Notícias
Deezer licencia tecnologia de detecção de IA para a Sacem e mira expansão global contra fraude musical
A batalha silenciosa entre inteligência artificial e direitos autorais musicais entrou em um novo capítulo nesta quinta-feira: a plataforma francesa de streaming **Deezer anunciou a concessão de licenças da sua ferramenta de detecção de músicas geradas por IA à Sacem, a sociedade francesa de direitos autorais, com planos de expandir o uso da tecnologia para outros players da indústria.
Lançada em 2025 como um mecanismo interno de combate à fraude em streaming, a tecnologia desenvolvida por Deezer analisa registros de áudio em busca de padrões tipicamente produzidos por algoritmos generativos — como os usados por sistemas como Suno e Udio — e identifica com precisão conteúdos totalmente criados por inteligência artificial.
Segundo dados da própria empresa, a ferramenta já detectou e sinalizou mais de 13,4 milhões de faixas geradas por IA ao longo de 2025, o que levou à exclusão de até 85% desses fluxos fraudulentos do pool de royalties distribuído a artistas e compositores humanos.
O volume de uploads de conteúdo totalmente gerado por IA registrado pela plataforma é impressionante: cerca de 60 mil novos títulos por dia, o equivalente a quase 39% de todas as músicas adicionadas diariamente — um aumento exponencial em relação aos números do início de 2025.
Para Deezer, a iniciativa representa um movimento estratégico não apenas para proteger os criadores reais, mas também para fomentar uma camada de transparência e confiança em um ecossistema cada vez mais inundado por produções automatizadas e de baixo valor artístico. O CEO Alexis Lanternier afirmou que já há interesse de diversos agentes do setor e conversas em andamento com entidades coletivas de direitos autorais na Europa e nos Estados Unidos, incluindo eventos previstos durante a Grammy Week em Los Angeles.
Por outro lado, representantes de sociedades autorais fora da França — como a sueca Stim — lembram que a tecnologia de detecção por si só não resolve as questões fundamentais de direitos autorais e propriedade intelectual, defendendo abordagens mais amplas de licenciamento obrigatório e transparência no uso de bases de treinamento de IA.
Enquanto o uso de IA na criação musical segue em expansão, a iniciativa de Deezer e Sacem coloca em evidência um dos maiores desafios da indústria no século XXI: quem de fato merece ser remunerado quando se trata de música — o humano ou a máquina?
Fonte: Reuters
Cinema
WAIFF 2026: como a IA está redesenhando o cinema contemporâneo
O World AI Film Festival (WAIFF) estreia sua edição brasileira em 2026 fortalecendo uma tendência que já vinha ganhando força no mercado global: a presença da inteligência artificial não apenas como ferramenta, mas como elemento criativo e narrativo nas produções cinematográficas. O evento acontece nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2026 na FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), em São Paulo, com mais de 20 horas de conteúdo reunindo debates, projeções, painéis e networking sobre cinema, tecnologia e estética impulsionada pela IA.
O WAIFF integra uma rede internacional de festivais dedicados ao audiovisual com IA — com edições na França, Japão, Coreia e China — posicionando o Brasil no mapa global dessa discussão emergente.
🎬 Agenda completa (27 e 28 de fevereiro)
O festival ocupa diversos espaços simultâneos dentro da FAAP — Auditório CloudWalk, Auditório CAISROOM, SPCine Space e uma área exclusiva para encontros e networking — com uma agenda intensa de palestras, mesas, workshops e exibição de filmes finalistas da mostra competitiva.
🗓 Sexta-feira — 27 de fevereiro (Início 9h30)
- Abertura oficial do WAIFF Brasil.
- Painéis sobre integração da IA no processo criativo cinematográfico.
- Workshops de ferramentas generativas aplicadas à narrativa e imagem.
- Exibição de filmes selecionados para o SPCine Space.
🗓 Sábado — 28 de fevereiro (Início 9h30)
- Palestra de Nizan Guanaes sobre IA e criatividade, destacando o papel das inteligências artificiais no processo de desenvolvimento de ideias e no setor criativo contemporâneo (10h no Auditório CloudWalk).
