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Produtor deadmau5 critica uso de deepfake e exige novas regras para IA

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O veterano produtor e DJ deadmau5 — nome de guerra do canadense Joel Zimmerman — voltou a acender o alerta sobre os riscos da inteligência artificial para artistas após ser alvo de um vídeo deepfake viralizado numa história do Instagram. Nele, uma versão gerada por IA do músico aparecia aparentemente promovendo a música de outro DJ sem sua autorização.

Zimmerman reagiu em suas redes sociais com a franqueza que já virou marca registrada: chamou a situação de “assustadora pra caralho” (scary as fuck) e descreveu o episódio como apenas o começo de um problema maior. “IA é f*, generative AI nem tanto; mas precisamos parar idiotas como esse aqui de abusar disso”, escreveu ele, em referência à tecnologia generativa usada para criar o deepfake.

O produtor ressaltou que não promove outros artistas por meio de vídeos pré-gravados — e que jamais deu permissão para que sua voz, imagem ou expressão fossem usados com esse fim. Apesar do vídeo ter uma voz quase convincente, ele apontou que não era verdadeiramente sua e que isso mostra como a tecnologia pode ser usada de forma enganosa e exploratória.

📜 Da crítica à lei: NO FAKES Act

A polêmica acontece num contexto maior de debates legislativos nos EUA sobre como regular a IA no ambiente musical e cultural. Deadmau5 endossou publicamente um projeto chamado “NO FAKES Act” — uma proposta de lei que visa criar um direito de réplica digital, dando a artistas e figuras públicas maior controle sobre o uso de suas imagens e vozes gerados por IA.

Se aprovada, a legislação permitiria que figuras públicas licenciem sua presença digital e processem quem publique deepfakes sem consentimento — uma resposta direta à enxurrada de tecnologias generativas que, hoje, ainda não têm salvaguardas legais fortes nos EUA.

🧠 O debate que cresce na indústria

O caso de deadmau5 exemplifica um debate que já movimenta entidades da indústria musical: além de máscaras digitais, há inquietação sobre direitos autorais, transparência nos dados usados para treinar modelos de IA, e o papel de tecnologia no futuro da música. Organizações de criadores e músicos continuam a pressionar por consentimento explícito, controle e remuneração justos à medida que ferramentas generativas se espalham.

Para artistas como Zimmerman, o ponto é claro: ser “deepfakeado” sem permissão não é apenas irritante — é um ataque direto à identidade e ao trabalho criativo, e as leis atuais ainda não estão preparadas para lidar com isso.

Fonte: CMU

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Vídeoclipe

MVF Awards 2025: a Inteligência Artificial invade o videoclipe — mas continua atrás das câmeras

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Em sua 13ª edição, o Music Video Festival Awards 2025 confirma tendências que já vinham se delineando no universo audiovisual: a inteligência artificial não está apenas no discurso, mas se torna protagonista criativa dentro da produção de videoclipes. A mais nova categoria do prêmio — “Feito com Inteligência Artificial” — reúne 10 finalistas que exploram a tecnologia de maneiras distintas, seja como motor estético, seja como elemento narrativo ou como parceiro de pós-produção.

Criada como uma categoria híbrida — aberta a trabalhos nacionais e internacionais —, a premiação busca mapear o que há de mais original no uso de IA em vídeo musical: não como artista sintético, mas como ferramenta que amplia vocabulários visuais e desafia limites técnicos tradicionais do audiovisual.

🎥 Os finalistas da categoria “Feito com Inteligência Artificial”

A comissão técnica especializada do MVF Awards anunciou os 10 trabalhos que concorrem ao prêmio na categoria criada em 2025. Entre o experimental e o narrativo, os clipes finalistas mostram o estado da arte na intersecção entre música e algoritmos criativos:

Salem al-DawsariDupla 02, Thalin, Enow — edição: Cainã Tavares

Desperately PopAlessandro Amaducci — edição: Alessandro Amaducci

Live For MeMedio Mutante — efeitos especiais: Modular Dreams

MouthSuperafim & Duda Beat — efeitos especiais: MLKBrutal & Coco

Your Head FirstElephant Run — efeitos especiais: Pedro Bayeux

Work It OutOdonis Odonis — edição: Constantin Tzenos

TerraSergi Cox — edição: Adam Colyer

What I Don’t NeedNeil Haverty — efeitos especiais: Luca Tarantini (AOK)

