Tecnologia & IA
Google testa ferramenta que pode transformar o Gemini em estúdio de vídeo com IA
O Google pode estar prestes a dar mais um passo na disputa pelo futuro do vídeo gerado por inteligência artificial. Um novo modelo chamado Gemini Omni apareceu para alguns usuários dentro do Gemini, com uma descrição que promete criação de vídeos, remixagem, edição direta no chat e uso de templates. A descoberta foi relatada pela 9to5Google nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, e reforçada por publicações especializadas que acompanham testes e vazamentos de produtos de IA.
A frase exibida na interface era direta: “Create with Gemini Omni”. Segundo os relatos, o Google descreve o recurso como um novo modelo de geração de vídeo capaz de remixar vídeos, editar conteúdos por conversa e partir de modelos prontos. Ainda não está claro se o Omni será um modelo totalmente novo, uma camada de produto sobre o Veo ou uma evolução integrada da estratégia multimodal do Gemini.
As primeiras demos chamaram atenção por dois motivos. A primeira mostrava um professor escrevendo uma prova matemática em um quadro, um tipo de cena difícil para modelos de vídeo porque exige coerência visual, texto legível e continuidade de movimento. A segunda brincava com um teste clássico de IA generativa: pessoas comendo espaguete, referência ao famoso meme dos primeiros vídeos gerados artificialmente, quando mãos, bocas, talheres e comida viravam um pequeno carnaval de horrores digitais. Segundo a 9to5Google, os resultados ainda têm sinais visíveis de geração por IA, mas já mostram avanço considerável em realismo e aderência ao prompt.
O ponto mais importante para criadores, videomakers e produtores independentes não é apenas a geração de vídeo a partir de texto. O diferencial sugerido pelo vazamento está na edição conversacional: trocar objetos, remixar cenas, editar vídeos diretamente no chat e trabalhar a partir de templates. O TestingCatalog afirma que os testes iniciais indicam desempenho especialmente forte em tarefas de edição, incluindo substituição de elementos e reescrita de cenas por instruções em linguagem natural.
Esse detalhe é estratégico. A geração bruta de vídeo já virou território disputado por Google, OpenAI, ByteDance, Runway, Luma e outras empresas. Mas a próxima fronteira pode ser menos “crie um vídeo do zero” e mais “pegue este material e transforme em outra coisa”. Para a indústria criativa, isso muda o jogo: o modelo deixa de ser apenas um gerador de clipes e começa a se comportar como um assistente de pós-produção.
Também apareceu para alguns usuários uma aba de uso, indicando que a criação de vídeos com Omni pode consumir rapidamente os limites diários de planos pagos. A própria página de suporte do Google já trata geração de vídeo como recurso sujeito a limites por plano e afirma que os limites podem mudar com frequência por demanda e capacidade.
O vazamento chega poucos dias antes do Google I/O 2026, marcado oficialmente para 19 e 20 de maio. A página do evento promete keynotes, sessões e novidades com foco em IA, Gemini, Android, Chrome e Cloud. O blog de desenvolvedores do Google também afirma que a conferência trará avanços de IA e atualizações de modelos Gemini, o que torna o evento o palco mais provável para uma explicação oficial sobre o Omni, caso o produto esteja realmente pronto para anúncio.
Por enquanto, convém tratar o Gemini Omni como um vazamento forte, não como lançamento oficial. O Google ainda não apresentou publicamente o produto nem explicou como ele se encaixará na família Veo. Mas a direção é clara: a Big Tech quer que o Gemini deixe de ser apenas um chatbot multimodal e se torne um ambiente completo de criação — texto, imagem, vídeo, edição e talvez, em breve, fluxo de produção audiovisual.
Para creators, artistas visuais, diretores de clipes, agências pequenas e produtores independentes, a promessa é sedutora: um estúdio criativo dentro de uma conversa. Para o mercado, o recado é menos poético e mais brutal: a guerra do vídeo com IA ainda nem começou direito, e o Google parece disposto a colocar seu exército dentro do Gemini.
Fonte: 9to5Google
Tecnologia & IA
Anthology quer colocar infraestrutura de major nas mãos dos independentes
A inteligência artificial está entrando em uma nova área da indústria musical: os bastidores.
A britânica Absolute Label Services abriu ao mercado independente o Anthology, plataforma que a empresa define como um “Music Operating System”, ou sistema operacional para negócios de música. A ideia é reunir distribuição, direitos, dados, marketing e finanças em um único ambiente, usando IA para automatizar parte do trabalho operacional.
IA para administrar — não para criar música
O ponto mais interessante do projeto é justamente onde a inteligência artificial está sendo aplicada.