- Mesas redondas com foco em produção de conteúdo, publicidade e streaming com IA.
- Sessões de debates com especialistas nacionais e internacionais.
- Cerimônia de premiação da mostra competitiva com 11 categorias, incluindo Melhor do Festival e prêmios por formatos como longa-metragem, curta-metragem em múltiplos gêneros, séries verticais e publicidade com IA.
👥 Convidados e especialistas confirmados
O WAIFF Brasil reúne profissionais que transitam entre cinema, tecnologia, produção e comunicação:
- Nizan Guanaes — executivo e estrategista de comunicação, palestrante sobre criatividade nos tempos de IA (28/02).
- Kris Krüg — especialista canadense em ferramentas de IA aplicadas à produção audiovisual.
- Fabiano Gullane — produtor e sócio da Gullane Filmes, com experiência em cinema tradicional e novas práticas criativas.
- Paulo Aguiar — consultor e pesquisador de IA criativa.
- Rapha Borges — CCO da Tiger, trazendo perspectiva do mercado publicitário no uso da IA.
- Representantes da TV Globo — participam de painéis sobre aplicações práticas da IA em produção audiovisual e jornalística.
- Heitor Dhalia — cineasta com longa trajetória no cinema brasileiro, contribuindo como membro do júri da mostra competitiva.
- Lyara Oliveira — gestora e produtora especializada em audiovisual.
- Jacqueline Sato — atriz, roteirista e produtora, presidente do júri, com carreira em TV, cinema e plataformas digitais.
- Tadeu Jungle — diretor e videoartista, também integrando a comissão julgadora.
A diversidade de perfis — do cinema clássico ao cinema tecnológico, passando pelo mercado publicitário e pesquisa — reflete a natureza híbrida do festival, que questiona fronteiras entre criação humana e automação algorítmica.
🏆 Mostra Competitiva e Premiação
A mostra competitiva é um dos pilares do WAIFF: além de reconhecer obras que usam IA em sua concepção artística, a programação premia produções em 11 categorias, dando visibilidade a formatos inovadores como séries verticais para redes sociais e filmes de publicidade criados com IA.
🤝 Cultura, mercado e futuro do audiovisual com IA
Mais do que um festival, o WAIFF representa um movimento dentro da cultura audiovisual global:
- Rede internacional, conectando edições em países como França, Coreia, Japão e China, com um grande final em Cannes.
- Debate sobre autoria, estética e ética da IA no cinema.
- Networking e oportunidades de colaboração, com setores criativos de cinema, publicidade, streaming e tecnologia reunidos.
A edição brasileira do festival demonstra que o uso de inteligência artificial — seja em narrativa, imagem, som ou processos de produção — já não é apenas um tema técnico, mas um elemento estruturante da cultura audiovisual contemporânea.
Notícias
Ritmo acelerado — Meta & Nvidia: como a batida dos chips está moldando o futuro da IA
A batida da inteligência artificial segue acelerando na bolsa e a protagonista dessa sinfonia tecnológica é a norte-americana Nvidia. A fabricante de chips está tocando uma ofensiva robusta para manter — e amplificar — seu papel de referência no universo da IA, mirando uma capitalização de mercado na casa dos US$ 5 trilhões, uma conquista que já chegou a alcançar no fim de 2025 e que agora volta ao centro das atenções dos investidores .
No coração dessa estratégia está uma parceria ampla com a Meta, gigante de Mark Zuckerberg, para a venda de milhões de unidades de seus chips de IA — incluindo as linhas atuais Blackwell e as futuras séries Rubin, assim como os seus processadores centrais Grace e Vera . Esse acordo multianual reforça a dependência das grandes plataformas em relação ao poder de processamento da Nvidia para rodar aplicações de IA em massa — desde recomendadores de conteúdo até sistemas de personalização de escala global.