Tudo Que Eu Sempre SonheiPullovers — efeitos especiais: Studio São Longuinho

Vim do TaboãoPreta Le — direção: Marcelo Pressotto

Essa seleção evidencia um panorama plural: de trabalhos que utilizam IA para reconfigurar estética visual a outros em que o algoritmo participa como agente de montagem e textura, dialogando com estilos que vão do glitch ao surrealismo — sempre em estreita relação com a música e a energia da faixa escolhida pelos artistas.

🤖 IA como ferramenta — e não como estrela

Um dos aspectos mais interessantes desta edição é a forma como os finalistas encaram a IA: nenhum vídeo é de um artista IA , como era esperado por muitos no início do ano — por exemplo, obras como Narices Desquiciadas de Náya Volt ou Só Amor da Banda Nami, ambas com marcas de projeto IA em seus processos criativos, ficaram de fora da lista oficial de finalistas. Em vez disso, o que se vê é uma reconciliação entre a prática humana e a ajuda das máquinas, dando espaço a linguagens inéditas, mas sustentadas por uma visão criativa que ainda parte de seres humanos.

Essa escolha do júri coloca em discussão uma questão essencial para os próximos anos: a IA é reconhecida como colaboradora técnica ou já merece status de “criadora” no audiovisual musical? A resposta, ao menos no MVF Awards de 2025, tende a privilegiar a colaboração — onde os algoritmos acrescentam ao repertório expressivo, mas não substituem a direção e a visão artística.

🗓️ Caminho até a premiação

A votação do júri vai até o dia 25 de março de 2026, quando os vencedores serão anunciados durante a cerimônia oficial no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. A expectativa é alta: mais do que coroar os melhores usos de IA, o MVF Awards 2025 aponta caminhos para o futuro do videoclipe como forma híbrida de arte e tecnologia.

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Música

Innokids: a banda de IA chinesa que está remixando narrativas globais com música pop

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No pulso frenético das redes sociais, uma canção tem se espalhado como vírus — mas desta vez não é só mais um hit pop. Com a letra convidativa “Together, peace is in our hands… Go East, life is peaceful here”, a faixa Go East da banda virtual chinesa Innokids tem dominado streams e debates em plataformas que vão do TikTok a YouTube.

O fenômeno, nascido da fusão entre música pop, inteligência artificial e storytelling geocultural, vai muito além de um simples sucesso online. A banda — um quarteto de humanos virtuais gerados por IA — quer nada menos do que desafiar a hegemonia narrativa ocidental e ressignificar a forma como o mundo enxerga a China através da música.

Um hit que é declaração de intenções

Go East é mais do que um título instigante. É uma reinterpretação da clássica Go West, imortalizada pelos Village People e posteriormente pelos Pet Shop Boys. Mas onde a versão ocidental foi tomada como hino à “vitória” dos valores liberais pós-Guerra Fria, a versão de Innokids reescreve a mensagem como um chamado à coletividade, estabilidade social e aos valores comunitários que — segundo os criadores — definem a China contemporânea.

“A nossa inspiração vem do presente — tanto de questões políticas atuais quanto de temas que ressoam com o cotidiano das pessoas”, diz Ma Chao, fundador criativo por trás do projeto, em entrevista exclusiva.

Narrativa, identidade e alcance global

A recepção global tem sido diversa: internautas chineses celebram a música como um novo símbolo cultural, estudantes no exterior veem na banda um motivo de orgulho nacional, descendentes chineses redescobrem suas raízes, e ouvintes internacionais elogiam a perspectiva diferente que a produção oferece de imagens sobre a China — um contraponto às representações estereotipadas muitas vezes veiculadas pela mídia ocidental.

As cenas do clipe — com mercados noturnos vibrantes, espetáculos da natureza e momentos de solidariedade social — têm sido celebradas por fãs de diferentes latitudes como um retrato “humano”, “seguro” e “desenvolvido” da sociedade chinesa.

