios, o programa abre espaço para trabalhos enviados por seus próprios criadores, que são exibidos e analisados durante as transmissões.

A primeira temporada considerada para os prêmios aconteceu entre 9 de setembro e 7 de outubro de 2026. Os indicados foram anunciados em 14 de outubro, e a votação popular terminou no dia 20.

Segundo o The AI Musicpreneur, foram 35 indicações distribuídas entre 24 videoclipes de 21 projetos musicais.

O regulamento permitia qualquer gênero musical, duração ou linguagem estética, desde que a obra estivesse finalizada, tivesse participação significativa da inteligência artificial e fosse de autoria do participante, com direitos adequados sobre os materiais utilizados.

Como foram escolhidos os vencedores?

Um dos diferenciais do Sound & Screen foi estabelecer critérios específicos para analisar a qualidade dos videoclipes gerados ou assistidos por IA.

O júri, formado por Drake Murphy, Christopher Wieduwilt, Olivia B. Moore e Bruce Chamoff, avaliou os trabalhos em seis aspectos:

  1. Narrativa: existência de uma ideia e de uma história bem construídas.
  2. Visão criativa: originalidade da interpretação audiovisual da música.
  3. Cinematografia: composição, enquadramento, iluminação, câmera e montagem.
  4. Consistência visual: continuidade dos personagens, figurinos e ambientes.
  5. Execução técnica: qualidade das imagens, transições e ausência de falhas de geração.
  6. Relação com a música: capacidade do videoclipe de ampliar a experiência musical.

Nas seis categorias submetidas ao júri, a avaliação dos especialistas representou 70% da pontuação, enquanto o voto popular respondeu pelos outros 30%. A categoria Viewers’ Choice foi decidida integralmente pelo público.

Outro detalhe chama a atenção: a sincronização labial não era obrigatória. Entretanto, quando utilizada de maneira insatisfatória, poderia provocar perda de pontos.

A regra reconhece que a qualidade de um videoclipe não depende necessariamente da reprodução realista de um cantor diante da câmera.

Repercussão na imprensa especializada: uma nova linguagem audiovisual?

A primeira edição do Sound & Screen começou a ganhar cobertura em publicações dedicadas à música produzida com inteligência artificial, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.

Em reportagem publicada em 1º de novembro, o portal especializado Zinstrel destacou o significado dos critérios utilizados pela premiação.

Para a publicação, o reconhecimento de trabalhos como “Hollow” indica uma mudança no padrão de qualidade esperado dos videoclipes com IA. A discussão começa a sair da capacidade de produzir imagens impressionantes e passa a considerar se essas imagens formam uma obra coerente e contribuem efetivamente para a música.

No dia 2 de novembro, o The AI Musicpreneur publicou um levantamento detalhado dos vencedores e indicados. Assinado por Christopher Wieduwilt, que também integrou o júri, o artigo chamou atenção para o desempenho de After Eve e para a diversidade de projetos selecionados.

A publicação ressaltou ainda a importância dos critérios técnicos e o papel da participação popular, responsável por parte da pontuação dos trabalhos.

Também em 2 de novembro, o diretório especializado VerseCove publicou uma análise com oito lições extraídas da premiação. Entre os principais pontos estavam a necessidade de desenvolver narrativas antes da geração das imagens, criar regras visuais próprias e tratar a consistência dos personagens como parte da pré-produção.

Na Europa, a repercussão se concentrou especialmente na vitória de FRAIZE. Um comunicado distribuído pela agência alemã SMACK Communications e reproduzido por serviços de imprensa destacou o trabalho de Martin Bruss como exemplo da integração entre composição musical, direção cinematográfica e tecnologias generativas.

Embora a cobertura localizada até o início de novembro ainda esteja concentrada em veículos especializados e canais ligados aos participantes, o evento já oferece um retrato interessante de uma comunidade criativa que busca reconhecimento para suas produções.

O que a premiação revela sobre o futuro dos videoclipes?

Durante décadas, a produção de videoclipes profissionais esteve associada a orçamentos elevados, equipes especializadas, locações, câmeras e estruturas de pós-produção.

As ferramentas de inteligência artificial estão modificando parte dessa equação, tornando possíveis produções audiovisuais complexas com equipes menores e custos potencialmente mais acessíveis.

Mas os resultados do Sound & Screen também mostram que ter acesso à tecnologia não significa, automaticamente, produzir um bom videoclipe.