Em vez de gerar músicas ou substituir artistas, o Anthology utiliza IA para monitorar dados, identificar anomalias, encontrar possíveis problemas de royalties e detectar oportunidades comerciais.
Segundo Simon Wills, co-diretor da Absolute e responsável pelo projeto, a empresa decidiu concentrar a tecnologia nas tarefas em que a IA pode auxiliar profissionais, e não substituir a razão pela qual a indústria musical existe: a própria música.
No centro do sistema está o Ant, um modelo de IA especializado na indústria musical. Apresentado originalmente em 2025, ele funciona como uma espécie de copiloto empresarial integrado à plataforma. A Absolute afirma que o sistema foi desenvolvido a partir de sua experiência acumulada no setor e que os clientes mantêm controle sobre seus próprios dados.
Tudo em um único sistema
O Anthology reúne ferramentas que normalmente ficam espalhadas por diferentes serviços:
distribuição digital e física, administração de catálogos, direitos conexos, marketing, relatórios financeiros, estoque, fornecedores, faturamento e análise de desempenho.
A fragmentação é um problema real para selos independentes. Matt Bristow, da Cherry Red Records, contou que a empresa já precisou repetir dados de um único lançamento em até 15 plataformas diferentes. Com dezenas de lançamentos por mês, a centralização pode eliminar muitas horas de trabalho administrativo.
Além da Cherry Red, a Blue Raincoat Music, ligada à Reservoir Media, está entre os primeiros clientes anunciados. O sistema também é utilizado por empresas atendidas pela Absolute, como Wise Music Group e The Fuel Music and Management.
Infraestrutura pode ser a próxima democratização da música
A tese da Absolute é simples.
A distribuição digital reduziu uma enorme vantagem estrutural das grandes gravadoras: hoje um artista ou selo independente consegue disponibilizar sua música globalmente sem possuir uma rede física internacional.
Mas distribuir deixou de ser o único problema.
Administrar royalties, dados, direitos, marketing, estoque, plataformas digitais e milhares de informações continua exigindo uma infraestrutura que normalmente favorece organizações maiores.
O Anthology tenta atacar justamente essa diferença.
Se funcionar como prometido, a IA pode assumir parte do trabalho repetitivo dos bastidores enquanto profissionais dedicam mais tempo às decisões estratégicas, aos artistas e à criação.
É uma discussão importante para além do debate sobre “IA fazendo música”.
A próxima transformação da inteligência artificial na indústria talvez não aconteça apenas dentro do estúdio.
Pode acontecer nas planilhas, nos royalties, nos contratos, nos catálogos e em toda a infraestrutura invisível que mantém a música circulando.
Fontes principais: Music Business Worldwide, Absolute Label Services e Record of the Day. A Absolute descreve oficialmente o Anthology como uma plataforma que integra distribuição, direitos, analytics e ferramentas promocionais, enquanto a cobertura da MBW detalha o papel do modelo Ant e a estratégia de levar a infraestrutura a empresas independentes.
Tecnologia & IA
GPT-6 fica mais barato: OpenAI lança os modelos Sol e Luna
A OpenAI ampliou nesta terça-feira (22) a família GPT-6 com o lançamento de dois novos modelos: GPT-6 Sol e GPT-6 Luna. A proposta é levar parte dos avanços do poderoso GPT-6 Astra para versões mais rápidas e, principalmente, mais baratas.
O grande destaque do anúncio está no preço.
Na API, o GPT-6 Sol custa US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de tokens de saída. O GPT-6 Luna cai para apenas US$ 0,10 na entrada e US$ 0,50 na saída.
Segundo a OpenAI, os valores representam uma redução de 50% em relação aos preços promocionais dos modelos GPT-5.6 equivalentes.
Astra, Sol ou Luna?
A nova família passa a ocupar três níveis.
O GPT-6 Astra continua sendo o modelo mais poderoso da OpenAI, destinado aos trabalhos que exigem máxima capacidade.
O GPT-6 Sol fica no meio do caminho: foi projetado para tarefas profissionais mais complexas, programação, agentes de IA e uso de computadores, mas com custo muito menor.
Já o GPT-6 Luna é a versão mais econômica, voltada principalmente a tarefas repetitivas e aplicações que precisam processar grandes volumes de informação.
Nos testes divulgados pela própria OpenAI, Sol e Luna também avançaram em programação, execução de tarefas profissionais e precisão factual em relação à geração GPT-5.6. Como os benchmarks fazem parte do material de lançamento da empresa, esses resultados devem ser considerados números apresentados pela própria fabricante.
A inteligência artificial entra na guerra do custo
Talvez esse seja o ponto mais importante do lançamento.