Human-centric AI: arte além da automação

O diferencial da Innokids está em sua abordagem de IA centrada no humano. Para Ma, a tecnologia é um instrumento — não o artista. A criação musical começa com ideias, temas e letras concebidos por humanos, e depois passa pelos processos de IA para gerar melodias, que são lapidadas, mixadas e vocalmente refinadas por produtores reais.

Essa síntese de criatividade humana e apoio tecnológico permite uma produção rápida e de baixo custo, rompendo com os modelos tradicionais que exigiriam semanas de trabalho e grandes equipes.

Clássicos remixados com propósito

Além de Go East, a banda também tem explorado temas globais delicados — de comentários sobre a política japonesa ao conflito israelo-palestino — sempre usando a música como veículo para posicionamentos e diálogo intercultural. Em alguns casos, como na reinterpretação de Heal the World (música de Michael Jackson), os vocais originais são mantidos enquanto imagens e elementos visuais destacam a participação chinesa em ações humanitárias.

Escute:

Fonte: GlobalTimes

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Notícias

Orson Welles remixado pela inteligência artificial: entre reparo histórico e profanação tecnológica

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O nome Orson Welles já carregava em sua própria sonoridade a promessa de uma epopeia cinematográfica. Mas, assim como na música — quando um clássico é reeditado pelos algoritmos do mainstream e acaba esvaziado de alma — a mais recente tentativa de “restaurar” um dos maiores filmes perdidos de Welles está incendiando um debate que cruza estética, ética e tecnologia.

O filme em questão é The Magnificent Ambersons (1942), obra-prima parcial que surgiu no rastro do monumental Cidadão Kane. Originalmente concebido como um retrato brutal e lírico da decadência de uma família abastada no coração dos Estados Unidos, a película teve quarenta e três minutos de material cortados pela RKO Studios e substituídos por um final açucarado, num dos episódios mais infames de censura corporativa na história de Hollywood. As cenas descartadas foram posteriormente destruídas — um verdadeiro “deleção total” que virou lenda entre cinéfilos.

Agora, quase 84 anos depois, o empresário Edward Saatchi — fundador da startup de IA Fable Studio e apoiado por backing da Amazon — está tentando recuperar o que foi perdido. Utilizando inteligência artificial generativa e uma plataforma chamada Showrunner, a equipe pretende reconstruir as cenas desaparecidas usando roteiros originais, fotografias de produção e vozes digitalizadas dos próprios atores originais. É como se um engenheiro musical tentasse reeditar as fitas originais de um álbum histórico que foi censurado pela gravadora — só que usamos aprendizado de máquina em vez de fita magnética.

A ideia é tão ambiciosa quanto provocadora: atores vivos gravam cenas em estúdio, e depois seus rostos e vozes são substituídos por versões digitais de estrelas que morreram há décadas. Na contramão de muitas iniciativas de IA que “tolhem” o espírito autoral, Saatchi afirma que sua visão é “direcionar a tecnologia para o que poderia ser o auge perdido de Welles”, um gesto de reparo histórico mais do que um espetacular show de efeitos.

Só que nem todos concordam com esse tom messiânico. A família de Welles — especialmente sua filha Beatrice — deixou claro que o projeto até agora seguiu sem a bênção formal do espólio e sem os direitos exigidos pelos detentores originais da obra. E críticas já pipocam nos bastidores: será que recriar um clássico com algoritmos é reescrever a história ou profanar um artefato sagrado? Alguns tradicionais entusiastas do cinema temem que a iniciativa — apesar de respeitosa nas intenções — sinalize um precedente perigoso, abrindo portas para intervenções cada vez mais ousadas em obras que deveriam ser intocáveis.

A discussão ecoa debates análogos na música — como a remixagem póstuma de gravações, ou relançamentos com overdubs feitos por produtores que nunca conheceram o artista original — e nos obriga a confrontar uma pergunta difícil: a tecnologia pode realmente “consertar” um passado mutilado ou está apenas criando uma versão alternativa, um “deepfake cultural” que compete com o original?

No fim das contas, o processo em si pode se tornar tão provocativo quanto a obra que tenta resgatar: uma mistura de fascínio, controvérsia e reverência artística que desafia tanto amantes do cinema clássico quanto críticos de tecnologia.

Fonte: The New Yorker

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