A diferença continua passando por escolhas artísticas: o conceito, a direção, o ritmo da montagem, a construção dos personagens e a capacidade de transformar uma música em uma experiência visual.

A presença de uma categoria dedicada ao comentário social é particularmente significativa. Ela demonstra que os videoclipes com IA podem tratar de memória, conflitos e questões culturais, indo além das imagens futuristas frequentemente associadas à tecnologia.

Para a indústria musical, isso abre uma discussão importante sobre a participação dos artistas independentes na produção audiovisual e sobre os novos espaços de circulação para trabalhos produzidos fora dos modelos tradicionais.

Ao mesmo tempo, permanecem questões relacionadas a direitos autorais, transparência, consentimento, uso de imagens e remuneração dos profissionais criativos.

A possibilidade de produzir mais não elimina a necessidade de estabelecer responsabilidades sobre aquilo que é produzido.

Uma nova cena musical começa a ganhar seus próprios espaços

O Sound & Screen AI Music Video Awards ainda é uma premiação pequena, ligada a uma comunidade especializada, e não deve ser confundido com os grandes eventos internacionais da indústria fonográfica.

Sua importância está em outro lugar: a iniciativa cria um espaço de visibilidade para artistas e diretores que utilizam a inteligência artificial como parte de sua linguagem criativa.

A competição também oferece uma referência de qualidade para um segmento audiovisual que está em rápida transformação.

Com uma nova temporada do programa Sound & Screen prevista para começar em 4 de novembro de 2026, a expectativa é que mais criadores possam apresentar seus trabalhos e participar dessa cena.

O recado da primeira edição é claro: no videoclipe com inteligência artificial, gerar imagens já não basta. É preciso ter algo a dizer — e saber transformar isso em música e cinema.

A Redação MVAI reúne jornalistas, pesquisadores e criadores especializados em inteligência artificial, música, cultura digital e inovação. Nossos conteúdos são produzidos com apuração, fontes confiáveis, revisão editorial e atualização constante.

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Grimes mistura inteligência artificial e produção humana no clipe de “Accelerando”

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Grimes mistura inteligência artificial e produção humana no clipe de “Accelerando”

Em “Accelerando”, cantora combina inteligência artificial, efeitos visuais e performances reais para criar um universo futurista.

A cantora canadense Grimes confirmou o uso de inteligência artificial no videoclipe de “Accelerando”, lançado em outubro de 2026. A produção mistura imagens geradas por IA, efeitos visuais digitais (CGI) e performances humanas.

Segundo informações divulgadas pelo Business Insider, mais de 70 profissionais participaram da criação do vídeo, incluindo dançarinos, coreógrafos, maquiadores, especialistas em efeitos visuais e artistas de IA. O trabalho levou de dois a três meses.

IA como ferramenta criativa

A equipe de Grimes esclareceu que a inteligência artificial teve participação limitada na produção. As cenas com artistas foram gravadas em estúdio com fundo azul, enquanto CGI e elementos gerados por IA ajudaram a construir os cenários fantásticos.

A música e os vocais de “Accelerando” não utilizaram IA, segundo a representação da cantora.

O videoclipe apresenta paisagens apocalípticas, criaturas fantásticas e um universo tecnológico que acompanha a temática da canção.

Grimes e a inteligência artificial

A relação da artista com a tecnologia não é novidade. Em 2023, Grimes lançou o projeto Elf.Tech, permitindo que outros músicos experimentassem versões sintéticas de sua voz mediante um acordo de divisão de royalties.

Agora, com “Accelerando”, a cantora volta a provocar uma discussão importante: a inteligência artificial pode ampliar as possibilidades da criação audiovisual sem eliminar a participação humana?

O projeto demonstra uma abordagem híbrida em que direção artística, profissionais criativos e novas tecnologias participam do mesmo processo de produção.

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Judas Priest, inteligência artificial e polêmica: o novo clipe do KK’s Priest

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Judas Priest, inteligência artificial e polêmica: o novo clipe do KK’s Priest

Ex-guitarrista do Judas Priest revisita música de 1974 em videoclipe produzido com inteligência artificial. Resultado provoca críticas e reacende debate sobre tecnologia na música.

O KK’s Priest, banda liderada pelo guitarrista K.K. Downing, lançou um videoclipe para sua versão de “Never Satisfied”, música originalmente gravada pelo Judas Priest no álbum de estreia Rocka Rolla, de 1974.