Depois de anos em que a indústria disputou principalmente quem tinha o modelo mais inteligente, a competição começa a acontecer também em torno de quanto custa usar essa inteligência em escala.
A VentureBeat destacou justamente essa mudança ao analisar Sol e Luna como modelos voltados a transformar a tecnologia da geração GPT-6 em uma ferramenta economicamente viável para aplicações empresariais e de grande volume.
Para áreas criativas, isso também importa. Produção de texto, programação, pesquisa, automação, agentes e ferramentas de criação podem utilizar muito mais processamento quando o preço por token despenca.
É uma mudança menos espetacular que simplesmente anunciar “a IA mais poderosa do mundo”, mas potencialmente muito mais importante para sua adoção cotidiana.
Onde estão disponíveis?
No lançamento, GPT-6 Sol e Luna chegaram ao ChatGPT Work e ao Codex para usuários Plus, Pro, Business, Enterprise e Edu. Usuários Free e Go podem acessar o GPT-6 Luna pelo aplicativo desktop.
Os dois modelos também já estão disponíveis para desenvolvedores pela API como gpt-6-sol e gpt-6-luna. A OpenAI informou que a distribuição está sendo feita gradualmente.
Tecnologia & IA
Suno treinou o v6 com músicas criadas por usuários — e isso abre uma nova discussão
A Suno confirmou que seu novo modelo de geração musical, o v6, foi treinado também com criações produzidas por usuários dentro da própria plataforma.
A informação apareceu em uma declaração da empresa em resposta a uma nova ação judicial apresentada por Sony Music e Universal Music Group nos Estados Unidos.
Segundo a Suno, o v6 foi treinado a partir de três grandes grupos de informações: conteúdo licenciado de parceiros da indústria musical, interações da comunidade — incluindo criações e sinais de preferência — e conhecimentos acumulados pela própria equipe de desenvolvimento.
É uma diferença importante.
Quando lançou o v6, em 9 de setembro, a Suno havia afirmado que o novo modelo havia sido desenvolvido “do zero” e com participação de parceiros como Warner Music Group, BMG e Believe. A empresa também dizia utilizar dados de usuários, mas inicialmente esclareceu que isso não significava arquivos de áudio enviados pelos próprios usuários.
Agora, a companhia reconhece explicitamente que “criações” realizadas dentro da plataforma fizeram parte do processo de treinamento.
O que dizem os termos da Suno
Os atuais Termos de Serviço da empresa ajudam a explicar como isso é possível.
As regras em vigor desde setembro concedem à Suno uma licença ampla para utilizar conteúdos submetidos e gerados na plataforma, inclusive para desenvolver e melhorar seus sistemas e modelos de inteligência artificial.
Isso não significa automaticamente que a Suno se torne proprietária da música criada pelo usuário. Mas significa que quem utiliza o serviço precisa prestar atenção não apenas aos direitos comerciais sobre a música final, mas também às permissões concedidas à plataforma sobre o uso daquele conteúdo.
Sony e Universal voltam à Justiça
A revelação surge no meio de uma disputa muito maior.
Sony e Universal apresentaram em 18 de setembro uma nova ação contra a Suno, acusando a empresa de ter copiado 60.202 gravações protegidas por direitos autorais sem autorização para desenvolver seus modelos de IA.
As gravadoras sustentam ainda que treinar o v6 utilizando músicas geradas por versões anteriores da Suno não eliminaria um possível problema de origem.
O argumento é que, caso os modelos anteriores tenham sido treinados com gravações utilizadas sem licença, seus resultados carregariam indiretamente parte desse aprendizado para as gerações seguintes.
A Suno rejeita essa interpretação e afirma que as acusações são equivocadas tanto nos fatos quanto juridicamente. A questão ainda está sendo discutida nos tribunais e não existe decisão definitiva sobre essas novas alegações.
A discussão agora chega ao usuário
O caso aponta para uma nova etapa do debate sobre IA generativa.
Durante os últimos anos, a discussão esteve concentrada principalmente em quais músicas as empresas utilizavam para treinar seus modelos.
Agora surge outra pergunta:
o que acontece com as músicas que milhões de pessoas criam dentro dessas plataformas?
Se essas criações também alimentam futuras gerações da tecnologia, entender os termos de uso deixa de ser apenas uma questão jurídica distante.
Passa a fazer parte do próprio processo de criação com inteligência artificial.
Fonte principal: Music Business Worldwide
Fontes adicionais: Suno, Termos de Serviço da Suno, Variety e MusicTech.
Redação assistida por IA. Prompt, curadoria e edição: Silnei L. Andrade.
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