O movimento não é apenas comercial, mas também de posicionamento estratégico no tabuleiro competitivo: enquanto a Nvidia fortalece laços com clientes chave, rivais como Intel e AMD continuam em busca de sua própria fatia do mercado de IA. A aposta é que, com demandas corporativas e de nuvem crescendo vertiginosamente, a arquitetura de chips da Nvidia — que combina desempenho bruto com eficiência energética — permaneça como trilha sonora dominante no setor .
Investidores reagiram com entusiasmo. As ações da Nvidia se sustentam em níveis elevados, respirando perto de recordes e colocando novamente no radar a marca simbólica dos US$ 5 trilhões em valor de mercado. Analistas de mercado, olhando além da próxima nota de “airplay” financeiro, levantam cenários em que o preço-alvo das ações pode subir ainda mais, com estimativas que variam de consenso até visões mais ousadas .
O plano da Nvidia também implica expansão geográfica: a empresa tem intensificado acordos no mercado indiano, colaborando com grupos tecnológicos locais como Wipro, Infosys e Tech Mahindra — aproveitando a previsão de investimentos em IA no país que podem ultrapassar os US$ 200 bilhões nos próximos anos .
Enquanto isso, o mercado global de semicondutores segue crescendo, impulsionado pela demanda por IA e projetado para ultrapassar US$ 1 trilhão em receita ainda neste ano, segundo associações da indústria . No meio dessa sinfonia, a Nvidia compõe fortes acordes — unindo tecnologia, parcerias e uma visão de longo prazo — para manter sua liderança no palco do futuro digital.
Notícias
88 Países Assinam Acordo Histórico para Orientar a Era da Inteligência Artificial
Nova Delhi — Em um dos momentos mais importantes da diplomacia tecnológica no século XXI, 88 países assinaram a chamada Declaración de Delhi durante a Cúpula de Impacto de Inteligência Artificial 2026, encerrada neste sábado na capital da Índia.
O acordo, descrito como o maior pacto diplomático já firmado sobre inteligência artificial (IA), reúne nações de diferentes blocos políticos e econômicos — incluindo Estados Unidos, China, União Europeia e Brasil — em torno de uma visão global para o desenvolvimento ético e inclusivo das tecnologias de IA.
Batizada oficialmente de New Delhi Declaration on AI Impact, a declaração não cria obrigações legais, mas estabelece um conjunto de diretrizes voluntárias para orientar políticas públicas e cooperação internacional na era da IA. A assinatura teve de ser adiada um dia devido a intensos debates sobre seu texto final, que acabou ajustado para acomodar diferentes visões sobre segurança e governança tecnológica.
No centro do acordo está a ideia de que a inteligência artificial deve ser usada para beneficiar a humanidade como um todo, e não apenas os países ou empresas mais avançados tecnologicamente. Entre os pilares defendidos estão a democratização do acesso à tecnologia, a cooperação internacional em pesquisa e inovação, e o desenvolvimento de sistemas confiáveis, transparentes e seguros.
A Declaración de Delhi prevê ainda a criação de estruturas colaborativas como o Trusted AI Commons — um “arsenal global” de práticas e protocolos para mitigar riscos de sistemas de IA — e uma carta de democratização que busca facilitar o acesso a recursos essenciais, como chips e infraestrutura, especialmente para países em desenvolvimento.
Durante o evento, líderes da tecnologia presentes no encontro — incluindo figuras de destaque do Vale do Silício — defenderam uma abordagem maior de descentralização e transparência no desenvolvimento de IA, alertando para riscos potenciais de concentração de poder e desigualdade tecnológica.
O pacto representa um marco nas tentativas de construir um consenso internacional sobre a governança da inteligência artificial, colocando foco não apenas nos benefícios econômico-sociais da tecnologia, mas também em questões éticas, de inclusão e de distribuição equitativa de seus avanços.
Fonte: ABC
Na foto em destaque, líderes mundiais posando com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, durante a Cúpula de Impacto da IA 2026 no Bharat Mandapam, Nova Délhi, Índia.
Divulgação do Press Information Bureau.”
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