A nova interpretação traz Tim “Ripper” Owens nos vocais e um ingrediente que está provocando polêmica entre os fãs: inteligência artificial para recriar digitalmente um jovem K.K. Downing.

O passado recriado com IA

Dirigido por John Psaras, do JPSR Studio, o videoclipe acompanha uma versão rejuvenescida do guitarrista em cenas que remetem ao começo de sua carreira musical.

A produção combina inteligência artificial, filmagem e efeitos visuais para reconstruir momentos que já não poderiam ser registrados com o artista naquela idade.

Downing defendeu a tecnologia, afirmando que ela tornou possível recriar visualmente algo impossível de filmar hoje.

Fãs divididos

Apesar da recepção positiva à releitura musical, parte dos fãs criticou o uso da inteligência artificial nas imagens.

Nos comentários destacados pela revista Louder, espectadores elogiaram a música, mas consideraram a tecnologia desnecessária. Outros criticaram diretamente a estética do vídeo.

O estúdio responsável, por sua vez, defende a IA como parte de uma nova linguagem de produção audiovisual, combinada com técnicas tradicionais de cinema e pós-produção.

Heavy metal na era da inteligência artificial

A polêmica mostra que a IA já faz parte de um debate que ultrapassa a música eletrônica e o pop, chegando também aos artistas históricos do heavy metal.

Mais do que recriar a aparência de um músico, a tecnologia permite construir narrativas visuais sobre sua trajetória, transformando lembranças em imagens inéditas.

O novo clipe do KK’s Priest deixa uma pergunta: até que ponto os fãs estão dispostos a aceitar a inteligência artificial como ferramenta de expressão artística?

Fontes: Louder, ThePRP, Metal Never Die, Whiplash e site oficial de K.K. Downing. A gravação da releitura já havia sido divulgada em 2025; a notícia de outubro de 2026 é o videoclipe.

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Rolling Stones desafiam o tempo em “In the Stars”, videoclipe que recria a juventude da banda com IA

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Rolling stones In the stars

Dirigido por François Rousselet, o vídeo combina mais de 100 músicos e dançarinos reais com tecnologia deepfake da Deep Voodoo, empresa criada pelos responsáveis por “South Park”

Os Rolling Stones nunca tiveram uma relação pacífica com o tempo. Desde os anos 1960, a banda transformou juventude, excesso, decadência e sobrevivência em matéria-prima para o rock. No videoclipe de “In the Stars”, o grupo leva essa disputa a um novo território: a inteligência artificial.

Lançado em 14 de maio de 2026, o vídeo apresenta versões rejuvenescidas de Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood, recriadas digitalmente para lembrar os Stones da virada dos anos 1960 para os 1970. A música integra Foreign Tongues, 25º álbum de estúdio da banda, lançado em 10 de julho pela Polydor Records e Universal Music.

Mas chamar “In the Stars” simplesmente de “videoclipe feito por IA” seria reduzir um trabalho muito mais elaborado. A produção foi realizada com atores, músicos, dançarinos, cenários, figurinos e câmeras reais. A inteligência artificial foi empregada principalmente na substituição dos rostos dos músicos que interpretaram fisicamente os integrantes da banda.

Uma festa de rock fora do tempo

Dirigido pelo francês François Rousselet, o clipe imagina um gigantesco estúdio tomado por músicos, cantores e dançarinos de diferentes períodos, culturas e subculturas. As décadas parecem coexistir dentro do mesmo ambiente, como se toda a história atravessada pelos Rolling Stones estivesse sendo convocada para uma única apresentação.

A atriz Odessa A’zion, conhecida por trabalhos como Marty Supreme e I Love LA, funciona como uma espécie de guia em meio ao caos. Ela atravessa a multidão, aproxima o espectador do palco e participa da atmosfera física e provocadora do vídeo — chegando, em um dos momentos mais comentados, a lamber o rosto do jovem Mick Jagger digital.

Rousselet já havia dirigido os Stones nos vídeos de “Ride ’Em On Down”, do álbum Blue & Lonesome, e “Angry”, de Hackney Diamonds. Em “In the Stars”, porém, o cineasta amplia sua escala: mais de 100 músicos e dançarinos foram escolhidos em cerca de uma semana, e os instrumentistas precisaram aprender a faixa rapidamente para que suas performances parecessem convincentes diante das câmeras.

O resultado não é apenas uma reconstrução nostálgica. É uma espécie de colagem viva da cultura do rock, na qual passado e presente se chocam dentro de um espaço propositalmente excessivo.

Os corpos são reais — a IA está nos rostos

Os jovens Stones vistos no clipe foram interpretados pelos integrantes da banda londrina Hot Property. Luca Arshad assumiu os movimentos de Mick Jagger, Jonny Webber interpretou Keith Richards e Tyla Challenger emprestou sua presença física a Ronnie Wood. Sobre essas performances, a Deep Voodoo aplicou digitalmente os rostos rejuvenescidos dos três músicos.

Esse detalhe é fundamental para entender o impacto do vídeo. Os gestos, o modo de segurar os instrumentos, a movimentação corporal, a interação com Odessa e a energia da apresentação foram construídos por artistas humanos. A IA não inventou toda a cena a partir de comandos de texto: ela atuou como uma camada de efeitos visuais sobre uma produção filmada convencionalmente.

Segundo Rousselet, a credibilidade do rejuvenescimento dependia justamente da “fisicalidade” dos intérpretes. O diretor queria que músicos e câmera pudessem se movimentar livremente, sem que a filmagem parecesse engessada pelas exigências da pós-produção. Para ele, a imprevisibilidade de uma performance real era necessária para que os rostos digitais transmitissem alguma verdade emocional.

Em termos práticos, a tecnologia acompanha expressões, movimentos da cabeça, iluminação e ângulos de câmera para reconstruir outra identidade facial sobre o intérprete original. O modelo específico e os detalhes técnicos da ferramenta utilizada em “In the Stars” não foram divulgados publicamente.

Quem é a Deep Voodoo?

A tecnologia ficou a cargo da Deep Voodoo, empresa de mídia sintética fundada em 2020 por Trey Parker e Matt Stone, criadores de South Park. A companhia nasceu depois que os dois reuniram especialistas em deepfake para um projeto cinematográfico interrompido durante a pandemia.

Em 2022, a empresa recebeu um investimento de US$ 20 milhões liderado pela Connect Ventures, parceria da agência Creative Artists Agency com o fundo New Enterprise Associates. A proposta da Deep Voodoo é desenvolver substituição facial e outros efeitos baseados em inteligência artificial de maneira mais rápida e econômica do que determinados processos tradicionais de efeitos visuais.

Antes dos Rolling Stones, a empresa trabalhou em “The Heart Part 5”, de Kendrick Lamar, no qual o rosto do rapper se transforma em personalidades como Kanye West, Kobe Bryant e Nipsey Hussle. Também participou do rejuvenescimento de Billy Joel no vídeo de “Turn the Lights Back On”, lançado em 2024.

“In the Stars” representa, portanto, uma evolução desse tipo de efeito: em vez de uma transformação frontal e controlada, os rostos precisam sobreviver a uma apresentação agitada, com danças, instrumentos, multidões e câmera em movimento.

Quando a IA confundiu Ronnie Wood com Jeff Beck

O processo também produziu um erro curioso. Para reconstruir Mick Jagger e Keith Richards, a equipe utilizou como referência imagens do filme Sympathy for the Devil, realizado por Jean-Luc Godard em 1968. Ronnie Wood, entretanto, ainda não fazia parte dos Rolling Stones naquele período — ele só entraria oficialmente no grupo na década seguinte.

A equipe precisou recorrer a registros anteriores da carreira de Wood, incluindo sua passagem pelo Jeff Beck Group. Em determinado momento, a inteligência artificial misturou as referências e colocou o rosto do próprio Jeff Beck no lugar de Ronnie.

Mick Jagger contou que percebeu o problema durante uma reunião por vídeo e pediu que a imagem fosse congelada no minuto exato. “Esse é Jeff Beck”, alertou o vocalista. A sequência foi posteriormente corrigida, mas o episódio se transformou em uma demonstração quase didática de que sistemas de IA podem reconhecer padrões sem compreender plenamente as relações históricas entre as pessoas presentes nos arquivos.

A repercussão na imprensa especializada

O clipe recebeu avaliações predominantemente positivas por sua escala e pela maneira como a tecnologia foi integrada à direção convencional.

O site especializado em videoclipes Promonews considerou “In the Stars” um dos trabalhos mais ambiciosos de Rousselet e elogiou especialmente o fato de o deepfake ser usado com moderação dentro de uma produção muito maior. Para o veículo, o jovem Mick Jagger digital está particularmente convincente, mas o verdadeiro mérito está na combinação entre efeito tecnológico e performance humana.

A revista SPIN destacou as possibilidades surrealistas dos efeitos assistidos por IA, embora tenha recorrido à expressão “vale da estranheza” para descrever a sensação provocada pelas versões rejuvenescidas. A publicação definiu o vídeo como uma montagem sofisticada situada em uma festa que atravessa diferentes décadas.

O Diário de Notícias, de Portugal, chamou atenção para um problema de linguagem: dizer que o clipe foi simplesmente “fabricado pela IA” apaga a participação dos integrantes da Hot Property e de todos os profissionais envolvidos na filmagem. O texto comparou a operação visual à provocação de René Magritte em “Isto não é um cachimbo”: o que vemos parece ser Mick Jagger, mas é simultaneamente a imagem de Jagger, o corpo de outro músico e uma construção digital autorizada pelo próprio artista.

Já a cobertura da NME, da Rolling Stone e de outros veículos concentrou-se no caráter espetacular da viagem temporal, tratando o vídeo como mais uma demonstração da capacidade dos Stones de incorporar novas linguagens sem abandonar sua identidade histórica.

Uma música nova vestida com o rosto do passado

“In the Stars” funciona como o principal cartão de apresentação de Foreign Tongues. A faixa combina riffs familiares, vocais de apoio expansivos e um refrão concebido para grandes palcos. Algumas críticas enxergaram nela ecos do pop-rock produzido pela banda no início dos anos 1980, enquanto outras destacaram sua capacidade de funcionar como música de estádio.

A revista Pitchfork observou que o riff dialoga com o repertório clássico do grupo, embora o acabamento de Andrew Watt aproxime a canção da precisão estrutural do pop contemporâneo. O contraste é o mesmo que move o videoclipe: a desordem histórica dos Rolling Stones organizada por ferramentas atuais de produção.

O álbum foi gravado em menos de um mês no Metropolis Studios, em Londres, novamente com Andrew Watt, produtor de Hackney Diamonds. O disco reúne 14 faixas e confirma uma fase de produtividade inesperada para uma banda com mais de seis décadas de estrada.

Mick Jagger estabelece um limite para a IA

A utilização de deepfake não significa que os Rolling Stones tenham aderido sem reservas à inteligência artificial. Em entrevista publicada após o lançamento do álbum, Mick Jagger fez questão de separar o uso visual da tecnologia da imitação musical.

O cantor explicou que os músicos, o cenário e a performance de “In the Stars” eram reais e que somente os rostos haviam sido alterados. Keith Richards definiu o vídeo como a “esbarrada” da banda com a IA e sugeriu que esse tipo de ferramenta talvez encontre seu lugar justamente nos videoclipes.

Jagger, porém, rejeitou a ideia de sistemas que imitem a voz, os instrumentos ou o estilo dos Rolling Stones para produzir músicas supostamente novas. Para ele, artistas podem utilizar IA, desde que apresentem ideias e contribuições próprias, em vez de simplesmente solicitar uma canção “no estilo dos Stones”. Richards adotou posição semelhante, afirmando que prefere ouvir algo original a uma tecnologia dedicada a recombinar o passado.

A posição parece contraditória apenas à primeira vista. Em “In the Stars”, a IA não substituiu a composição, a gravação, os instrumentistas, os atores ou o diretor. Foi utilizada como ferramenta de caracterização dentro de uma obra comandada e autorizada pelos próprios artistas retratados.

O passado como efeito especial

Os Rolling Stones passaram décadas sendo descritos como sobreviventes. Em “In the Stars”, eles transformam a própria sobrevivência em linguagem visual. Não tentam convencer o público de que continuam jovens: exibem a juventude como construção, memória e efeito especial.

É justamente essa transparência que torna o clipe mais interessante do que uma simples demonstração tecnológica. Por trás dos rostos artificiais existem corpos reais, músicos reais, uma multidão real e uma direção humana rigorosa. A inteligência artificial devolve à banda sua aparência de cinquenta anos atrás, mas a energia da obra vem de artistas trabalhando no presente.

No fim, “In the Stars” não é apenas uma tentativa de apagar rugas. É um videoclipe sobre a maneira como a cultura pop arquiva, reconstrói e comercializa seus próprios fantasmas. Os Rolling Stones entram na era da IA fazendo aquilo que sempre souberam fazer: utilizando a tecnologia do momento para vender, mais uma vez, a perigosa ilusão de que o rock nunca envelhece.

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